Convivendo Relacionamentos

Você acredita no amor ideal?

Silhueta das mãos de duas pessoas entrelaçadas enquanto caminham.
Silvia Malamud
Escrito por Silvia Malamud


Num tempo em que questões sobre abuso emocional imperam como se fossem vírus capazes de a cada dia contaminarem novas vítimas, a vacina e antídoto mais eficiente passa a ser o conhecimento sobre o tema, o autoconhecimento e quando necessário uma boa terapia.

Todos nós irremediavelmente interpretamos o amor ideal como se alguém no mundo tivesse nascido exclusivamente para nós.
 A ideia inventada é que somente quando encontramos o tal amor verdadeiro é que podemos ser felizes para sempre, exatamente como ocorre nos contos de fadas. Por causa desse tal amor ideal, a maioria de nós tende a olhar para o outro como se este não tivesse falha alguma ou por outro lado vê infinitas falhas, exatamente porque o amor idealizado nunca de fato chega a existir no mundo da matéria. Muitos de nós, para não dizer a maioria, acreditam cegamente nas variáveis dessa crença romântica.

Somos tão e há tanto tempo bombardeados por esse conceito inventado, que é quase impossível encontrar alguém descontaminando desse padrão. Por outro lado, hoje mais do que nunca, existem pessoas imunes, que despertaram dessa trama aprisionante em que invariavelmente um acaba se submetendo ao outro porque um fica sendo o amor ideal, e o outro não.

Na nossa era, em que o narcisismo impera, muitos ainda caem no conto desse amor ideal, na exuberante cilada da falta de discernimento em que acham que inclusive os relacionamentos afetivos podem fazer parte de cenários espetaculares a serem admirados. Nessa busca desenfreada pelo máximo do momento, o risco de se entrar em relacionamentos abusivos é enorme.

Embora a maioria insista em acreditar que sim, as evidências da vida nos mostram ininterruptamente que a nossa verdadeira felicidade não está e nunca poderá estar nas mãos de ninguém. O amor ideal, portanto, é uma invenção e uma convenção social que pode ser questionada e reinventada de acordo com a individualidade de cada um.

Numa pesquisa histórica podemos observar que a forma de amor que temos hoje é bastante distinta de tudo o que já existiu. Observando algumas tribos indígenas, por exemplo, claramente podemos notar que os laços afetivos que unem os indivíduos variam de modo estonteante, dependendo da tribo e da época em que se encontram.

Pode parecer impossível pensar no amor de modo diferente do usual romântico de se viver feliz para sempre porque vemos o nosso modelo afetivo como algo imutável e quase sagrado, mas ainda assim estamos mergulhados na construção de uma época. A boa notícia é que pouco a pouco pessoas e mais pessoas estão despertando e se libertando dessa ditadura sobre o amor ideal que faz parceiros aceitarem tudo em nome desse suposto romantismo. Estamos em pleno século 21 e muitos ao nosso redor dão indícios de tratar o amor de modo bastante diferente do que aprenderam.

Amar não é nem precisa ser igual para todos.

Silhueta de pessoa na praia sendo levantada por vários balões entrelaçados, formando um coração

Na ideologia do amor, a lei é que é impossível ser feliz sozinho. Sem uma parceria afetiva, a vida estaria fadada ao fracasso. Em nossa atualidade, porém podemos ousar pensar de modo diferente, temos espaço e liberdade para nos experimentarmos muito além das referências aprendidas.

Vemos direto pelas mídias que ter um relacionamento afetivo não é exemplo de felicidade. Ninguém garante isso e o que mais recebo em meu consultório são pessoas vítimas de abusadores que apesar de todo o mal-estar sofrido ainda acreditam que relacionamentos terríveis dessa ordem podem magicamente se transformar em relacionamentos ideais.

Um grande engano que adoece quem antes não era adoecido. Estar com alguém definitivamente não é garantia de felicidade. Todos nós sabemos disso, mas insistimos em acreditar que namorando ou casando resolveremos a nossa vida, mas a vida insiste em nos mostrar que isso não é real.

Vemos pessoas e mais pessoas que aparentemente estão em namoros ou casamentos supostamente ideais e mesmo assim não se sentem plenas ou felizes, e não são poucos os que entram em crise e literalmente perdem o sentido da vida.

A lição mais contundente de todo este cenário é que as nossas questões emocionais e existenciais não se resolvem com o uso de “muletas” externas e que a viagem da transformação interior sempre começa dentro e não fora.

Na era do narcisismo toda sorte de dor e de desespero é lançada quando se tenta além do espetáculo tapar o vazio da falta de consistência e de amor-próprio com a promessa da felicidade no amor idealizado. A invenção de que o amor ideal as fará se sentirem inteiras pouco mais à frente trará toda sorte de infelicidade, porque na verdade ninguém tem o poder de preencher o outro em sua identidade e destino.

silhueta de duas pessoas caminhando na praia, de mãos dadas, no pôr do sol

Caminhar junto, ora unindo interesses, ora exercendo a liberdade de ser de existir na própria individualidade revigora, faz crescer e traz autoconhecimento indispensável para a eterna construção de si mesmo.

Quanto mais desperto, melhor!

Silvia Malamud


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Sobre o autor

Silvia Malamud

Silvia Malamud

- Psicologa
- Especialista em temas relacionados ao Abuso Emociona com narcisistas perversos em relacionamentos afetivos, familiares, mãe/pai filhos, escolares, sociais e de trabalho.
– Especialista em Terapia Individual, Casal e Família /Sedes
- Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
- Terapeuta Certificada em Brainspotting - David Grand/ EUA
- Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.

EMDR e Brainspotting são terapias de reprocessamento cerebral que visam libertar a pessoa do mal estar causado devido à experiências difíceis de vida, vícios, traumas, depressões, lutos e tudo o mais que é perturbador e que seja uma questão para que a pessoa queria mudar. Este processo terapêutico, por alterar ondas cerebrais viciadas num mesmo tipo de funcionamento, abre espaço para que a vida mude como um todo, de modo muito melhor, surpreendente e inimaginável anteriormente.

Mais sobre Silvia Malamud: Além de psicóloga Clínica, é também formada em Artes plásticas- Terapia Breve - Terapia de Casais e Família pelo Sedes Sapientiai. Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e em Brainspotting David Grand/EUA. Desenvolveu-se em estudos e práticas em Xamanismo, Física Quântica, Bodymirror. Participou e se desenvolveu em metodologias de acesso direto ao inconsciente, Hipnose, Mindskape, Breakthrough e outras. Desenvolveu trabalho como psicóloga Assistente no Iasmpe, Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, com pesquisa sobre o ambiente emocional de residentes durante o período de suas residências, de 2009 até 2013. Participou do grupo de atendimentos de casais do NAPC de 2007 à 2008. Autora dos Livros "Projeto Secreto Universos", uma visão que vai além da realidade comum e Sequestradores de Almas, sobre abuso emocional que podemos estar vivendo, sem ao menos saber, sobre como despertar e como se proteger.

· Conhecimento terapêutico: Cenários e imagens: Já presenciei diversos pacientes fazerem "viagens" às vidas anteriores, paralelas, sonhos e mesmo se reinventarem em cenas reais ocorridas ou não. Vi-os saindo do túnel do reprocessamento, totalmente mudados e transformados, inclusive em suas linhas de tempo. Para mim, fica uma pergunta de física quântica... O que acontece com a rede de memória da pessoa se a matriz do acontecimento muda totalmente não o afetando mais? A linha do tempo e todos os significados emocionais transformam-se simultaneamente. Todos os eventos difíceis que a pessoa teve em relação ao tema ao longo da vida perdem o sentido e até parece que nem existiram, embora se saiba. A pergunta que fica é: O que é o tempo quando podemos nos transformar e nos auto-superarmos nesta amplitude?

· Coexistimos em inúmeras camadas de realidades que são atemporais. Por exemplo, o seu “eu” criança pode estar existindo e atuando em você até hoje... Outros aspectos desconhecidos também podem estar, sem que você suspeite.

Silvia Malamud
Psicóloga clinica Especialista em Terapias Breves individual, casal e
família/Sedes - CRP: 06-66624
Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
Terapeuta Certificada em Brainspotting – David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.
email.: [email protected]