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Você não é incapaz. Mudar é difícil mesmo.

Imagem de uma bifurcação em uma estrada no meio do sertão e ao fundo, um lindo pôr do Sol, simbolizando escolha, mudança, consciência e possibilidade.
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Escrito por Ivete Costa

A mudança nem sempre acontece quando entendemos o que precisamos fazer. Muitas vezes, é preciso tempo para transformar compreensão em experiência. Perceber padrões, reconhecer impulsos e criar um pequeno espaço entre reação e escolha já pode ser o começo de um novo caminho.

Há pessoas que sabem exatamente o que gostariam de mudar. Querem se posicionar de outra maneira. Parar de repetir uma escolha. Ter uma conversa que vem sendo adiada. Colocar um limite. Cuidar melhor de si. Sair de uma situação que já não faz sentido.

Pensam sobre isso, compreendem… Às vezes, conseguem até enxergar com bastante clareza como chegaram até ali. E, ainda assim, continuam fazendo quase a mesma coisa. É nesse intervalo entre saber e conseguir fazer diferente que muitas pessoas começam a duvidar de si mesmas.

“Se eu já entendi, por que continuo fazendo isso?”
“Por que é tão difícil?”
“Será que me falta força de vontade?”

Talvez essas não sejam as melhores perguntas.
Porque compreender alguma coisa não significa, necessariamente, estar pronto para vivê-la de outra maneira.

O conhecido tem uma força que nem sempre percebemos.

Repetimos caminhos não apenas porque acreditamos neles. Repetimos também porque os conhecemos.
Há maneiras de reagir, escolher, trabalhar, amar, evitar conflitos ou buscar aprovação que foram sendo construídas durante muitos anos. Algumas começaram tão cedo que sequer parecem escolhas. Parecem apenas o nosso jeito de ser.

Com o tempo, aquilo que foi repetido muitas vezes ganha familiaridade. E o familiar tem uma característica curiosa: mesmo quando já não nos faz bem, sabemos como nos movimentar dentro dele.

O novo não oferece essa mesma segurança.

Uma pessoa pode saber que precisa dizer não e sentir o corpo inteiro querendo dizer sim. Pode decidir que não aceitará novamente determinado tipo de relação e, diante de uma situação conhecida, perceber-se repetindo exatamente aquilo que prometeu não repetir. Pode desejar uma vida diferente e, quando surge a oportunidade de construí-la, sentir vontade de voltar para o lugar de onde queria sair.

Isso não significa necessariamente incapacidade.

Significa que alguma coisa dentro dela ainda reconhece o antigo caminho como conhecido.

A mudança raramente acontece inteira.

Talvez tenhamos criado uma expectativa pouco realista sobre mudar. Imaginamos grandes decisões. Um antes. Um depois. A pessoa que finalmente entendeu e, a partir daquele momento, nunca mais voltou ao comportamento anterior.
A vida costuma ser menos organizada.
Às vezes mudamos e voltamos.
Avançamos um pouco.
Percebemos a repetição mais cedo.
Fazemos diferente uma vez e, na seguinte, não conseguimos.
Até que aquilo que exigia enorme esforço começa a ocupar um lugar mais natural dentro de nós.
Há mudanças que começam muito antes de serem visíveis.
Começam quando conseguimos perceber uma escolha enquanto ela está acontecendo.
Quando reconhecemos o instante em que um padrão conhecido tenta novamente assumir o comando.
Quando, pela primeira vez, aparece um pequeno espaço entre o impulso e a resposta.
Talvez seja nesse espaço que uma nova possibilidade comece a existir.

“Mas eu já sei tudo isso”.

Essa é uma frase que escuto com alguma frequência. A pessoa conhece sua história. Já leu. Já refletiu. Consegue explicar por que reage daquela maneira. E há algo importante nessa compreensão.

Mas saber de onde veio um padrão não significa necessariamente que ele perdeu sua força.

A mente pode ter compreendido antes que outras partes de nós consigam acompanhar essa compreensão.

Há experiências que precisam de tempo para deixar de ser apenas uma conclusão intelectual e se transformar em outra maneira de estar no mundo.

Talvez por isso algumas mudanças não precisem de mais explicações. Precisem de experiência. Da possibilidade de experimentar uma resposta diferente.

Um limite pequeno.
Uma conversa diferente.
Uma escolha que antes parecia impossível.
E descobrir o que acontece depois.

Talvez você não esteja voltando ao mesmo lugar.

Há uma imagem de que gosto.

Imagem de uma estrada se dividindo em dois caminhos, com uma pessoa parada no ponto de decisão, observando as duas possibilidades.
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Imagine uma estrada que você percorreu durante muitos anos.

Você conhece as curvas. Os atalhos. Sabe onde reduzir a velocidade. Quase conseguiria percorrê-la sem pensar.

Um dia decide conhecer outro caminho.
No começo, precisa prestar atenção.
Consulta o mapa.
Fica inseguro em alguns cruzamentos.
Talvez erre uma entrada.
Talvez até volte para a estrada antiga.
Isso não apaga o fato de que agora você sabe que existe outro caminho.

Na vida, talvez aconteça algo parecido. Depois que começamos a perceber nossos próprios padrões, podemos até repeti-los, mas já não os habitamos exatamente da mesma maneira.

Alguma coisa foi vista.

E aquilo que foi visto pode começar a ser escolhido. Ou não.

Talvez a liberdade não comece quando finalmente conseguimos mudar tudo.
Talvez comece um pouco antes. No momento em que percebemos que aquilo que parecia ser simplesmente “quem eu sou” também pode ter sido uma maneira que aprendemos de viver.

E então, diante de uma escolha antiga, surge uma pergunta nova:

Ainda quero seguir por aqui?

  • Ivete Costa

    Ivete Costa

    Terapeuta Transpessoal Psicossíntese
    [email protected]@ivetecostaterapiasivetecosta.com.brivetecostaterapias

    Atuando na área terapêutica há mais de 20 anos em atendimentos individuais, grupos e consultoria, utilizando as técnicas de Psicossíntese, Cognitivo-Comportamental, Constelação Sistêmica, Coaching Integrado, dentre outras. Coautora dos livros: "Quais de Mim Você Procura", "Mães Empreendedoras" e "FETRANSPAR - 25 anos".