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A felicidade que só existe quando compartilhada

Um grupo de quatro pessoas, composto por duas mulheres e dois homens, estão sorrindo e olhando entre si. Eles estão em um ambiente ao ar livre.
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Escrito por Fernanda Colli

E se a felicidade não fosse algo para segurar, mas para compartilhar? Que tal repensar sua busca por alegria? Será que você já percebeu como pequenos gestos podem transformar sua vida e a de quem está ao seu redor? Será que a alegria só retorna quando vai ao outro? Continue a leitura.

Há uma citação de um mestre que sempre me acompanha: “A felicidade é como a água em um recipiente: se a puxamos, ela escapa; mas se a empurramos, ela retorna com força.” Talvez seja essa a metáfora mais sincera sobre o que significa viver em comunidade, amar o outro e cultivar gestos que transformam não apenas a vida alheia, mas a nossa própria existência.

Costumamos acreditar que ser feliz é uma busca individual, quase uma corrida silenciosa em direção ao que desejamos alcançar. Só que, quando corremos sozinhos, a felicidade se comporta exatamente como a água que tentamos segurar com as mãos: escorre, evapora, foge pelos dedos.

Ela não se deixa capturar de forma egoísta. A felicidade não aceita gaiola.

Mas quando empurramos essa água — quando a movimentamos em direção ao outro, quando estendemos as mãos para amparar, quando acolhemos, quando damos o que temos de mais simples e verdadeiro — ela volta. E volta com força. Volta em forma de gratidão, de sorriso espontâneo, de abraço sincero, de uma paz que não se compra e que ninguém tira.

Felicidade é reflexo.

É retorno.

É consequência.

Quatro vizinhos estão se cumprimentando e sorrindo. Eles estão em um ambiente ao ar livre e com árvores no fundo.
FG Trade / Getty Images / Canva

Vivemos tempos em que muitas pessoas se sentem sozinhas, oprimidas, sobrecarregadas pela rotina, pelos medos e pelas expectativas. Talvez seja exatamente por isso que precisamos resgatar essa ideia tão antiga e tão sábia: a felicidade não existe em isolamento. Ela nasce na relação, cresce no encontro, floresce quando olhamos para o lado e decidimos fazer da vida do outro um lugar um pouco mais leve.

Quando repartimos o que sabemos, aprendemos.

Quando oferecemos o que temos, recebemos.

Quando nos doamos, nos reencontramos.

A cultura popular — campo onde deposito meu coração e minha missão — é prova viva disso. Nenhuma dança acontece sozinha. Nenhuma tradição sobrevive sem partilha. A catira, por exemplo, só faz sentido quando os pés se encontram, quando as palmas se somam, quando os corpos dialogam para criar um ritmo coletivo. É uma dança que nos lembra, todos os dias, que só existe beleza quando existe troca.

E talvez a vida seja exatamente isso: uma grande coreografia, onde os passos só ganham força quando estão sincronizados com os passos de alguém.

Felicidade não é um destino para se chegar sozinho.

É um caminho feito de mãos dadas.

E, no fim de tudo, talvez sejamos lembrados não pelo que conquistamos para nós mesmos, mas pelo que ajudamos a construir no mundo.

Pelo sorriso que provocamos.

Pelo colo que oferecemos.

Pela esperança que plantamos.

A água retorna.

Sempre retorna.

Basta empurrá-la na direção certa: para o outro.

Porque, para sermos felizes, precisamos — inevitavelmente — tornar felizes os outros.

Sobre o autor

Fernanda Colli

Educadora e escritora brasileira, natural de Araçatuba, São Paulo. Formada em Pedagogia, Psicopedagogia e Arte-Educação, possui também graduações em Letras, História, Artes e Educação Física. É especialista em Literatura Brasileira, Educação Infantil e Educação Especial.

Como membro da Comissão Infantopedagógica da IOV Brasil (Organização Internacional de Folclore e Artes Populares), dedica-se à pesquisa e promoção da cultura popular brasileira, com ênfase nas tradições caipiras do interior paulista. Ela é catireira e coordena projetos culturais em Araçatuba, como o "Catira e Folclorear".

Na literatura é autora de obras como "Um Conto de Fadas à Moda Caipira" e sua sequência, que mesclam elementos dos contos de fadas tradicionais com a rica cultura caipira brasileira.

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