A vida é o agente, não a ação.
Quando falo da vida, no senso geral, pensa-se na biografia, nos acontecimentos que ocorrem contigo, na trajetória percorrida. A vida a que me refiro não é nesse sentido: não falo dos papéis, das funções, das histórias vividas. Eu falo da vida que pulsa e anima esse corpo, a força motriz que movimenta a matéria.
Tomemos o exemplo de Maria. Quando perguntada quem é ela, sua resposta pode variar, mas gira em torno disso: “Sou Maria, sou mãe de duas meninas lindas, sou médica por vocação, aficionada por cinema, pratico corrida e vou correr minha primeira maratona mês que vem.”
Vamos refletir sobre essa resposta e compreender quem é Maria. Ela se denomina Maria, esse é seu nome. Mãe é um papel crucial ao qual ela se dedica com amor e afinco. Medicina é sua vocação, que ela exerce como profissão. Cinema, uma paixão. Corrida, uma atividade que a faz sentir viva. Isso tudo revela a identidade de Maria. Mas identidade se assume, se caracteriza. O que é Maria, então?
Maria é essa força viva que assume seu papel no grande palco do mundo. O que ela costuma pensar é que sua vida é essa grande peça onde tantos atuam, e o próprio mundo é o maior dos personagens, agindo no palco e nos bastidores. A vida, nesse contexto, é o campo onde tudo acontece para nós e conosco, onde não temos qualquer controle, pois o mundo gira em seu próprio ritmo e nós somos pegos nesse movimento constante.
Novamente, a Vida que trato aqui é aquilo que você é. A força motriz que anima esse ser, que te move. É aquilo que não é visto, mas que vê; aquilo que não pode ser tocado, mas que toca, parafraseando Lao Tsé. A vida é a grande resposta para a famosa pergunta “Quem sou eu?”. Pois é: quem imagina que uma pergunta tão repetida há tanto tempo tem a resposta mais óbvia e simples?
Você é Vida.
A vida é, sempre foi e sempre será. Ela não é o corpo a se mover; ela é o que move o corpo. Por isso, quando a morte acontece, o corpo perece, porque a vida parte dele. Para onde vai? Esse é o grande mistério que ainda nos fascina e atormenta, a condição existencial que nos une.
Se perceber como Vida, e não como alguém a quem a vida acontece, pode ser libertador. Pois no viver não se controla o que te acontece, mas a vida que és é de total responsabilidade sua.
Você não é a nuvem que despenca em prantos; você é o céu que carrega os ventos e as nuvens que permanece na imensidão. Essa é a essência do autoconhecimento e da liberdade interior.
Este texto é uma reflexão sobre como percebo nossa realidade existencial. Ele é fundamentado nos estudos de grandes sábios como Osho, Sadhguru, Lao Tsé e outros. Esses nomes têm muito a te ensinar. Desse modo, espero que esta leitura seja um convite para explorar a verdade de quem és.
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E, por último, fica a pergunta: “Faz sentido dizer que a vida morre? Ou ela só deixa de ocupar o espaço que costumava ocupar?” Me conta nos comentários. Quem sabe pode ser o tema do próximo texto.
