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Dualidade

Homem com mochila observa uma paisagem montanhosa do alto de um pico.
Marek Piwnicki / Pexels / Canva

Às vezes, enxergamos uma situação apenas por dois lados: certo ou errado, faço ou não faço, aceito ou reclamo. Mas será que a primeira interpretação precisa ser a única? Talvez olhar novamente, de outro ângulo, seja suficiente para perceber novas possibilidades.

Em uma das últimas sessões que tive com minha terapeuta, notei um padrão que aparece em diversos momentos da minha vida: a dualidade.

Certo ou errado. Claro ou escuro.
Faço ou não faço. Aceito ou reclamo.

Muitas vezes, parece que preciso escolher entre dois lados. Até que surgiu uma pergunta:

E se houver outra possibilidade?

Foi então que comecei a perceber que entre um ponto e outro existe muito mais do que imagino.

Não necessariamente uma resposta certa. Talvez apenas outras formas de olhar.

Notei também que consigo enxergar essas possibilidades com mais facilidade quando crio alguma distância daquilo que está acontecendo. Não uma distância física, mas, digamos, a possibilidade de observar a situação de outro ângulo, como se por alguns instantes eu pudesse sair de dentro dela e simplesmente observar o que está ocorrendo.

Foi isso o que aconteceu outro dia enquanto estava no trânsito. Fui fechado por outro motorista. Minha primeira reação foi de raiva. Julguei, critiquei e passei o restante do dia voltando àquela situação na minha cabeça, pensando no que eu poderia ter feito, falado ou agido.

A minha primeira resposta foi rápida. E, de certa forma, mais cômoda: a culpa era do outro.

Homem de óculos escuros gesticula enquanto dirige um carro amarelo.
Energyy / Getty Images Signature / Canva

Me lembrei do aprendizado que tive e tentei colocá-lo em prática. Fiz uma análise mais ampla, olhar macro para aquela cena, e então comecei a notar outras possibilidades. Pode ser que talvez ele não tivesse me visto. Talvez estivesse com pressa. Talvez eu mesmo já tivesse feito algo parecido sem perceber. Talvez tivesse sido apenas um erro. Talvez não.

Eu não tinha como saber. E talvez eu nem precisasse.

O que percebi é que aquela primeira interpretação não precisava ser a única. Eu poderia continuar sentindo raiva naquele momento. Afinal, sou humano e algumas situações simplesmente nos incomodam.

A questão passou a ser outra, totalmente diferente da inicial: eu precisava carregar aquela raiva comigo pelo resto do dia?

Existiam outras possibilidades além de simplesmente ficar incomodado com aquilo. Eu poderia agradecer por não ter acontecido um acidente. Poderia aceitar que aquele foi um acontecimento isolado e que provavelmente eu nunca mais encontraria aquela pessoa. Ou poderia simplesmente deixar aquela situação ir embora.

Nenhuma dessas possibilidades mudaria o que aconteceu. Mas poderiam mudar o que aquilo produziria em mim depois. E talvez seja aí que esteja uma das coisas que mais tenho aprendido sobre a dualidade.

A primeira resposta costuma ser a mais fácil.

Ela aparece rapidamente, quase sem esforço. É confortável porque não exige que eu olhe novamente. Eu posso simplesmente escolher um lado e seguir em frente.

Olhar de novo dá um pouco mais de trabalho.

Preciso sair, por alguns instantes, da posição em que estou e tentar enxergar a situação de outro ângulo. Preciso admitir que talvez eu não saiba tudo o que aconteceu. Preciso considerar possibilidades que não estavam presentes na minha primeira interpretação.

Isso pode exigir mais energia naquele momento. Mas, curiosamente, às vezes essa energia parece voltar depois em forma de leveza.

Não porque encontrei a resposta certa. Mas porque percebi que não precisava ficar preso à primeira resposta.

Isso também me fez refletir que nem sempre existe uma terceira opção clara esperando para ser encontrada. Às vezes, talvez não exista.

Mas posso perguntar.

Será que aquilo que estou enxergando agora é realmente a única maneira de olhar para essa situação?

Talvez essa pergunta já seja suficiente para abrir um pouco mais o espaço. E, quando o espaço aumenta, novas possibilidades podem aparecer.

Talvez eu mude de ideia. Talvez confirme aquilo que já pensava. Talvez escolha agir. Talvez escolha esperar. Talvez simplesmente entenda melhor o que estou sentindo.

Não sei.

O que sei é que hoje consigo olhar para algumas situações de uma maneira diferente. Não para negar aquilo que sinto, nem para transformar tudo em algo positivo. Mas para lembrar que uma situação pode ser maior do que a primeira interpretação que faço dela.

E talvez a vida seja um pouco mais ampla do que dois pontos.

Talvez, antes de decidir entre um lado e outro, eu possa simplesmente olhar novamente.

E você, o que percebeu?

  • Dênis Marcelo Molina Costa

    Dênis Marcelo Molina Costa

    Autoconhecimento, bem-estar e equilíbrio energético
    [email protected][email protected]@seulugaraosol.pausaseulugaraosol.taplink.bioseulugaraosol.substack.com@seulugaraosol_pausa@seulugaraosol.pausalugaraosol.bemestar@seulugaraosol.pausaopen.spotify.com/show/3SOtb1ei6hYPk9L3AUhzgW?si=nQZU1D65TNi_0mWArZeySw

    Olá, tudo bem?
    Meu nome é Dênis Marcelo Molina Costa. Sou biomédico e, ao longo da minha trajetória, fui ampliando meu olhar sobre o ser humano, o bem-estar e as diferentes formas pelas quais nos relacionamos com nós mesmos, com o outro e com o mundo.
    Minha formação inicial em Biomedicina despertou meu interesse pela área da saúde. Posteriormente, meus estudos e experiências me levaram a conhecer diferentes perspectivas, entre elas a Medicina Tradicional Chinesa, Reiki, espiritualidade e estudos relacionados à Psicologia Positiva.
    Com o passar do tempo, percebi que meu interesse não estava apenas em compreender técnicas ou conceitos, mas em observar as experiências que atravessam a vida cotidiana: nossos pensamentos, emoções, escolhas, relações, expectativas, dúvidas e a maneira como percebemos aquilo que nos acontece.
    É desse movimento que nasce o Seu Lugar ao Sol, um projeto que busca criar espaços de pausa, presença, acolhimento e reflexão.
    Acredito que uma reflexão não precisa necessariamente entregar uma resposta. Às vezes, uma boa pergunta já é suficiente para nos fazer olhar novamente para algo que parecia conhecido.
    É nesse lugar que hoje encontro minha escrita: entre a curiosidade de compreender, a disposição para observar e a possibilidade de compartilhar aquilo que vou descobrindo pelo caminho.