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Sonhos e o deslocamento do espírito.

Mulher dormindo e sentindo que está flutuando
KristiLinton / Getty Images Pro / Canva
Escrito por Vitor Vieira

Há milhões de anos, os sonhos são considerados para muitos um mistério, isso porque, por meio deles, surgiram respostas que mudaram o rumo da História e da humanidade cientificamente, como o grande e famoso físico Albert Einstein, que dizia que, quando ele estava em dúvida de algo ou quando não conseguia resolver alguma questão matemática, sonhava que a resolvia, logo, quando acordava, ele já sabia onde estava errando, fazendo com que o que foi visto em sonho o auxiliasse. Também em um desses sonhos literalmente geniais, Einstein conta que sonhou com vacas pulando em sincronia com um grande choque de uma cerca elétrica. Em vez de enxergar isso como cenas aleatórias que nossa mente reproduz, ele desenvolveu, a partir daí, o Princípio da Relatividade.

Sonhar é necessário para nossa consciência. Mesmo quando não lembramos de forma clara, algo nos foi relevado, ainda que seja uma sensação de satisfazer um prazer reprimido. Os sonhos são essenciais para o desenvolvimento e o autoconhecimento, fazem parte dessa construção pessoal e social e não devem ser ignorados. Mesmo durante pesadelos há um significado escondido que aparentemente e de fato é perturbador, porém se reconhecermos a origem e o que causa esse sentimento ou essa lembrança, será possível lidarmos de forma saudável para que o medo de ter pesadelos não o impeça de continuar sonhando.

Quando acordamos, às vezes entusiasmados, decepcionados, alegres e com medo, logo nos vem a cabeça o que esses sonhos querem dizer. Então entramos na questão da interpretação dos sonhos, que, para a psicanálise, é essencial, existindo métodos responsáveis e promissores para isso, mas o que quero destacar é como tudo, absolutamente tudo importa em um sonho, mesmo quando insistimos dizendo que foi “viajado”.

Acredito que muitos já assistiram ao filme ou leram o livro “Alice no País das Maravilhas”. Talvez não tenham percebido como uma fala, uma atitude ou um símbolo pode ter diversas interpretações e profundidade cirúrgicas no nosso cotidiano. Além disso, sobre estar conectados à vida e ao propósito de cada um. Digo isso porque, para Alice, tudo era sonho, ou será que não? Alice, após entrar em um buraco, percebe que está em um mundo aparentemente sem sentido, perdida, então inicia uma jornada, em que ela logo encontra com o famoso gato e pede ajuda. O gato responde com o que a vida nos pergunta todos os dias: “Para onde que ir?”. Alice diz estar perdida, então o gato sábio, calmo e sereno conclui: “Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve”.

Cena do filme "Alice no país das maravilhas" em que a Alice fala com o gato
Reprodução / Adoro Cinema / Walt Disney Pictures

O que tudo isso quer dizer é que muitas vezes na vida nos vemos assim, e nos sonhos não é diferente. Eles muitas vezes estão lá para justamente fazer com que nós possamos nos esforçar para encontrar a interpretação — não a correta, mas sim a necessária — para que possamos evoluir, lembrando que, como Alice, podemos achar que nada faz sentido, mas pode trazer bem sutil ou brutalmente mensagens que façam.

Outra obra importantíssima para a história, inclusive inspirada em “Alice no País das Maravilhas”, é o famoso “Matrix”, no qual o personagem Neo (do latim “Novo”) tem que escolher entre uma vida ilusória ou uma vida consciente, ele então escolhe a vida nova e quebra os padrões impostos muitas vezes por ele mesmo, libertando-se. A relação entre essas duas referências é que a representação do sonho, a imaginação e a fantasia estão presentes, e quem escolhe o caminho é quem se dispõe a percorrê-lo, sabendo estar atento a grandes e pequenos detalhes que a vida desperta, seja acordado ou “dormindo”.

É possível estarmos conscientes enquanto dormimos? Para responder a essa questão, trago uma reflexão do revolucionário Allan Kardec, em “A Gênese”. Ele diz: “Embora, durante a vida, o Espírito seja fixado ao corpo pelo perispírito, não é tão escravo que não possa alongar sua corrente e se transportar ao longe, seja sobre a terra, seja sobre qualquer outro ponto do espaço”.

É possível nos deslocarmos do nosso corpo físico sem perdermos a conexão entre matéria e espírito. Sendo assim, o espírito se prolonga e se expande, sendo ele o perispírito, e esse processo acontece durante o sono, todas as noites fazendo isso; alguns se lembram, outros não se lembram — e esse processo não depende de estarmos sonhando. São dois mecanismos diferentes que se complementam: os sonhos lúcidos são aqueles dos quais nos lembramos com mais clareza e detalhes, mas durante o sono não temos controle sobre nossas atitudes. Já nos desdobramentos conscientes, temos o controle. É como estar acordado em outra realidade vibracional, mesmo que ainda desdobrado em um local conhecido, por isso não devemos confundir sonhos lúcidos e desdobramentos. Como explicado anteriormente, algumas mensagens que vemos em sonhos podem vir até mesmo de nós mesmos, desdobrados em uma consciência mais elevada, mostrando alguns caminhos que nós, enquanto encarnados, ainda precisamos percorrer — em uma linguagem direta, mesmo que como mensagem subliminar, como animais, natureza, desenhos etc.

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Como Alice e Neo, é preciso saber o que queremos de verdade, buscar respostas sólidas, para que, durante o sono, o que não conseguimos enxergar acordados, possamos perceber e ressignificar.

Sobre o autor

Vitor Vieira

Vitor Vieira, 24 anos, psicanalista, cantor, compositor, escritor e apaixonado por filosofia.

Sou colunista nos sites Eu Sem Fronteiras e Ajudaria.

Escrevi o livro “Voz da Luz – Viagens astrais, missões terrenas”, no qual descrevo e conto um pouco da minha trajetória até agora na espiritualidade, entre desdobramentos e despertar de consciência.

Acredito que somos todos um só, dentro de cada particularidade. Somos irmãos, aprendendo e evoluindo dia após dia, sempre em busca de somar e multiplicar conhecimento e sabedoria.

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