Autoconhecimento

A família é a nossa primeira escola

Família de afrodescendentes composta por pai, mãe, filha e filho lendo um livro no jardim.
Felipe M. Viagi
Escrito por Felipe M. Viagi
Épocas de final de ano geralmente são os momentos em que mais ficamos próximos de nossos familiares.

Nos encontramos para celebrar, trocar presentes e relembrar de momentos de alegria vivenciados.

Porém nem tudo são flores, nesses encontros, geralmente nos deparamos com grandes atritos com outros parentes. 

Seja nos momentos em que a conversa é sobre política ou sobre estilos de vida alternativos, a família é sempre uma oportunidade para desenvolvermos a nossa autoconsciência e inteligência emocional.

A família é a nossa primeira escola

As primeiras pessoas que temos contato em nossas vidas são membros de nossa família. Eles são os nossos primeiros professores que têm o objetivo de apresentar o mundo para nós, os seres recém-chegados na terra.

Nesta educação, recebemos alguns de seus dons e também algumas dificuldades.

Pela nossa necessidade de pertencimento e de identidade, repetiremos os comportamentos aprendidos no âmbito familiar e, quando crescemos, levaremos para outras áreas da vida. 

Jantar em família.

Porém com o passar do tempo, esses aprendizados familiares vão se tornando cada vez mais inconscientes, em outras palavras, perdemos o acesso daqueles comportamentos que estão sendo repetidos por nós.

Fazemos sem saber que fazemos.

Assim, quando voltamos a reencontrar os nossos familiares no final do ano, estaremos reencontrando partes do nosso “eu” que não reconhecemos mais.

Desse reencontro, nascem os conflitos.

Comentários homofóbicos de um avô ou comentários racistas de um tio são exemplos de manifestações no externo que demonstram para nós, buscadores do autoconhecimento, partes nossas que ainda são racistas e homofóbicas.

Afinal, os nossos familiares influenciaram em nossa programação mental por mais de uma década de forma intensiva, você acha mesmo que alguns anos de reprogramação o tornou livre do inconsciente familiar?

– Nossa, mas então, se o meu tio faz comentários racistas na ceia de natal, quer dizer que sou racista?

Quer dizer que uma parte sua ainda não foi reeducada e, portanto, ainda sofre da ilusão da separação manifestada sob a ótica de diferença racial.

Tudo o que se manifesta fora de nós, em um nível profundo, é uma manifestação interna.

Família discutindo sentados à mesa enquanto jantam.

Porém para lidarmos com essa nova realidade de maneira harmônica e leve, precisamos de dois valores fundamentais: autorrespeito e autocompaixão.

Autorrespeito é saber os meus limites de evolução que estou preparado para absorver.

Autocompaixão é olhar para as nossas sombras com amor. 

Quando então somos expostos às partes sombrias nossas, por meio da autocompaixão olharemos com amor e a partir do autorrespeito teremos paciência para ressignificarmos aquela parte ainda ignorante.

Então, munidos desses dois valores, nós podemos enfrentar nossa família com a consciência de que os comportamentos que ali nos incomodam são, em essência, manifestações do nosso próprio inconsciente.

Assim, podemos adotar uma postura de gratidão aos nossos familiares por nos mostrarem aspectos sombrios nossos que sozinhos não conseguiríamos ver. 

E finalmente voltar para a nossa primeira escola, dessa vez com consciência e escolha própria


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Sobre o autor

Felipe M. Viagi

Felipe M. Viagi

Felipe Viagi, Aprendiz assíduo do método Kumon e pianista até os 13 anos. Aspirante a jogador profissional de futebol até os 16 anos.

Aos 16, foi estudar arte e cultura de um dos países mais exóticos do mundo em um intercâmbio de 1 ano na Índia.

Aos 20, foi estudar negócios na Alemanha.

Aos 22, começou sua primeira empresa na área da educação.

Aos 25, sua segunda empresa na área de hospedagens.

Já morou em 5 países diferentes, fala 5 idiomas fluentemente e conhece mais de 45 países pelo mundo.

Vivenciou um retiro de meditação com os monges na Tailândia. Fez cursos de meditação ativas na sede do Instituto Osho em Pune, Índia. Estudou e praticou a antiga ciência da Krya Yoga nas montanhas geladas dos himalaias.

É formado em Constelação Familiar pela UHB (Universidade Holística do Brasil) e com especialização na sede da Constelação familiar em BadReichenHall, na Alemanha.

É apaixonado por viajar, estudar culturas e emoções humanas, filosofar,meditar, curtir uma praia e servir a vida humana.

Seu propósito na terra hoje é se tornar mestre de si próprio e estimular outros a buscarem o mesmo.

Suas principais crenças são

" quem não vive para servir , não serve para viver "

"Todos nós somos 1 e ao mesmo tempo somos vários."

Seus principais valores são; respeito, equilíbrio e a verdade consigo próprio.

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