Comportamento Consciência Aplicada

A armadilha do apego durante a jornada espiritual

Garota sentada em sofá olhando para janela com mão apoiada no rosto
Tereza Gurgel
Escrito por Tereza Gurgel

“A verdadeira fonte de paz e felicidade existe dentro de nós, além de quaisquer apegos e desejos. A única pessoa que pode perceber isso é você mesmo.

Fazer dessa sua mentalidade exige trabalho e esforço, e, no entanto, a maioria de nós dedicará inúmeras horas de esforço a ganhar mais dinheiro e a manter um relacionamento na esperança de que seremos “felizes um dia”. Isso nunca vai acontecer.”

– Alan Watts

Aproveitando esse momento na história da humanidade, vamos refletir sobre um dos trabalhos essenciais que devemos empreender ao longo de nossa existência: o despertar da nossa consciência.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844 – 1900) descreveu em um de seus mais famosos livros (“Assim Falou Zarathustra”) como se daria o processo de evolução da consciência através de uma parábola.

Camelos andando no deserto
Foto Trevor Cole no Unsplash

Para ele, o primeiro estágio seria o do Camelo, um animal que é usado para levar uma carga em suas costas, capaz de suportar um grande peso. O Camelo é aquela pessoa que foi absorvendo durante toda a vida as informações transmitidas pelos pais, escola, família, religião, classe social… e ele carrega tudo isso consigo, acreditando que é uma “pessoa de bem”, satisfeito e iludido com sua própria inteligência. O Camelo não quer fazer nenhuma mudança em seu mundinho, para ele essa estabilidade pesada e sonolenta é sua glória.

Depois do Camelo, surge um Leão. Essa pessoa começou a sentir que estava vivendo uma vida que não lhe pertencia. De repente, suas ideias, suas atividades, seu próprio modo de vida parecem não ter sentido algum. O Leão parece acordar de um sono profundo, de uma embriaguez cômoda que sugava sua energia. O Leão se dá conta de que tudo que vinha acreditando e construindo não era próprio dele, mas vindo de terceiros, de “autoridades” que lhe foram impostas e as quais ele também cedeu. O Leão passa a rugir, a procurar seu espaço no mundo; quando o Leão ruge pela primeira vez, é um caminho sem volta: o Camelo se desfaz em pó. Essa fase é sentida e temida por muitos, pois envolve uma decisão crucial: ir em frente ou tentar colocar a carga do Camelo de volta nas costas.

Leão parado com as duas patas da frente unidas
Photo by Mika Brandt on Unsplash

Querer voltar atrás e “colocar de novo o peso nas costas” é caminho certo para graves distúrbios de saúde, em todos os níveis, incluindo o físico.

“Ir em frente” é deixar de lado tudo o que aprendeu como verdadeiro. Ser Leão é ouvir a voz do próprio coração, sem ficar temendo a opinião dos outros, dando vez a si mesmo, não mais concordando sem refletir, fazendo o bem a si mesmo em primeiro lugar, antes de querer ajudar os outros. Esse estágio é facilmente notado, você já deve ter visto alguns leões rugindo pra todo lado, fazendo um grande barulho…

O problema do Leão está em se apegar também a esta nova visão. Isto é, de tanto ouvir sua potente voz, o Leão corre o risco de ficar também orgulhoso, satisfeito e acomodado nessa posição, isolando-se dos outros, num narcisismo destruidor.

Rosto de criança com olhar inocente
Photo by Michael Mims on Unsplash

Por fim, surge a Criança. Ela já não está mais submissa, como o Camelo, nem é rebelde, como o Leão. A Criança tem a inocência e a espontaneidade de seguir seu próprio caminho. Ela é fiel a si mesma, não há o que provar a ninguém, não há apego em seu viver.

A Criança, mais do que “saber” racionalmente, vive o momento de agora pois vê que tudo é transitório. A Criança abraça a vida, sem hesitar.

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O desejo de algo já traz o sofrimento; tudo passa e as perdas são inevitáveis. A cada momento somos chamados a abandonar o apego e a mergulhar no fluxo da Vida, com absoluta confiança em nós mesmos e no Universo: tudo acontecerá exatamente como deveria.

Referências:
https://www.pensador.com/frases_alan_watts/https://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche

Sobre o autor

Tereza Gurgel

Tereza Gurgel

Formada em Psicologia (F.F.C.L. São Marcos - SP). Filiada à ABRATH (Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos) sob o número CRTH-BR 0271. Atua na área Holística com Reiki, Terapia de Regressão e Florais de Bach. Mestrado em Reiki Essencial Metafísico e Bioenergético Usui Reiki Ryoho, Shiki, Tibetano e Celtic Reiki. Ministra cursos de Reiki e atende em São Paulo (SP).

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