Comportamento

Sobre desacelerar

Mulher branca tocando cavaquinho na janela.
Anthony Tran / Unsplash
Escrito por Fernanda Colli

A palavra desacelerar nos tempos atuais soa quase que de forma poética e surreal. A rotina exacerbada de trabalho, tarefas e compromissos diários tem aumentado freneticamente e a impressão é que o dia precisaria ter muito mais do que 24 horas para que toda sua lista fosse cumprida. Essa é a vida de mais da metade da população.

Li uma frase certa vez que me marcou profundamente: “Passamos tanto tempo lutando para viver, que ficamos sem tempo de viver”, e isso é uma grande verdade. É tanta informação para digerir, tantos padrões para se encaixar e tantas cobranças que a gente tem que suprir, que deixamos simplesmente de viver para simplesmente existir.

A ânsia de querer ser igual a alguém “bem-sucedido” nos torna escravos de exemplos que nem sempre servem para nós ou são para nós. Será que você já parou para pensar por que você corre tanto? Há realmente a necessidade dessa corrida? O tempo gasto está valendo a pena? Preciso realmente fazer tantas coisas o tempo todo?

O convite para essa reflexão não significa que devemos parar. Nem sempre as coisas feitas em um ritmo lento dão certo, às vezes a corrida é necessária. Não existe apenas uma velocidade em que devemos proceder em nossas vidas e em todas as atividades. A reflexão que precisamos fazer e com certa urgência está relacionada muito mais à qualidade do que quantidade, consequentemente, realizar uma autoanálise sobre o ritmo que você desempenhe melhor. Em outras palavras, você não precisa largar a carreira ou jogar o celular para desacelerar. Pode pegar leve, em qualquer lugar. É uma questão de usar o tempo mais sabiamente.

Mulher branca com o braço na testa.
Umur Batur Kocak / Unsplash

Que possamos dominar a forma de como viveremos nossa história. Que a gente consiga selecionar tudo o que realmente importa e se correr não está te deixando sentir os milagres diários, pense melhor sobre o tempo.

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Fiz esse exercício e continuo com todas as minhas atividades. Mas não hesito em fechar meu notebook para curtir um bom momento com minha família e amigos.

E dessa forma me sinto mais capaz de desfrutar cada momento. Estou vivendo minha vida em vez de passar correndo por ela.

E que você corra ou desacelere, mas que nunca apenas passe.

Sobre o autor

Fernanda Colli

Fernanda Colli é pedagoga, arte-educadora, escritora e pesquisadora da cultura popular brasileira, com atuação destacada na valorização das tradições caipiras. Especialista em Arte Educação, folclore e cultura popular, desenvolve projetos socioculturais voltados à inclusão, à identidade e ao pertencimento, especialmente em contextos escolares.

Idealizadora do Projeto Folclorear, atua na inserção de manifestações tradicionais, como a catira, no ambiente educacional, promovendo o diálogo entre saberes populares e práticas pedagógicas contemporâneas. Coordenadora de projetos no Centro de Tradições de Araçatuba e integrante de grupo de pesquisa na área cultural, também exerce papel de liderança como presidente da comissão infantopedagógica da IOV Brasil.

Como colunista, Fernanda escreve sobre cultura popular, educação, arte e identidade, trazendo reflexões sensíveis e críticas sobre a importância da memória, das tradições e da formação cultural na sociedade atual. Sua escrita se caracteriza pela defesa da cultura como instrumento de transformação social e fortalecimento das raízes coletivas.