Comportamento

O que está acontecendo (e sempre aconteceu) no Pantanal

Imagem de uma parte do pantanal com um pouco de queimada.
Ylvers / Pixabay
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando pensamos na natureza do Brasil, imediatamente somos tomados por imagens de árvores, flores, frutas e animais. Uma diversidade de cores, de texturas e de seres vivos seriam a forma mais exata de descrever a maioria dos biomas brasileiros.

Entre eles, está o Pantanal, que inclusive já foi retratado em uma novela de mesmo nome e é considerado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) um Patrimônio Natural e Mundial e Reserva da Biosfera. A diversidade de espécies vegetais e animais presentes no bioma estão presentes no Paraguai, na Bolívia, no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso.

Infelizmente, todas as belezas naturais que antes faziam parte do nosso imaginário estão sendo consumidos pelo desmatamento e pelas queimadas. Engana-se quem acredita que essa devastação é recente. As primeiras medições das queimadas no Pantanal começaram em 1998, pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, e os índices desse fenômeno são os maiores da história, em 2020.

No começo de 2020, os principais rios do Pantanal tiveram seu fluxo reduzido, o que indicava que um período de seca poderia estar se aproximando, com redução das áreas inundadas. Além disso, os índices de desmatamento e de incêndios aumentaram consideravelmente. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em 2020, mais de dois milhões de hectares do bioma já foram queimados e isso corresponde a um valor superior a 15% de toda a vegetação do local.

Em situações normais, as queimadas podem atingir o Pantanal. Por ser uma região de clima quente, quando os raios das chuvas atingem alguma vegetação seca, um incêndio pode acontecer. Porém, o que está acontecendo em 2020 não são incêndios de causa natural.

Imagem de uma queimada no Pantanal.
Skeeze / Pixabay

A proporção que a destruição tomou é obra de mãos humanas, em parceria com a seca. O que comprova isso é que as chuvas foram escassas nesse ano, então, os focos de incêndio não poderiam ser decorrentes de descargas elétricas. Porém, com as plantas secas, o fogo se alastra com mais facilidade.

O agronegócio é o principal responsável pelo desmatamento, visto que esse processo é necessário para aumentar as áreas de pasto e de plantações. Uma pesquisa elaborada pelo Instituto SOS Pantanal, em 2017, identificou que 15% da vegetação nativa do bioma havia sido convertida em pastos. Também, dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) de 2020 mostraram que 98% dos incêndios na região decorrem da ação humana.

O momento atual é oportuno para realizar esse tipo de crime, já que a imprensa está focada em disseminar atualizações sobre a pandemia do novo coronavírus, e o governo regente não tem qualquer compromisso com a manutenção da natureza original brasileira. Como não se divulga o que está acontecendo no Pantanal de forma abrangente e em tom de denúncia, há uma ideia de impunidade sobre os incêndios criminosos, que muitas vezes são acobertados pelo discurso de que as queimadas ocorrem naturalmente.

Sem as devidas leis para combater a exploração desmedida do solo e o desmatamento das florestas e sem a realização de uma fiscalização de inícios criminosos de incêndio, a vegetação nativa, os animais do Pantanal e as populações indígenas que vivem nessa parte do Brasil são prejudicados. Então, a culpa pela destruição é essencialmente das políticas de governo que não se atentam ao meio ambiente e da exploração desenfreada da natureza pelo agronegócio.

Como combater as queimadas?

Ainda que a responsabilidade sobre o controle das queimadas seja do governo federal e dos grandes nomes do agronegócio, cada pessoa pode fazer a sua parte para auxiliar o combate aos incêndios criminosos que tomam conta do território nacional.

Em primeiro lugar, é preciso votar em representantes que tenham consciência sobre a importância de preservar a vegetação nativa do Brasil. Essas pessoas devem estar comprometidas com a criação de leis para combater o desmatamento e as queimadas e precisam de uma base aliada para garantir que seus projetos entrarão em voga.

Imagem das florestas do Pantanal em processo de queimada.
Skeeze / Pixabay

Se você é uma pessoa que tem boas condições financeiras, também pode participar de vaquinhas online ou de campanhas para arrecadação de dinheiro. Assim, os institutos que estão salvando os animais que têm fugido do fogo terão mais recursos para tratá-los e devolvê-los ao meio ambiente da melhor forma possível. Há também como auxiliar famílias indígenas que estejam sofrendo com os incêndios, inclusive com ajudas financeiras.

Pensando em uma solução a longo prazo, é interessante que você considere os seus hábitos de consumo. O agronegócio é sustentado pela pecuária e pela agricultura, e, quando é praticado em grande escala, pode promover esse tipo de devastação. Consumir de pequenos produtores, apoiar a produção de orgânicos ou, quem sabe, produzir a maioria do que você consome, é uma forma de não ser conivente com o desmatamento.

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É essencial que nos atentemos ao que está acontecendo no Pantanal. Precisamos cobrar e denunciar as autoridades e os responsáveis pelo fogo para que encerrem esse ciclo de destruição que está consumindo as belezas naturais do Brasil e que estão impossibilitando a manutenção da fauna e da flora mundiais. É responsabilidade de todos nós divulgar informações confiáveis e corretas sobre o que leva aos incêndios, promovendo conhecimento sobre essa causa e conseguindo mais aliados para lutar contra a devastação. Faça sua parte!

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