Autoconhecimento

Por que a vida tornou-se tão banal?

Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos
Daqui da Amazônia, precisamente da capital do Amazonas, lendo em jornais impressos e online, portais de notícias, redes sociais ou assistindo pela televisão sobre o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle, surgiu em minha mente o seguinte questionamento: Por que a vida tornou-se tão banal?

Essa não é uma pergunta fácil de responder. Tão pouco ela é banal. Na verdade, essa pergunta carrega muitos dos questionamentos necessários para saber como seremos no amanhã. Isso nos leva ao ponto mais importante dessa discussão: a forma como conduzimos a vida atualmente.

Verifica-se que o homem atual evoluiu muito, principalmente do ponto de vista científico e tecnológico. Coisas que há pouco tempo atrás eram impossíveis de realizar, atualmente realizamos com maior facilidade. Salvem-se as exceções econômicas, operações, cirurgias, transplantes, etc, para ficar apenas no campo da medicina, são exemplos de como evoluímos nos últimos anos.

O homem atual precisa aprender a pensar melhor sobre si mesmo, sobre suas relações e sobre os outros, desenvolvendo sempre atitudes positivas diante da vida
Também do ponto de vista biológico, conforme amadurecemos, o nosso corpo muda. Com o passar dos anos, vamos ganhando massa corporal comendo uma pizza inteira ou apenas uma fatia. No entanto, para a neurociência, a ciência que estuda o cérebro e suas conexões, as mudanças mais significativas ocorrem no cérebro.

Segundo estudos, o cérebro comanda todas as atividades do nosso corpo. Daí a importância da educação da mente.

Mas você deve estar aí se perguntando: “Se mudamos tanto, do ponto de vista científico, tecnológico e biológico, por que continuamos tendo os mesmos comportamentos de mil anos atrás?”. Obviamente que a vida não se limita apenas à materialidade dos fatos, ao dado material. No entanto eles influenciam na derrubada de teorias sobre o comportamento humano.

A vida é um complexo biológico, cultural, social, econômico, comportamental e espiritual. A forma como encaramos esses componentes, de certa maneira, determina a nossa relação com os outros. Quem conseguir equacionar essas dimensões será capaz de perceber a importância da vida humana em toda a sua complexidade.

Por outro lado, para que isso aconteça de fato, é fundamental que todas as instituições colaborem. Que as diferenças econômicas, sociais, de trabalho e direitos diminuam entre os seres humanos, principalmente no Brasil, na América Latina e em alguns países da África e da Ásia. Se tudo isso não for colocado em prática, infelizmente, muitas Marielles ainda vão morrer, para mostrar a nossa condição de animal primitivo.

Enfim, a pergunta inicial “por que a vida tornou-se tão banal?” continua provocando novos questionamentos. Mais uma coisa é certa: a vida tornou-se banal porque o mundo é banal, os governos são banais, as relações são banais, as pessoas são banais. Somente num país onde as instituições são banais acontece um assassinato como aconteceu com Marielle. O pior de tudo é que a polícia não consegue dar uma explicação plausível para a família e para a sociedade. Vai entender!


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Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).