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Quando o lixo é oportunidade

Bolsa e mochila feitas de embalagem de suco tang
Silvia Jara
Escrito por Silvia Jara

Reduzir a produção de lixo é uma responsabilidade de todos!

Temos gerado toneladas e mais toneladas de lixo e isso tem se tornado um problemão não só para a administração pública, mas também para as empresas e para toda a população. Os impactos criados pelo consumo dos produtos e os seus resíduos são de responsabilidade de todos: empresa, governo e do cidadão!

E será que existe uma forma de reverter essa situação? É possível transformar problema em oportunidade?

No último sábado, participamos da1ª Virada Pedagógica em São Paulo, tivemos a oportunidade de conhecer e entrevistar a Mariane, Gerente de Operações da empresa TerraCycle, uma empresa focada na logística reversa e reciclagem de resíduos de difícil reciclabilidade:

“Oi, Mariane! Então, vamos lá, conte para a gente um pouco sobre a TerraCycle.”

“A TerraCycle é uma empresa norte-americana fundada em 2001 pelo húngaro Tom Szaky, quando era apenas um estudante da Universidade de Princeton, na missão de eliminar a ideia de lixo. Com 19 anos, ele iniciou um projeto de transformar resíduos orgânicos (restos de alimentos) em fertilizante a partir do esterco de minhoca. O líquido de qualidade resultante era embalado em garrafas PET usadas e vendido como fertilizante de jardins (grande mercado no Canadá e Estados Unidos). Muitas dessas garrafas eram recolhidas voluntariamente pelas famosas “Bottle Brigade” (“Brigadas de Garrafas”), onde as pessoas trocavam o resíduo por uma contrapartida financeira. Em 2007, a empresa já comercializava 9 produtos diferentes, tais como: versões concentradas, mistura para sementes, mix para plantas, entre outros. Em agosto de 2007, a popularidade das brigadas resultou no Programa de Sucos de Saquinhos, com o objetivo de pagar escolas para coletar os saquinhos. A partir daí, a empresa começou a fabricar diversos produtos, como: sacolas, bolsas e mochilas, utilizando materiais que iriam para o lixo. Como consequência do crescimento dos programas, nasceu a ideia do resíduo patrocinado, isto é, a TerraCycle oferece para os fabricantes de produtos programas em que os consumidores que coletam as embalagens não recicláveis recebem incentivo financeiro e, ao final, esses resíduos serão posteriormente transformados em produtos ecologicamente corretos. Em 2009, a TerraCycle abriu sua primeira filial na América Latina, com uma subsidiária no Brasil.

No cotidiano das pessoas, em suas casas, existem produtos e embalagens feitas por diversos materiais que ao serem descartados não encontram reciclagem disponível na cadeia tradicional de gestão dos resíduos dos municípios. Na grande maioria dos municípios brasileiros, até mesmo em cidades do estado de São Paulo, não há coleta seletiva e os resíduos são destinados para aterros sanitários e, nos piores casos, para lixões. Naquelas cidades com coleta seletiva, quando esses resíduos chegam nas cooperativas, não são separados por não terem valor comercial, invariavelmente acabam em aterros sanitários.

Diante desse cenário, a TerraCycle Brasil desenvolve Programas Nacionais de Coleta e Reciclagem para esses resíduos de difícil reciclabilidade, a fim de processá-los e reintroduzi-los na cadeia produtiva, dando uma segunda vida a esses materiais.

Atualmente, temos 7 Programas Nacionais de diversas indústrias, como: Descarte e Reciclagem de Embalagens Grupo L’Occitane, Reciclagem de Cosméticos Avon®, Reciclagem de Cápsulas de Café Melitta®Reciclagem de Embalagens de Fraldas e Absorventes (Pampers & Always), Reciclagem de Esponjas Scotch-Brite® (3M), Reciclagem de Instrumentos de Escrita Faber-Castell® e o Programa Reciclo das marcas L’Or, Pilão e Pelé Graníssimo (JDE). Por meio desses programas, o Brasil se tornou o único país do mundo que recicla esponjas de uso doméstico – patrocinado pela Scotch-Brite – e aceita de qualquer marca.

Outro ponto importante é reconhecer o valor da participação dos consumidores nesses programas. O consumidor tem um papel essencial e atua como protagonista ao engajar as pessoas de seus círculos sociais na coleta das embalagens e produtos pós-consumo. Para viabilizar, a TerraCycle faz campanhas e concursos que estimulam os times de coleta (residências, condomínios, academia, escolas, ONGs, cooperativas, escritórios e empresas) a participarem dos programas disponíveis. Os consumidores acondicionam as embalagens em caixas de papelão (incentivamos o reuso) e, ao atingir o volume mínimo para envio, entram no site da TerraCycle, imprimem a etiqueta pré-paga (gratuito) e despacham de qualquer agência dos Correios no Brasil. A TerraCycle recebe as caixas em nosso armazém e credita pontos que serão convertidos em doações financeiras (R$0,02 por unidade de resíduo) para instituições sem fins lucrativos e/ou escolas públicas da escolha do participante. Dessa forma, além de se preocupar com o meio ambiente, a TerraCycle visa também o desenvolvimento socioeconômico por meio da geração de renda e da construção social.” 

“Vocês escolhem os produtos que podem participar desses projetos a partir do quê? Quais os critérios para oferecer esse programa?”

“A TerraCycle trabalha com resíduos complexos e, dentro dessa categoria, qualquer produto e/ou embalagem pós-consumo poderá ser coletado nos programas. Quem decidirá os resíduos que serão aceitos em cada programa é a própria marca. Ela tem a liberdade de escolher se os consumidores poderão enviar somente resíduos de suas marcas ou de qualquer marca, se posicionando assim como líder da categoria. Para a TerraCycle, a questão da reciclagem é uma questão econômica e não técnica. Hoje é possível reciclar quase tudo. O que decidirá se um resíduo será considerado dentro da categoria de recicláveis é se o custo da logística reversa + o custo da reciclagem for menor do que o valor da matéria-prima final desse processo.

Então, oferecemos às empresas a possibilidade de uma solução economicamente viável ao gerar valor para a sua marca. Após o engajamento dos consumidores e da reciclagem trabalhamos na comunicação e divulgação daquele programa por meio de diversas estratégias, tais como: imagem institucional, aproximação do consumidor-marca, ativações no varejo, campanhas de marketing, relações públicas, posicionamento de sustentabilidade, etc. Além disso, as marcas patrocinadoras têm o benefício de apresentar o programa como ferramenta para atender as obrigações descritas na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10), que estabelece a implementação de sistemas de logística reversa para resíduos pós-consumo e a corresponsabilidade de todos os atores da cadeia, desde o fabricante até o consumidor final, na destinação ambientalmente adequada desses resíduos.”

“Essa questão da marca enxergar a questão da reciclagem de forma mais macro, de toda a cadeia produtiva, é algo fácil? Vocês têm conseguido isso? As empresas buscam o trabalho de vocês ou ainda têm que vender o conceito da Terracycle?”

Antigamente, as empresas enxergavam mais como uma questão apenas de marketing. Hoje em dia, elas têm buscado soluções de reciclagem devido à demanda do governo referente à Política Nacional de Resíduos Sólidos. No entanto as marcas descobrem que o programa da TerraCycle de oferecer esse serviço de comunicação é um bônus. Quando você procura empresas que cuidam de reciclagem, elas só realizam o processamento em si, não oferecem o engajamento do consumidor, não tem a parte da comunicação. Sendo assim, o nosso ponto de contato dentro das empresas, normalmente, é a área de marketing e de sustentabilidade.”

O que pude perceber é que Mariane fala com amor e muito envolvimento sobre aquilo que faz e sobre o papel da empresa na preservação ambiental. Denota que ela, assim como a equipe, tem nesse trabalho um propósito de vida. Não é apenas uma empresa que gera negócios, é uma atividade que atua de forma compassiva, buscando preservar o nosso bem maior, a nossa mãe Gaia!

Sobre o autor

Silvia Jara

Silvia Jara

Depois dos dois primeiros anos do Eu Sem Fronteiras, resolvemos atualizar nossas informações e isso foi um belo exercício de reflexão!
Nosso propósito sempre foi ajudar as pessoas na busca do autoconhecimento e eu, pessoalmente, não fiquei isenta disso.

Contato:
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Em meu perfil anterior disse: “olhando para trás percebo que, em minha vida, as coisas sempre aconteceram de maneira fluida, sem muito planejamento, embora tenha verdadeira admiração pelo planejamento ‘das coisas'”. Hoje entendo que foi o foco no presente que me fez seguir o fluxo da vida em muitos momentos, sem me preocupar com o ontem ou com o amanhã. As coisas caminharam como deveriam ser.

Minha paixão pela publicidade se transformou na paixão por pessoas, comportamentos, sentimentos, atitudes e, principalmente, na capacidade e necessidade do ser humano de se comunicar, compartilhar e crescer. Minha formação acadêmica em Publicidade não mudou, mas minha formação humana tem sofrido diversas e importantes mudanças no sentido de compreender que sozinhos não chegaremos longe. Somos um sistema e como tal, precisamos uns dos outros.

Minha capacidade analítica e observadora, aplicada à Pesquisa Qualitativa de Mercado que, até então, me serviu para compreender o comportamento de consumo das pessoas e grupos, agora parece muito mais voltada a me compreender, a olhar para dentro de mim e buscar minha essência verdadeira. É praticamente impossível ficar ilesa, isolada e desconsiderar tantas informações e conteúdos com os quais lidamos no dia a dia de nossa redação.

Hoje entendo que o trabalho em áreas comerciais, marketing de empresas, agências de publicidade e a atuação em pesquisa de mercado estavam me preparando para esse mergulho no autoconhecimento. Nada é coincidência!

A curiosidade pelo mundo espiritual, pela meditação, pela metafísica, pela energia vital está se transformando em novos conhecimentos e práticas: Reiki, Apometria, Constelação Familiar, Thetahealing, PNL, EFT, Florais e tantas outras técnicas. Sigo acreditando que o questionamento, a busca de informação e a vivência me levarão a conhecer minha missão de vida, meus caminhos e minha plenitude.

Trabalhando no Eu Sem Fronteiras desde 2014, tenho aprendido muitas coisas, vivenciado outras tantas e não sei onde isso chegará! O que me importa é continuar nessa busca. É um caminho sem volta no qual o grande objetivo é aceitarmos que somos sujeitos de nossa própria vida, os únicos capazes de transformá-la.

Grande abraço e muita luz!