Autoconhecimento

A morte na dor e a dor da morte

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

É muito difícil de compreender as decisões das pessoas, ainda mais quando tem algo chamado “dor” envolvendo uma escolha. A eutanásia é uma polêmica, sem dúvida nenhuma. Não é fácil apoiar uma pessoa para que ela termine com a própria vida, porém é inimaginável o grau de dor para que alguém sem tendências suicidas decida abreviar a própria existência.

Para quem gosta de seriados, principalmente originados dos Estados Unidos, um que fez muito sucesso ao abordar esse tema foi House M.D (Doutor House, de acordo com o título do canal de televisão Record). Para quem não sabe do que se trata, a série aborda a vida do médico Gregory House, um especialista em diagnósticos, porém extremamente arrogante e misantropo. A personalidade difícil do protagonista está intimamente ligada com um infarto que ele teve num músculo da perna, que o obrigou a usar bengala e que traz dor intensa frequentemente. Para conseguir lidar com uma “dor insuportável nos momentos em que está amena”, House é viciado em medicamentos que ajudam a lidar com o seu sofrimento.

Depressed Young Man With Bandaged Wrists After Suicide Attempt

A definição de felicidade é parecida para a maioria das pessoas. Mas, para pessoas iguais a House, para ser feliz basta não ter dor. A ausência do sofrimento traz alívio e muitas das nossas decisões buscam justamente isso: eliminar uma aflição. Mas quando levamos ao pé da letra a busca para evitar a dor, isso também nos faz eliminar, por tabela, uma série de outras sensações. Ou seja, para sentir dor somente é necessário viver. Eliminadas as experiências, a chance de sofrer dor é reduzida. E, quando falamos em eliminar experiências, vale também as coisas boas.

As pessoas que sofrem de dor aguda não podem ser culpadas por essas decisões, afinal elas não respondem mais por si próprias, mas pela dor. Quando estamos em nossas plenas faculdades mentais, a gente tem a consciência de que a dor também ensina. Existe um ensinamento mais preciso do que aquele de que “quem não aprende por amor, então vai aprender pela dor”? É muito fácil tirar ensinamentos depois que a dor passa ou pelo sofrimento dos outros, mas, no momento da angústia, não existe racionalidade. Apenas medo.

Tudo pode nos trazer ensinamentos, absolutamente tudo, até mesmo e, principalmente, a dor. A única coisa que não podemos tirar ensinamentos é a morte, afinal, pelo menos onde nos consta, é o fim. Isso não quer dizer que os outros não possam aprender com a nossa morte, inclusive pela dor.


  • Escrito por Diego Rennan da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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