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Convivência e resiliência

parkinson
Silvia Jara
Escrito por Silvia Jara

Diferentes unidos pela vida

Faz mais ou menos 3 anos que descobrimos que minha mãe estava com Parkinson. Após uma crise depressiva que a afetou intensamente e depois de vários diagnósticos desencontrados (sim, o Parkinson não possui um diagnóstico laboratorial específico) a doença foi diagnosticada.

É uma doença complexa, que apresenta vários sintomas sendo que o mais conhecido é a tremedeira. O fato é que o Parkinson acomete os movimentos e toda a musculatura, ou seja, a mobilidade. Músculos perdem a tonicidade.

Porém não estou aqui para falar das características da doença (clique aqui para conhecer mais sobre o Parkinson), mas para falar da capacidade do ser humano em superar suas próprias dificuldades e procurar saídas para seus problemas.

Na busca de tratamentos para minha mãe, fomos encaminhados pelo médico à Associação do Parkinson em São Paulo. Antes de ser um lugar de tratamentos e informação é um lugar de convivência, de vida em grupo, de atividades que fazem do paciente um cidadão, inserido num contexto real e que tem potencialidades enormes, apesar dos limites.

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Todas as semanas nos revezamos em família para acompanhar minha mãe nas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia específicas para os parkinsonianos. Confesso que no princípio, quando assumimos essa tarefa, acreditei que encontraria um ambiente de pessoas tristes, reclamando da vida, chateados. Mas o que encontro todas as vezes são pessoas bem-humoradas, rindo, conversando, respeitando-se e criando laços de amizades profundos e preocupados uns com os outros.

Una-se a isso uma equipe de atendentes e profissionais capacitados, que estão sempre ajudando, bem-humorados, estimulando os pacientes. Bingo, coral, pintura, artesanato, música, festa junina, tudo é feito para unir essas pessoas e a alegria está sempre presente.

Acompanhar minha mãe nessas sessões faz com que eu desvie um pouco do meu tempo para ela, exige o afastamento de minhas próprias atividades, mas também tem nos trazido momentos de proximidade e intimidade. Momentos em que posso conversar com ela, trocar sentimentos e redescobrir a cada dia o quanto ela é maravilhosa, o quanto está sempre disposta a me ouvir e a me ajudar. Mães, eternas!

Sei que, muitas vezes, ela se cansa de tantos tratamentos e tende a não querer continuar, mas insisto e, ao final, vale a pena! Ela sai das sessões renovada pelos exercícios, mas principalmente pela convivência com os amigos. Rosário, José, Therezinha, Isaura, Sumie, e mais uma lista enorme que resiste, insiste e vive cada dia.

Existem muitas associações para atender a pacientes de diversas doenças e só quem as conhece pode mensurar a importância que elas têm na vida dos pacientes.

Que Deus abençoe a todos aqueles que criam esses trabalhos e que levam isso adiante.

Muito obrigada.


Você também pode gostar de outro artigo desta autora. Acesse: Como o espiritismo explica as deficiências

Sobre o autor

Silvia Jara

Silvia Jara

Depois dos dois primeiros anos do Eu Sem Fronteiras, resolvemos atualizar nossas informações e isso foi um belo exercício de reflexão!
Nosso propósito sempre foi ajudar as pessoas na busca do autoconhecimento e eu, pessoalmente, não fiquei isenta disso.

Contato:
[email protected]

Em meu perfil anterior disse: “olhando para trás percebo que, em minha vida, as coisas sempre aconteceram de maneira fluida, sem muito planejamento, embora tenha verdadeira admiração pelo planejamento ‘das coisas'”. Hoje entendo que foi o foco no presente que me fez seguir o fluxo da vida em muitos momentos, sem me preocupar com o ontem ou com o amanhã. As coisas caminharam como deveriam ser.

Minha paixão pela publicidade se transformou na paixão por pessoas, comportamentos, sentimentos, atitudes e, principalmente, na capacidade e necessidade do ser humano de se comunicar, compartilhar e crescer. Minha formação acadêmica em Publicidade não mudou, mas minha formação humana tem sofrido diversas e importantes mudanças no sentido de compreender que sozinhos não chegaremos longe. Somos um sistema e como tal, precisamos uns dos outros.

Minha capacidade analítica e observadora, aplicada à Pesquisa Qualitativa de Mercado que, até então, me serviu para compreender o comportamento de consumo das pessoas e grupos, agora parece muito mais voltada a me compreender, a olhar para dentro de mim e buscar minha essência verdadeira. É praticamente impossível ficar ilesa, isolada e desconsiderar tantas informações e conteúdos com os quais lidamos no dia a dia de nossa redação.

Hoje entendo que o trabalho em áreas comerciais, marketing de empresas, agências de publicidade e a atuação em pesquisa de mercado estavam me preparando para esse mergulho no autoconhecimento. Nada é coincidência!

A curiosidade pelo mundo espiritual, pela meditação, pela metafísica, pela energia vital está se transformando em novos conhecimentos e práticas: Reiki, Apometria, Constelação Familiar, Thetahealing, PNL, EFT, Florais e tantas outras técnicas. Sigo acreditando que o questionamento, a busca de informação e a vivência me levarão a conhecer minha missão de vida, meus caminhos e minha plenitude.

Trabalhando no Eu Sem Fronteiras desde 2014, tenho aprendido muitas coisas, vivenciado outras tantas e não sei onde isso chegará! O que me importa é continuar nessa busca. É um caminho sem volta no qual o grande objetivo é aceitarmos que somos sujeitos de nossa própria vida, os únicos capazes de transformá-la.

Grande abraço e muita luz!