Autoconhecimento

Um relato sobre o poder de amar a si mesmo

Garota segurando arco de luz em forma de coração.
Rodrigo Frazzão
Escrito por Rodrigo Frazzão

“Olha, não é de alguém ou do amor de alguém que você precisa, querida. Você precisa mesmo é amar a si mesma.”

Na manhã de uma terça-feira chuvosa, Sara precisou ir a uma farmácia, ela tinha fortes dores de cabeça constantemente, mas a dor daquele dia parecia mais insuportável que as outras. Na noite anterior, ela tinha descoberto no celular do seu namorado umas mensagens um pouco suspeitas. Tinha ficado com aquilo tudo na cabeça e não havia conseguido dormir.

“Ele não me ama mais”, ela dizia para si mesma. “Mas também como alguém pode amar alguém como eu, nem eu mesmo me amo, se ele tiver me traindo, eu não sei o que eu faço da minha vida.”

Pegou o carro e o pensamento não parava: “Eu sou uma azarada, nada nunca dá certo pra mim, olha só, está chovendo, poderia estar em casa, mas não, tenho que comprar remédio porque minha cabeça não para de doer, meu Deus, e se for um tumor? Deve ser um tumor, nunca doeu tanto, estou perdida”. Sara sempre fora muito saudável, mas preferia pensar no pior.

Menina segurando uma rosa caída em seu peito.

“E para completar estou sendo traída, como de costume. Na última vez aconteceu o mesmo, parece que tenho um ímã que só atrai coisas ruins.” É, de fato Sara tem um ímã, mas ela prefere acreditar que seu ímã só atrai coisas negativas, em vez de coisas positivas.

Sara não aprendeu que o que ela pensa sobre si mesma reflete na sua realidade.

Depois de muito reclamar, Sara percebeu que o carro estava parando, ela acelerava, e quanto mais pisava no acelerador mais o carro perdia a força. Ela então começou a socar o volante: “Droga, droga!”, gritava. E finalmente o carro parou, no meio do nada, na chuva, sem ninguém. Tentou ligar várias vezes, e nada.

“Eu já esperava por isso. Como não? Se eu nasci com a seta do azar apontada para mim.” Sara então chorou, suas lágrimas escorriam junto com a chuva no para-brisa do carro, e ali, sem nenhuma motivação para viver, Sara dormiu. Estava cansada, exausta de tudo, não dormira nada a noite passada. Acordou com alguém batendo no vidro do seu carro, era um senhor, negro, baixo e sorridente.

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“Está tudo bem, mocinha? Você está no meio da estrada, aconteceu alguma coisa? Está precisando de um impulso?” Ele parecia confiável, Sara pensou.

– “Eu estava indo para a farmácia, mas aí o carro parou, estava chovendo e não estou conseguindo ligá-lo. Como não tinha ninguém pra me ajudar, acabei pegando no sono.”

– “Abra o capô, eu não sou farmacêutico, eu entendo um pouco de mecânica.”

Sim, finalmente uma notícia boa. O senhor olhou o motor, olhou para ela, balançou a cabeça, fechou o capô e veio até a janela novamente:

– “Olha, parece que está tudo normal, pode tentar ligar, por favor? Ligue pensando que ele vai ligar, não se esqueça disso.”

Inconscientemente obedeceu ao senhor estranho, e como mágica o carro ligou.

Mulher sorrindo com as mãos nas bochechas.

– “Parece que pensar positivo funcionou. Estava tendo um dia difícil até agora, muito obrigada. Será que pensar positivo a respeito do meu relacionamento falido

funciona?”, brincou.

– “Depende”, falou o senhor sério. “Ele está falido ou é seu pensamento que o está deixando assim? Se você acredita que merece um relacionamento saudável, você terá,

se pensar que não merece nada, então assim também será.”

Ela silenciou e por um momento ele pareceu ter razão.

– “Não, é que acho que ele não me ama, já aconteceu outras vezes.”

– “Como você tem tanta certeza?”, indagou.

– “Meu histórico, ninguém nunca me amou de verdade, nem eu mesma me amo de verdade.”

Ele olhou para ela, riscou o chão com o pé e falou:

– “Olha, não é de alguém ou do amor de alguém que você precisa, querida. Você precisa mesmo é amar a si mesma. Como alguém vai amá-la, se você primeiro não faz isso consigo mesma? E mais: como você vai amar alguém, se você primeiro não consegue nem mesmo amar a si própria?”

Sara ficou abismada com a verdade das palavras dele. Olhou para a frente, e falou que precisava ir talvez com medo enfrentar a sutileza da verdade.

– “O Senhor parece alguém muito sábio.”

Mas quando olhou para o lado não havia mais ninguém ali. De repente, abriu os olhos, ainda estava chovendo e infelizmente não havia ninguém ali pra ajudar, fora tudo um sonho.

Mulher com os cabelos voando de frente para o mar.

Que sonho estranho ela tinha tido, e instintivamente pensou em ligar o carro, com a certeza de que ele ligaria. Ao girar a chave, ele ligou, incrível. 
Sara foi até a farmácia pensando nas palavras sábias do senhor do seu sonho. Ao chegar à farmácia, perguntou sobre algum remédio para dor de cabeça e naquele momento percebeu que sua cabeça não mais doía. Comprou mesmo assim. Sara estava se sentindo melhor. Ao sair da farmácia, havia parado de chover. Sara havia se dado conta de que não havia nada com que se preocupar, então voltou e comprou um filtro solar, o sol havia aparecido, e ela precisava se cuidar, devia isso a ela mesma.

Ao entrar no carro, colocou uma música que há muito tempo não ouvia e ao chegar em casa preparou um almoço delicioso para si mesma, depois leu um bom livro, dormiu no sofá da sala e acordou entusiasmada. À noite ligou para o namorado, combinou de sair, vestiu seu melhor vestido, se maquiou e mais tarde descobriu que a mensagem suspeita na verdade não era nada suspeita. Resolveu relaxar, porque agora ela havia se conscientizado de que ela era importante demais para sofrer sem necessidade e que amar a si mesma fazia com que tudo a seu redor ficasse mais feliz. A verdade é que ninguém está disposto a amar você, se você primeiro não fizer isso por si mesma… E pensamento é energia, energia gera ação, e ação é que faz sua vida se mover em direção à felicidade.

Sobre o autor

Rodrigo Frazzão

Rodrigo Frazzão

Desde criança sempre me fascinei pela escrita, pela leitura, pelo comportamento humano e por toda forma de manifestação de arte. Cresci em meio à pobreza, na roça, na caatinga, morava em uma casa de taipa, com poucos recursos, mas sempre muito feliz e desde essa época sempre mostrei interesse pela área da educação. Com 10 anos mudei-me para a zona rural de Petrolina, uma cidadezinha no interior de Pernambuco, onde minha família começaria a trabalhar na área de fruticultura irrigada, às margens do rio São Francisco, um paraíso.

Aqui, um pouco mais perto da cidade, fui me aprofundando na leitura, tendo contato com a escrita, com as artes e lendo mais e mais sobre a psicologia humana, o que nos molda e o que nós somos irresponsáveis, por que sofremos. Comecei a me conhecer por completo, os meus medos, meus traumas, minhas limitações. Comecei também a ler muito sobre a importância de amar a si mesmo, de se perdoar, de entender a mente, seus processos e desde então passei a me amar mais, a aceitar as pessoas como elas são, a não julgar, a querer ajudar quem precisa de um conselho, de um ombro amigo.

Aprendi que o modo como pensamos muda nossa experiência e nossa vida, então quero aos poucos ajudar as pessoas, mesmo sendo jovem, mesmo não sabendo de tudo, quero ajudá-las a mudar a forma como se enxergam, a forma como veem todos os seus problemas, todos os traumas, como veem a si mesmas. Eu aprendi que para as angústias da alma existe um alívio, um remédio, uma cura, basta apenas mudar a forma como enxergamos tudo ao nosso redor, começando por nós mesmos. Todo o meu conteúdo é livre, eu só quero ajudar você a ser cada vez melhor, mas para isso você precisa se permitir.

Em breve lançarei meu livro, falando sobre revolução do eu e por que todos nós podemos evoluir cada vez mais.

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