Autoconhecimento

O coração como guia

Mãos em formato de coração. Apontadas para o horizonte. Com o pôr do sol e o mar ao fundo.
Val Amores
Escrito por Val Amores
Sempre dizemos que precisamos “pensar sobre algo”, quando algo sério e profundo nos é solicitado. Dirigimos naturalmente com as mãos à cabeça, o olhar para cima, buscando uma resposta, solução exata. Por vezes, ficamos imersos no ponto de interrogação que se forma diante de um assunto, de uma decisão. O desgaste vem, o cansaço mental vem, a indecisão consome.

Eu sempre busquei “na cabeça” as melhores ideias, as melhores sugestões e propostas. Sempre direcionei a ideia do pensar sério e focado em muitas decisões necessárias em minha vida. Todas as decisões foram acertadas? Não. Muitas vezes, eu me vi impactada pela seriedade sisuda. Cansada e contrariada. Muitas vezes, eu deixei o medo me dizer um não bem grosseiro e, então, desisti.

Foi então que, em um dia, diante de uma pergunta, decidi fazer um movimento diferente: colocar o coração na decisão. O coração, esse mesmo, que palpita mais rápido na emoção e mais lento na meditação.

Peguei a pergunta, direcionei as mãos ao coração e soltei um: “Aguarde um momento, pode ser?”. Me permiti sentir as suas batidas diante do questionamento, diante de qualquer resposta. Percebi, então, a minha respiração e aí segui para entender a qualidade dos meus pensamentos. Ali, me notando viva, pude entender que o coração disponibiliza um caminho leve, claro, consciente e valioso. Sem oscilações. Imediato.

É comum ouvirmos que é importante desbravar os caminhos rumo ao nosso coração, ao nosso sentir. Na verdade, o coração é a porta e sentir, sentimos desde sempre, só não prestamos atenção.

coração como guia

A resposta exata

Tendo adentrado via coração as questões que me chegam, pude notar que uma escuta afetiva e atenciosa se formou dentro de mim. Não ouço mais para responder, ouço para aprender e, por dentro, o meu coração guia a uma formação leve de opinião. Nesse processo, encontro autenticidade e originalidade. Nenhuma resposta é forjada ou mesmo condicionada ao conforto de lá e desconforto daqui. Há uma ponte. Um equilíbrio. Digo o que sinto e sinto o que digo. Por si só, isso cria um diálogo com base no respeito e empatia.

Notei que esse processo elimina perguntas excessivas e medo.
A calma se instala e as palavras precisas são ecoadas. Precisas e não ofensivas. Preciosas e não excessivas.

Você só consegue experimentar a vida no modo interessante e não desgastante, quando abre o coração, quando entende que o coração é o guia do pensar mais inocente e puro. E esse pensar inocente e puro não é um pensar bobo, mas um pensar que permite que a inspiração seja o tempero da vida.

O coração é a residência da sabedoria

Somos seres criativos por natureza e temos uma resposta a tudo. Sabemos o que fazer diante dos desafios que nos chegam. O que esquecemos é de sentir e escutar o ritmo, a melodia interna, por isso que quase sempre as decisões acabam se tornando indecisões e reuniões que geram mais reuniões, nas quais mais insatisfações são evidenciadas do que satisfações encontradas. Quase tudo é tratado com um: “E agora?”… E não com um: “Agora podemos!”.

Temos um ritmo e uma melodia concedida pelo coração. Diante das questões mais agressivas, o coração acelera desalinhado. Na oferta de algo bom, o coração acelera com profundidade e espaços exatos de batidas. Na percepção da beleza, no contemplar, o coração simplesmente atua suave. Verificando tais movimentos e tons de batida é que temos as respostas.

O que nos desalinha, muitas vezes, pede um não amoroso, respeitoso e mesmo um não firme. O que nos dá profundidade pede um sim, vamos experimentar, e o que nos dá leveza pede apenas observação e agradecimento.

Como não entender, a partir dessa observação apaixonada do coração, que a resposta sempre, sempre está dentro de nós? Como não aprender com a sabedoria natural das batidas dos corações, nossos e alheios?


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Sobre o autor

Val Amores

Val Amores

Pedagoga, conteudista da área educacional, culinarista vegana e condutora do projeto Veganices da Val - Grupo no Facebook no qual receitas diárias são postadas, bem como reflexões sobre comportamento alimentar alinhado a uma vida mais orgânica, sustentabilidade e ecologia interna. Voluntaria na Organização Brahma Kumaris, mãe, filha. Uma alma apaixonada por nascer e por do sol, beija flores, autoconhecimento e ideias de transformação positiva do mundo!

Estou agora atuando no projeto OrganicaMente Criativa que atua com conceito de ecologia interior para o resgate do ser criativo e orgânico das pessoas para que ações sejam de fato, sustentáveis - O projeto propõe autoconhecimento, dinâmicas, vivências e expressão com arte sustentável.

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