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Refutando o argumento da onipotência

Mulher sentada sobre grama. Ela está segurando uma bíblia.
Maksym Chornii / 123RF

Introdução:

O paradoxo da onipotência é um argumento que tenta contestar o atributo divino da onipotência divina, esse argumento possivelmente foi abordado na Idade Média por São Tomás de Aquino.

O filósofo J. L Cowan acredita que esse argumento é suficiente para rejeitar a possibilidade da existência de uma divindade. Por outro lado, São Tomás de Aquino afirmava que esse argumento se baseava numa má interpretação sobre a onipotência.

Sobre o argumento:

Deus pode fazer uma pedra que Ele não possa levantar?

O argumento se limita a duas óticas:

  1. Não. Então Ele não é onipotente, pois é um ser limitado (de construir ou fazer a pedra);
  2. Sim. Então Ele não seria um ser onipotente, pois teria essa limitação (Ele não consegue levantar a pedra).

O argumento possui algumas falhas, dentre elas a falta de compreensão sobre o que é a onipotência divina.

O que seria a onipotência divina? Deus pode fazer tudo?

Sob céu azul, nuvens e raios solares.
Brett Sayles / Pexels

Quando afirmamos que Deus é onipotente, damos ênfase que Ele é um ser poderoso e pode realizar tudo conforme sua vontade, mas alguns críticos possuem problemas em entender isso, por exemplo:

Deus não pode mentir e se arrepender (Número 23.19), caso isso acontecesse, seria algo incoerente e ilógico, podemos entender nessa perspectiva que Deus não pode agir de forma contraditória.

Por exemplo:

Vamos supor que existam três aspectos que sejam a base da onipotência, que seriam:

Limitações naturais (mentir, roubar, pecar, arrepender-se);

outro aspecto seriam as limitações autoimpostas (quebrar alguma promessa) e a ultima seriam limitações por coerência (fazer um triângulo quadrado ou um solteirão casado).

Assim, como Aquino falaria: “Deus é chamado onipotente porque pode absolutamente todo o possível”.

Terço posto sobre bíblia sagrada.
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Respondendo o argumento:

Devemos pensar da seguinte maneira: a pedra pode ou não pode ser criada. Para que ela seja criada, ela não pode ser incoerente, ou seja, o problema desse objeto existir está no próprio objeto.

Assim, a criação de determinado objeto é incoerente ou impossível pelo mesmo e não pela onipotência divina.

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Podemos resumir a falha do argumento da seguinte forma:

  1. Deus é onipotente, ou seja, Ele pode levantar ou criar qualquer objeto (possível e lógico);
  2. A pedra não pode ser levantada por um ser onipotente (ela é incoerente, ou seja, ilógica);
  3. Porém um ser onipotente pode levantar ou criar qualquer coisa;
  4. Portanto uma pedra que não pode ser levantada ou criada por um ser onipotente não pode existir devido à sua incoerência.

Conclusão:

O argumento falha, como expressou São Tomás, devido à péssima interpretação sobre onipotência, no momento que uma pedra ou qualquer objeto não possa existir, o problema não é o ser em questão, pelo fato de que Deus pode todas as coisas lógicas e possíveis.

Dessa forma, o argumento não oferece perigo à onipotência divina, pela tentativa fraca do truque em questão. A limitação se deve ao objeto e não ao ser onipotente.

Sobre o autor

Jonathan Gomes de Brito

Jonathan Gomes de Brito

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