Convivendo

O vírus da agonia e da alegria (E se faltar-me o ar, é na inspiração que devo buscar….)

Imagem representativa de pulmões em um corpo feminino.
milenaviracocha / 123RF
Patricia Tolezano
Escrito por Patricia Tolezano

E se faltar-me o ar, é na inspiração que devo buscar… 2020. O ano que foi um acontecimento à parte! Todo o mal que fizemos ao Universo ganhou vida – em um laboratório ou no centro da Terra – e cresceu diante de nós na forma de um vírus letal para alguns, mera gripezinha para outros, mas que conseguiu desmascarar o mundo de tal forma, que nada nem ninguém será como antes, a não ser que não tenha entendido nada do que vivemos.

A ignorância e a arrogância assolaram o mundo, que engasgado, asfixiado e trôpego, foi parar na UTI em busca de oxigênio. Para o tratamento, não houve remédio padrão. Mas sim, gestos de intenção. De ser, estar e fazer melhor.

Assim o mundo entregue ao nosso socorro fez cada qual se destacar à sua maneira. Ninguém se tornou melhor nem pior, apenas foram empurrados a assumir quem verdadeiramente são. Todos tivemos que assumir nossos atos, tomar as rédeas das nossas decisões. Nunca as escolhas foram tão cobradas e as renúncias tão percebidas! Algumas máscaras caíram e deram lugar a faces maravilhosas, enquanto outras tornaram-se moldes à feição. Preconceitos nunca foram tão visíveis, assim como mentiras e dualidades foram despidas em público. Cada um deu o que tinha!

Máscara sobre cenário azul.
Anna Shvets / Pexels

Os mais fortes arregaçaram as mangas na prestação de importantes serviços. Nunca tivemos tantos tratamentos, vacinas, tantas ajudas e criatividade a serviço do bem de todos. Os fracos, sem saber como agir, negaram, gritaram, esbravejaram, julgaram, condenaram e fizeram toda a sorte de coisas para fugir da sua inaptidão para a ação. Outros juntaram forças para seguir suas vidas e rumaram a passar pelo pingo das chuvas, mas mantendo dedos e anéis. Quanto aos mais sensíveis, literalmente, sufocaram. Alguns, terminaram suas missões e outros estão ainda a juntar os cacos das suas lições. Ah, e quantas não foram!

Foi um ano de muitos ensinamentos. Marcante em todos os sentidos. O ar, nosso “combustível” vital, tão natural que passa despercebido, fez-se notar. A certeza de que não podemos dar nada como certo nos manteve alertas. Foi um ano de nó na garganta, de distâncias apertadas e proximidades contingenciadas… e de laços, muitos laços de solidariedade, amizade e amor.

Quem conseguiu desengasgar-se do orgulho saiu mais forte. Foi um vírus da agonia. Da grande agonia que é tentar puxar o ar e não o receber. Também foi o da alegria. Da grande alegria dos encontros, do roçar dos cotovelos e antebraços e do sorrir com os olhos!

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Então, quando me perguntam o que desejo para o ano de 2021, digo, com o pleno ar que sou grata por ter em meus pulmões: Nada! Desejo nada! A única coisa que quero é viver! Viver no presente, ser presente e ter presentes a cada dia. Também quero julgar menos, amar mais. Mais e melhor! E ser melhor. Uma versão melhor de mim mesmo. E só! 2020 deixou-nos com a certeza de que o grande plano que podemos fazer para a vida é viver! E se alguma vez me faltar o meu ar, que é criar, é na inspiração que devo buscar.

E você: de onde vem o seu ar?!

Sobre o autor

Patricia Tolezano

Patricia Tolezano

Sou jornalista de formação, marketeira de opinião, analista esportiva de supetão e escritora de coração.

Se tivesse que me definir em uma única palavra, esta seria adaptação. Mas gosto mesmo é de escrever. Sou uma pessoa e escritora em construção. A partir de agora, vocês conhecerão um pouco do mundo à minha volta.

Viva sem culpa, ame sem medo. E, na dúvida, tente sempre! Para mim, isto é ser feliz.

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