Autoconhecimento Comportamento

Perdoar é humano, não ofender-se é divino

Mulher olhando de lado sorrindo com luz do sol ao fundo
Paulo Tavarez
Escrito por Paulo Tavarez

O que, de fato, é perdoar?

Algumas pessoas dizem que já perdoaram, quando na verdade, apenas esqueceram. Elas inconscientizaram um evento, com toda a sua importância, carregado de carga afetiva e pensam que o assunto já está resolvido. Não percebem que esse conteúdo engavetado na alma segue vibrando com toda a sua intensidade e, com isso, permanece vivo e operante, interferindo nas escolhas e respostas emocionais daqueles que insistem em nutri-los. A falta de perdão alimenta distúrbios e promove desvios comportamentais, pois criamos tendências negativas que acabam consolidadas em vícios mentais.

O homem expressa de forma recorrente tudo aquilo que não perdoou. Seja por meio de reações intempestivas, de fobias injustificáveis, de angústias desconhecidas e muitas outras distonias. Tudo isso acontece em função dos combustíveis emocionais que animam eventos mal elaborados pela consciência em determinadas experiências do passado.

mulher de costas com braços para o alto e montanhas ao fundo

É claro que nos esquecemos. Afinal, o cérebro precisa processar experiências novas, mas a mente inconsciente não dá trégua. Enquanto não removermos a importância desses fatos por meio de uma ressignificação, todo os componentes de ódio, medo, raiva, revolta etc… continuarão contaminando o nosso psiquismo.

Como ressignificar os eventos traumáticos, as humilhações, as traições e uma série de contrariedades que armazenamos com tanto zelo? É simples: mudando o significado que esses acontecimentos estão tendo, pois perdoar é, única e exclusivamente, mudar o significado.

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Aquilo que te machucou poderá ser relembrado não como uma agressão, mas como um aprendizado necessário. Aquela humilhação sofrida poderá ser útil para diminuir o tamanho do seu orgulho. Portanto, foi uma ação educativa. Aquela traição serviu para o seu desenvolvimento, pois você pode compreender que não devemos criar expectativas e nem querer que o outro corresponda aos nossos anseios.

Existem inúmeras formas de olhar o passado sob um novo prisma. Basta você compreender que todos esses combustíveis emocionais tóxicos que os mantêm vivos apenas conspiram contra o seu equilíbrio. Doenças, disfunções, desequilíbrios, neuroses, enfim, todas as mazelas físicas e psíquicas resultam desses venenos.

Mulher sorrindo com olhos fechados iluminada pelo sol

Guardar rancor, revolta ou indignação é um expediente equivocado. É como tomar um copo de veneno e esperar que faça efeito no outro. Qualquer terapeuta sério e bem-intencionado irá investigar esses conteúdos para que eles sejam enfrentados com um novo olhar, pois uma nova compreensão dará um novo significado ao acontecimento.

Perdoar, como disse, é isso: mudar o significado, nada mais do que isso. Jesus nos ensinou a perdoar tudo, setenta vezes sete. Ele foi um grande psicólogo, ele conhecia a alma humana.

Com o tempo, o ato de perdoar será desnecessário, pois muito mais eficaz do que perdoar é não se ofender. Ao não ofender-se, o homem não reveste a experiência com a importância que a manterá viva, criando incômodos. Perdoar é humano, não ofender-se é divino.

Sobre o autor

Paulo Tavarez

Paulo Tavarez

Instrutor de yoga, pedagogo, escritor, palestrante, terapeuta holístico e compositor. Toda a minha vida tem sido dedicada à construção de um mundo melhor.

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