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A transformação alquímica

Tereza Gurgel
Escrito por Tereza Gurgel
Foram os místicos os primeiros a discernir significações profundas nos tratados alquímicos, a física moderna agora revela que há muito mais do que um amontoado de incongruências e fórmulas mágicas, sob a linguagem bizarra e propositalmente obscura dos alquimistas. A transformação alquímica, analisada sob o ponto de vista psicológico, é resultado da pesquisa de Carl G. Jung, psiquiatra e psicólogo suíço (1875 – 1961).

Profundamente impressionado com um sonho de uma de suas pacientes, Jung encontrou, em uma gravura referente à Alquimia, a representação exata daquele sonho (uma águia que comia as próprias asas). Daí por diante passou a examinar atentamente as obras alquímicas, muitas vezes desanimando diante da linguagem obscura, mas prosseguindo até finalmente conseguir compreende-las à luz da Psicologia.

Jung (que além de psiquiatra e psicoterapeuta, era um incansável estudioso de vários povos e culturas através dos tempos) observou que aquilo que era descrito nos tratados alquímicos como “a Grande Obra”, o grande trabalho dos alquimistas, correspondia exatamente ao processo de individuação que ele desvendara na profundeza do inconsciente. Opus (trabalho, em latim) alquímico e processo de individuação (que é a tendência instintiva do indivíduo para realizar plenamente potencialidades inatas, não se trata de “individualismo” ou de pretender tornar-se “perfeito”, mas sim completar-se). Aquele que busca individuar-se, tornar-se completo, terá de aceitar o fardo de conviver conscientemente com tendências opostas, irreconciliáveis, inerentes à sua natureza, tragam estas conotações de “bem” ou “mal”, sejam escuras ou claras.

Para Jung, vindo a ser o indivíduo o que é de fato, o homem não se torna egoísta no sentido ordinário da palavra, mas meramente está realizando as particularidades de sua natureza, e isso é enormemente diferente de egoísmo ou individualismo.

Assim, individuação e transformação alquímica são dois nomes, dados em diferentes épocas, para o mesmo fenômeno. A transformação alquímica passa pelas seguintes fases:

Calcinação: A Calcinação é o aquecimento de uma substância em uma chama até transformá-la em cinzas. Psicologicamente é abandonar o ego/sombra e o apego ao material.

Dissolução: É dissolver em água as cinzas das substâncias que foram dissolvidas anteriormente. Aqui se trata de um mergulho no inconsciente. A mente consciente abandona o controle, permitindo que aquelas partes de nós mesmos que estava enterrado nas profundezas da nossa vida psíquica possa vir à tona.

Separação: Na separação, os produtos da dissolução são isolados e filtrados. Significa rever todo material e decidir o que será separado e o que será integrado. Que partes do ego/sombra favorecem o nosso aprendizado e o que nos atrapalha?

Conjunção: Uma nova substância é formada dos resíduos que resolvemos guardar. Significa que podemos integrar aspectos conscientes e inconscientes em uma única essência, a união das dualidades permite que o verdadeiro Eu (self) possa emergir.

Fermentação: É induzir a quebra dos componentes químicos de uma substância pela adição de uma bactéria ou qualquer outro microrganismo. Psicologicamente é o despertar espiritual, que vai testar a força que se conseguiu obter passando pela fase anterior. O sofrimento produz resiliência, que é a capacidade do indivíduo em lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.

Destilação: Ferver e condensar a solução para incrementar a pureza. É a purificação do espírito, que se obtém quando temos certeza que o ego já não tem controle sobre nós. Assim, podemos apreciar a beleza do self (eu-mesmo)

Coagulação: Transformação ao estado sólido. Psicologicamente é a união da matéria ao espírito, que nos permite entender o mundo sem mais dualidades e ver a vida em todos os níveis de consciência. É similar ao estado de nirvana. É quando, finalmente, encontramos a “Pedra filosofal”, o objetivo final da busca.


Referências

“Jung, Vida e Obra” – Nise da Silveira – Editora Paz e Terra S. A., 1981 – Rio de Janeiro;
“Alquimia”- S. Klossowski Derola- Edições Del Prado, 1996 – Rio de Janeiro.

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Sobre o autor

Tereza Gurgel

Tereza Gurgel

Formada em Psicologia (F.F.C.L. São Marcos - SP). Filiada à ABRATH (Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos) sob o número CRTH-BR 0271. Atua na área Holística com Reiki, Terapia de Regressão e Florais de Bach. Mestrado em Reiki Essencial Metafísico e Bioenergético Usui Reiki Ryoho, Shiki, Tibetano e Celtic Reiki. Ministra cursos de Reiki e atende em São Paulo (SP).

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