Durante uma determinada época do ano, em muitas tradições e religiões, é tempo de purificação, é o que acontece na Quaresma, Ramadã, Lórògun e Yom Kippur. Quando olhados sem preconceitos e com interesse genuíno, crenças populares e dogmas religiosos quase sempre nos mostram uma sabedoria atávica que podemos observar e aproveitar para nos fortalecer.
Assim, durante esses períodos, podemos aproveitar para refletir sobre a alimentação. Podemos aproveitar o ensejo para avaliar nossa relação com esta atividade vital para o ser humano, que a cada dia mais se torna desprovida de integridade e afetividade.
Afinal, plantar o trigo, debulhar o grão e amassar o pão não são apenas letras de música. São gestos arquetípicos, que nos ajudam a manter viva a nossa condição humana, unindo-nos à memória coletiva e fortificando nossa vida moral.
São gestos que também alimentam a alma. E o mais importante: ao prepararmos o alimento ou cuidarmos de uma pequena horta, estamos permitindo que nossas crianças vivenciem ações permeadas de significado. Mesmo as mais pequeninas conseguem abarcar o conteúdo ético implícito no cozinhar.
Muitas famílias, na correria do dia a dia, estão deixando de cozinhar em casa. Fazer pão, então, só muito raramente. É uma pena, pois o principal alimento do ser humano não vem do teor calórico ou proteico de uma refeição, mas da vibração afetiva que a família atribui ao preparo do alimento.
Ao presenciar alguém de sua família fazendo a comida, com interesse, cuidando amorosamente de cada detalhe, a criança pode vislumbrar o verdadeiro significado da ação humana na Terra.
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Num período como este, que nas escolas Waldorf chamamos de “Época do trigo”, podemos fazer renascer em nós um sentimento divino em relação à alimentação. Sentimento muitas vezes exemplificado nas tradições religiosas, quando se parte o pão para oferecê-lo como alimento não só para o corpo, mas para o espírito.
