Relacionamentos

Relações Conscientes

Casal abraçado sorrindo em fundo de árvores
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Alline Neto
Escrito por Alline Neto

A qualidade dos relacionamentos no passado não tinha tanta importância como tem hoje. Se formos analisar de perto, os casais permaneciam mais tempo juntos, mas isso não quer dizer que eram felizes juntos, até acho que a felicidade não importava tanto ou não era algo para se encontrar dentro de um casamento, o que importava eram os acordos, as aparências, dinâmicas em que a mulher era submissa e dependente e acabava por se contentar com a vida que tinha.

Uma das teorias de hoje é a de que as pessoas se tornaram frias e não amam mais, que os casais não se suportam, que existe uma baixa tolerância ou que estão distantes de Deus e que as relações de antigamente eram mais sólidas.

Casal de frente um para o outro sorrindo entre árvore com flores azuis
Helena Lopes / Pexels

Eu já vejo de outra forma, estamos passando por uma fase de transição nos relacionamentos baseados na conveniência, nos padrões e nas necessidades para relacionamentos que têm outra dinâmica, que sejam pelo menos funcionais. É claro que existe uma romantização, uma idealização que vem também junto com o pacote de mudanças, tem o mundo da internet, que maquia a vida a dois por meio das redes sociais, e exposição de vida e casais “perfeitos”, mas que isso tudo vai também cair por terra em poucos anos.

As pessoas sofrem porque ainda buscam alguém que as salve do seu vazio, do seu drama, da sua solidão e da sua incapacidade de cuidar de si mesmo, e aqui não estou para julgar ninguém, mesmo porque todo caminho é parte do processo individual de cada um, e mais cedo ou mais tarde a pessoa vai se deparar com esse vazio, e quando ele aparecer dê graças a Deus, esse é o chamado para o Despertar.

O quanto mais cedo conseguirmos ter essa visão, menor será o sofrimento. Diante dos inúmeros conflitos que surgem numa relação afetiva convém utilizar essa oportunidade para extrair recursos internos que nós temos, isso nos mantém vivos e capazes de nos restabelecer perante as dificuldades.

Normalmente nos relacionamos com pessoas que têm a peça do quebra-cabeça que nos falta, é claro que há relações em que os pares se parecem, e portanto o desafio pode ser lidar com a mesmice ou com o uso dessas semelhanças para avançar nos projetos pessoais e nos projetos de casal, mas como minha experiência é outra vou falar daquela em que tenho propriedade.

Tenho um caráter calmo, dócil e raramente dizia “não”, sempre com um sorriso no rosto para encarar até os momentos difíceis. Me relacionei com um parceiro que era o oposto de mim, impaciente, nervoso, raivoso…

Isso não foi por acaso, eu escolhi inconscientemente uma pessoa que me desse aquilo que eu me neguei. Eu reprimi minha raiva, minha agressividade e meu descontentamento para ser aceita e ganhar amor, atitudes que podem ter sido criadas na infância.

Foram necessários anos nesse relacionamento para eu entender que minha calma, minha tolerância, minha complacência precisavam sair de cena, pelo menos por um período, e dar lugar à expressão de sentimentos reprimidos, e não estou me referindo a não ser Eu, mas sim a equilibrar dentro de mim sentimentos que compõem o meu ser.

Casal sorrindo com homem com mão na nuca de mulher e sol ao fundo refletindo levemente
Edward Eyer / Pexels

Eu utilizei o relacionamento para meu crescimento, consegui extrair a raiva e até mesmo a ira em vários momentos, e o mais importante não me culpar por isso; mesmo quando certas atitudes parecessem equivocadas, isso fazia parte do meu processo.

Para entender o que se passa em toda essa dinâmica interna e externa, esteja presente e Consciente, caso contrário poderá ser arrastado pelos sentimentos por anos e anos e culpar o outro por um trabalho que é exclusivamente seu.

Estar Consciente diante dos conflitos vai nos tirar da zona aparente de segurança, em que tendemos a ser inconscientes dos nossos padrões habituais, da nossa sombra. Quando digo estar Consciente, implica principalmente no desenvolvimento da capacidade de olhar para si, e não apenas para o defeito do outro, olhar para mim durante uma briga, por exemplo. É fácil culpar o outro e a relação, mas o difícil é ver como somos, na verdade criamos todos os problemas que existem a nosso redor, ainda que seja a maneira de reagir a eles.

Mãos unidas vistas de perto
Pixabay / Pexels

Outro ponto a ser observado.

Ninguém é capaz de fazer o outro feliz

Quando digo “Encontrei a pessoa que me faz feliz”, estou dizendo

“Essa pessoa é a pessoa que pode, por mim, satisfazer minhas necessidades e desejos, e que pode, por mim, fazer aquilo que não posso fazer, porque não estou suficientemente maduro.

“O caminho é a meta”

Primeiro passo

O caminho para relações conscientes é primeiro entender que preciso me relacionar comigo mesmo, com meu coração, com meu vazio, com minhas carências.

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Segundo, entender que ninguém vai preencher esse vazio, essa carência, e ninguém vai me salvar, pois o apoio nasce no interior do meu ser, que sente, sofre, se ama, se fortalece, se levanta, se transforma.

Aqui há algumas perguntas que podemos fazer a nós mesmos para saber se queremos realmente iniciar uma relação consciente:

– Quero me apaixonar e estar com alguém especial?

– Procuro uma relação porque me sinto incomodado de viver sozinho?

– Creio que alguém pode me fazer feliz?

– Creio que se pode ganhar a felicidade por meio de uma relação?

– Quero me casar porque os meus amigos estão casados ou porque a minha família pensa que já é tempo disso?

– Quero me casar porque não quero terminar sozinho quando for velho?

– Sinto que preciso ter os meus filhos, porque isso vai me completar de alguma forma?

Se respondermos que sim a qualquer uma dessas perguntas, temos trabalho para fazer antes de estarmos preparados para uma relação consciente e íntima com outro ser humano.

Sobre o autor

Alline Neto

Alline Neto

Meu nome é Alline, sou formada em turismo, e atualmente estudo terapia transpessoal. O termo transpessoal é outra forma de se referir ao “espiritual", porém não se baseia em crenças religiosas, credos ou no seguimento de personalidades supostamente iluminadas. É uma viagem profunda de autoconhecimento e expansão da consciência, levando em conta o ser humano na sua totalidade, mente, corpo e espírito.

É um curso que vem abrindo caminhos internos, antes desconhecidos. Estou trabalhando primeiramente em mim com toda a dedicação, seriedade e profundidade que o curso exige para que eu possa com conhecimento e amorosidade acompanhar pessoas nesta jornada que se chama vida.

A cura está dentro de nós, e o caminho para se chegar a essa cura é o amor, amor consciente, amor que brota da essência do ser. Para despertar esse amor muitas vezes adormecido, precisamos abrir espaço de consciência para que nasça um novo eu. Encontro-me agora num ponto fascinante, traçando minha história, me redescobrindo com muita consciência e leveza, experimentando uma sensação ou missão maravilhosa de partilhar e aprender.

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