Saúde Integral

Síndrome de Guillain-Barré e o Zika Vírus. Existe conexão?

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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A Síndrome de Guillain-Barré se caracteriza por ser uma doença neurológica que causa fraqueza dos músculos e uma inflamação dos nossos nervos. Em suma, ela pode ser identificada depois de alguns dias ou semanas que o indivíduo adquire uma infecção por vírus, como por exemplo: zika vírus, dengue, HIV ou citomegalovírus.

Devido a um erro, os anticorpos do nosso corpo atacam o sistema nervoso e, assim, destroem a baia de mielina, que tem a função de cobrir os nervos. Estes então se inflamam e param de transmitir aos músculos sinais nervosos, gerando os sintomas da doença.

A síndrome tem um tempo de evolução, que varia de duas a quatro semanas. A maioria dos pacientes acaba recebendo alta após esse período, mas vale ressaltar que o tempo total para recuperação é de meses ou anos. Com seis a doze meses de tratamento, a maioria dos pacientes consegue voltar a andar, já outros podem demorar até três anos para recuperar por completo os movimentos.

Os sintomas e sinais da Síndrome de Guillain-Barré progridem de forma rápida e só pioram com o passar do tempo. Dessa maneira, o paciente pode ficar paralisado em até três dias. Outros indivíduos apresentam apenas fraqueza nas pernas e nos braços.

Entre os sintomas mais comuns da doença, estão:

  • Perda de sensibilidade e sensação de formigamento nas pernas e nos braços
  • Vertigem, desmaios e ansiedade
  • Dificuldade na hora de engolir e para respirar
  • Fraqueza nos músculos que pode atingir o diafragma, os músculos da boca e do rosto, prejudicando a alimentação e a fala
  • Dores nos quadris, nas costas e nas coxas
  • Dificuldade para controlar fezes e a urina
  • Coração acelerado e palpitações no peito
  • Alterações na pressão arterial

A confirmação da Síndrome de Guillain-Barré é feita através de exames, dependendo dos sintomas apresentados pelo indivíduo, como por exemplo: punção lombar, ressonância magnética, eletromiografia e exame de sangue para contagem de leucócitos.

Em caso de resultado positivo, o paciente deve ser internado para que possa ser acompanhado e receber o tratamento adequando, já que pode causar a morte. Depois da alta, é necessário continuar o tratamento com fisioterapia, para recuperação total ou máxima dos movimentos e de suas capacidades.

Este acompanhamento é importante, porque somente dessa maneira o paciente consegue melhorar a intensidade e magnitude das articulações, prevenir o corpo de complicações na circulação e na respiração, estimular o movimento das articulações e melhorar a força dos músculos. O objetivo é que o paciente portador da síndrome volte a andar sozinho.

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Nos últimos meses, houve um aumento significativo no número de indivíduos portadores da Síndrome de Guillain-Barré, o que aumenta a possibilidade da doença estar associada ao Zika Vírus. Vale ressaltar que já foi confirmada a relação da síndrome com os casos de microcefalia.

Há um apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo todo, para que combatamos o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, do zika e da febre chikungunya.

De acordo com pesquisas recentes, pelo menos seis estados brasileiros tiveram um aumento bem significativo no número de casos da Síndrome de Guillain-Barré nos últimos meses. No Rio Grande do Norte, por exemplo, foram contabilizados 33 casos, contra 23 no mesmo período do ano passado. Em Sergipe, não haviam registros anteriores, mas já existem mais de 30 casos confirmados nos últimos meses. Em 2014, em Pernambuco, haviam apenas 9 casos da síndrome, contra 130 no ano passado.

A Síndrome de Guillain-Barré é autoimune, o que significa dizer que ela pode desaparecer de maneira espontânea e, apesar do tratamento ser feito por intravenosa, é necessário que esperemos que ela desapareça por completo. Isso porque, nesta síndrome, os nossos nervos são atacados pelos anticorpos, e não existem tratamentos eficazes contra eles.

Podemos dizer que as crianças possuem uma melhor evolução, não apresentando na maioria dos casos, sequelas. Já com adultos, é necessário continuar o tratamento com o auxílio de fonoaudiólogos e de fisioterapeutas.


  • Escrito por Flávia Faria da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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