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Quando salvar alguém pode te afogar junto

Imagem de três homens usando terno e camisa azul. Cada um segura um cartaz com um emoji diferente, trazendo o simbolismo de cada emoção sentida por eles.
Bulat Silvia / Getty Images / Canva
Escrito por Giselli Duarte

Aprender a ajudar sem se perder é um ato de maturidade emocional. Empatia não é carregar o outro, mas reconhecer quando a ajuda vira peso. Ao colocar limites, você protege sua energia e permite que o outro enfrente a própria trajetória com responsabilidade.

Tem muita gente por aí que acha que empatia significa carregar os problemas dos outros nas costas. Que ser boa pessoa é sinônimo de estar disponível para todo mundo, a qualquer hora, de qualquer jeito. Atender ligações no meio da madrugada, cancelar compromissos, adiar necessidades próprias. Sempre ali, pronta para estender a mão.

O problema é que, com o tempo, algumas dessas pessoas percebem que nem todo mundo quer aquela mão para levantar. Alguns querem a mão apenas para se segurar enquanto continuam sentados no mesmo lugar.

Tem diferença entre ajudar alguém que está passando por um momento difícil e se tornar parte do sistema que mantém essa pessoa exatamente onde ela está. No começo, ninguém vê isso. A gente vê alguém sofrendo e quer aliviar aquela dor. É instintivo, é humano. Mas, após meses, às vezes anos, quem ajuda olha em volta e percebe que a vida daquela pessoa não mudou nada. E a dela, sim. Para piorar.

Porque enquanto alguém está ocupado resolvendo os problemas de outro, os próprios problemas vão se acumulando. Aquele projeto fica para depois. O curso também. As conversas necessárias, os limites que deveriam ter sido colocados, tudo vai ficando de lado. A pessoa vira especialista na vida do outro e esquece de cuidar da própria.

E aí vem a parte mais delicada: entender por que aquela pessoa estava na situação em que estava. Não se trata de julgar, de achar que as pessoas merecem seus problemas ou que dificuldades são sempre fruto de escolhas ruins. Nada disso. Mas existe uma diferença entre atravessar uma crise e viver permanentemente em modo crise.

Tem gente que aprendeu a habitar o caos. Que construiu sua identidade em torno do sofrimento, da falta, da sensação constante de estar sempre à beira do abismo. E quando aparece alguém com boa vontade, ombro amigo e disposição de ajudar, essa pessoa se torna parte do cenário. Mais um personagem no mesmo drama que se repete sem fim.

O que muita gente leva anos para entender é que ajudar de verdade às vezes significa não ajudar do jeito que a outra pessoa pede. Significa perceber quando aquela presença está facilitando que alguém continue fugindo das próprias responsabilidades. Significa olhar para aquela situação e se perguntar: estou contribuindo para que essa pessoa saia daqui ou estou sendo o colchão que amortece as quedas e torna suportável ficar caindo?

Não é fácil fazer esse tipo de pergunta. Mexe com a autoimagem, com a necessidade de ser querido, de ser visto como boa pessoa. Mas é necessário. Porque, se a pergunta não for feita, a pessoa acorda um dia e percebe que está tão atolada quanto quem tentou salvar. Que suas energias acabaram. Que sua paciência virou ressentimento. Que perdeu pedaços importantes de si mesma no processo.

Imagem de uma mulher com uma das mãos no rosto e a outra em sinal de stop, simbolizando o conceito de limite emocional e cuidado com si mesma.
Karola G / Pexels / Canva

Dá para desejar o bem de alguém sem se colocar como ponte humana para que essa pessoa atravesse suas próprias dificuldades. Existe amor em dizer “não posso fazer isso por você”, “preciso cuidar de mim agora”, “torço por você, mas não da forma que está pedindo”.

É dolorido. Principalmente quando a pessoa do outro lado acusa de egoísmo, de falta de coração, de abandono. Mas aí vem a lembrança: ajuda que destrói quem ajuda não é ajuda. É sacrifício sem propósito. É trocar um naufrágio individual por um naufrágio coletivo.

Quem aprende isso descobre que pode estender a mão sem precisar pular no buraco junto. Que pode sentir compaixão sem se anular. Que pode torcer pelo crescimento de alguém sem precisar fazer o trabalho que só essa pessoa pode fazer por si mesma.

E sabe o que muda quando esse aprendizado acontece? As ajudas ficam mais efetivas. Porque quando você não está afundando junto, consegue ver o quadro todo com mais clareza. Consegue oferecer o que a pessoa precisa, não apenas o que ela quer naquele momento de desespero.

Salvar a si mesmo é sobrevivência. É sabedoria. É entender que ninguém pode dar o que não tem.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela busca por novos aprendizados.
Minha trajetória percorreu diferentes áreas, desde a carreira corporativa até experiências pouco convencionais, como um curso de DJ. Essa diversidade ampliou minhas perspectivas e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, comecei a trabalhar aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei e participei de projetos diversos, sempre unindo consistência e visão estratégica.

Atuei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes setores, incluindo engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios, conciliando o empreendedorismo com projetos fixos. Essa experiência trouxe visão prática sobre diferentes modelos de negócios e a capacidade de orientar profissionais em diversos momentos da carreira.

A experiência com o burnout transformou a forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. Encontrei no Yoga e na Meditação o caminho de reconexão, o que me levou à formação em Hatha Yoga e à especialização em terapias naturais.

Compartilho esse conhecimento como colunista nos portais O Segredo e Eu Sem Fronteiras e como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde também atuo como podcaster, oferecendo práticas que ajudam a cultivar presença e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, registrando reflexões e vivências que me conduziram a um olhar mais consciente sobre a vida.

Sou graduada em Marketing, pós-graduada no MBA em Gestão Estratégica de Negócios, com especializações em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing, Inteligência Emocional, Psicanálise e outras.

Concluí também a Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação, ampliando minha visão sobre o bem-estar em todas as fases da vida.

Hoje, à frente da Terapeutas Digitais, auxilio profissionais da área terapêutica a fortalecerem suas marcas e a se posicionarem no digital de forma consciente e coerente com seus valores. Atuo como mentora de negócios, incentivando e conduzindo profissionais no caminho do empreendedorismo ao longo da minha trajetória. Atualmente, também sou mentora da RME – Rede Mulher Empreendedora, ampliando esse propósito.

Acredito que negócios alinhados com quem somos têm mais impacto e significado. É assim que escolho atuar e é esse o caminho que sigo construindo.

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Meditação para quem não sabe meditar

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