Dançaterapia Saúde Integral

Parkinson… um novo movimento, uma nova dança

Silvana Jara Faciole



O que você faria se o seu corpo perfeito e ágil lhe revelasse movimentos desconhecidos? Um tremor nas mãos, um tilintar dos lábios, uma flacidez dos músculos.

Difícil até de imaginar.

Passamos, muitas vezes, tempo demais atrás da escultura corporal e da perfeição da forma. Uma busca desenfreada pelo belo e pelo estético, sem contar que muitas vezes desconsideramos que não temos domínio total sobre nossa vida.

Um dia, ao olhar-se no espelho nota um movimento estranho, a boca tão perfeita dá sobressaltos, ao pegar algo observa que as mãos estão trêmulas e perdendo força. Ao andar as pernas já não obedecem como antes. O corpo não responde como de costume e parece dar um sinal de alerta: algo mudou!!!

Não parece mais a mesma pessoa… Deseja andar rápido e não pode, quer falar e as palavras entravam, ao comer engasga.

Este movimento estranho a tudo o que conhece de si mesmo o faz repensar e redefinir seus conceitos.

Muitas vezes sente dores e uma sensação de não mais se reconhecer em seu próprio templo.

E surgem as perguntas: 

Quem sou, afinal?

O que ocorre comigo?

Por que perdi o domínio sobre o meu movimento?

E o controle, e a pressa, o que faço com eles agora?

Toda esta cadeia racional envolve a transição de um corpo aparentemente saudável para um estado Parkinsoniano.

As limitações vão se instalando lentamente e desafiando o paciente a cada dia.

O primeiro “round” é o diagnóstico. Flutua entre um médico e outro por tempos sob avaliações clínicas sem fim.

As dúvidas, as incertezas causam um movimento interior avassalador. As suposições, as indagações, as dúvidas e, finalmente, a certeza impõem um movimento interior assustador.

Nesta dança todos os fatores anteriores fazem com que o corpo todo se movimente e clame por novas opções.

Internamente uma movimentação ocorre: células se readequando, mecanismos de defesa se revelando e uma sensação de impotência tomando espaço.

Na verdade, já que o movimento interno vive um momento de pressão, é necessário que algo aconteça para aliviá-lo.

Remédios, tratamentos, acompanhamento neurológico, psicológico, fonoaudiológico, amor, compreensão, tudo passa a ser de suma importância.

Porém, como superar o movimento interno desconhecido?

Dar-lhe a oportunidade de reaprender.

Uma das missões mais difíceis para o paciente é diminuir seu ritmo de vida, compreender que tudo ele pode, mas respeitando seus novos limites.

Mover-se mais cuidadosamente, observar tudo o que o cerca com cautela e reinventar-se.

Novos ritmos, novas possibilidades, novas formas de vivenciar as mesmas coisas.

Neste ponto, a Dançaterapia vem auxiliar, não o paciente de Parkinson, mas a reapropriação da nova versão de si mesmo que acaba de despertar.

O movimento estimula a reconhecer, aceitar e superar os limites.

As vivências de Dançaterapia são carregadas de estímulos sensoriais que despertam novas possibilidades de movimento, um movimento natural e não programado, que estimula a quebra das limitações pessoais, o confronto com o estigma “eu não posso mais”.

Na dançaterapia, toda a pressão interior pode ser estravasada; seja em movimentos amplos ou contidos. Do que decorre uma liberação do que oprime, uma quebra da rigidez iminente e a reapropriação de si mesmo.

A Dançaterapia desperta a criatividade e a predisposição para encontrar novas maneiras de agir e pensar.

As músicas e os estímulos conjuntamente, em seus diversos gêneros, facilitam a ampliação das descobertas pessoais e reforçam a credibilidade pessoal nas mudanças gradativas do corpo e de sua funcionalidade.

A Dançaterapia tem uma vasta aplicação, podendo ser aplicada a diversos públicos-alvo, incluindo pessoas com diferentes limitações físicas, psíquicas ou sensoriais.

Sua essência está no próprio ser humano, na sua bagagem pessoal e na transformação de suas crenças e valores através da releitura do movimento que o habita.

As vivências de Dançaterapia se tornam um suporte inestimável a emersão da autoconfiança e da crença no poder da força interior, oferece a oportunidade de transformar-se em um paciente ativo, que enfrenta sua zona de conforto para ser coadjuvante de seu próprio tratamento.

Quando mente e corpo se unem num processo de reação equilibrada, o todo se modifica e as possibilidades de sucesso e de uma sobrevida com qualidade e com satisfação pessoal se concretizam.

O homem é, e sempre será, o guia de suas próprias experiências e a forma como vê a si mesmo e a tudo que o cerca é determinante para sua felicidade.

Da mesma forma, a Dançaterapia, através do movimento, oferece às pessoas novas fontes de escolha e abre caminho para revelações pessoais antes adormecidas.

O Parkinsoniano necessita compreender tudo o que o afeta, sem perder a força de reagir aos desafios que se apresentam e a Dançaterapia está presente como terapia complementar neste processo.

Nota: visite o site da Associação Brasil Parkinson (www.parkinson.org.br) e saiba mais sobre o Parkinson e sobre as atividades de apoio aos pacientes e familiares.

 

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Sobre o autor

Silvana Jara Faciole

Silvana Jara Faciole

Silvana Jara Faciole se formou em Dançaterapia, método Maria Fux, em julho de 2011, pelo Centro Internacional Dançaterapia Maria Fux, em Goiás, GO, associado a Si. Danza Scuola Internazionale di Danzaterapia da Itália, com os mestres: Maria Fux e Pio Campo.

Como Dançaterapeuta atua em Instituições nas áreas de educação, saúde e bem
estar; assim como na Educação Especial e ações de inclusão de pessoas com síndrome de down, surdocegos, com limitações físicas e intelectuais. O Projeto Dançaterapia foi aprovado pela SECULT (Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul) nos últimos 3 anos, sendo que em 2015 está em plena atividade no município, abrangendo a terceira idade, educação especial e instituição sócio assistencial infantil.

Cursos de atualização: Seminários Intensivos Anuais no Brasil, Itália e Espanha com Pio Campo e também em 2013 participou do Seminário Internacional de Dançaterapia no “Centro Creativo de Danzaterapia” em Buenos Aires, Argentina com Maria Fux.

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