Espiritualidade Religiões

Abracadabra!

Silhueta de garoto com céu iluminado de estrelas e lua ao fundo
123RF | Sergey Nivens
David Hugo Peczenik
Escrito por David Hugo Peczenik

Ao longo dos tempos, sempre existiram homens e mulheres em busca de respostas que as religiões não ofereciam. Esses buscadores, muitas vezes, eram marginalizados por não se conformarem com a forma com que as religiões tratavam determinados assuntos, por isso encontravam formas alternativas de enxergar significado em suas questões mais profundas.

Duvidavam das afirmações impostas pelos líderes religiosos, e com isso duvidavam de sua autoridade. Esses buscadores acreditavam em livre-arbítrio, enquanto as religiões falavam em salvação ou castigo, em céu e inferno. A imensa maioria, por medo ou devoção, se mantinha fiel aos dogmas religiosos, mas havia quem acreditasse em outros caminhos para chegar a Deus.

Mulher fazendo experimentos com fumaça azul em volta
Murat esibatir / Pexels

Os alquimistas buscavam respostas trabalhando escondidos em seu laboratório, onde buscavam, entre outros objetivos, transformar chumbo em ouro.

À luz da Cabalá, o chumbo representa a densidade do mundo material, enquanto que o ouro significa a preciosidade, o brilho e o valor incomensurável da esfera espiritual.

A busca dos alquimistas simboliza o caminho que todos podemos empreender para elevarmos nosso nível de consciência, por meio da prática do trabalho espiritual.

Assim como o fogo incandesce e transforma o metal, os desafios diários pelos quais passamos nos refinam, nos lapidam até que elevemos nossa consciência.

Muitos buscadores foram perseguidos e levados à fogueira, sob a acusação de praticarem bruxaria.

Os cabalistas do passado e seus alunos também foram marginalizados, pois concentravam seus estudos em níveis menos óbvios das Escrituras, além de outros documentos. Falavam sobre o poder da mente sobre a matéria, reencarnações, sobre as influências dos corpos celestes sobre os homens e a natureza, recitavam fórmulas para elevar seus níveis de consciência, e davam novas interpretações às passagens do Antigo Testamento, o que era considerado heresia.

A Cabalá resistiu às eras, mas até pouco tempo atrás estudá-la era privilégio de poucos escolhidos, que deveriam ser do sexo masculino, maiores de 40 anos, rabinos ou versados na Lei, e assim mesmo sujeitos ao julgamento, muitas vezes subjetivo, por parte de seus mestres (apesar de a Cabalá ensinar a não julgar).

A partir dos anos 70, a sabedoria da Cabalá começou um processo irreversível de abertura, permitindo, felizmente, que homens, mulheres e crianças de todas as origens, raças e credos pudessem se beneficiar de seus antigos e preciosos ensinamentos.

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Se a Cabalá também foi classificada como bruxaria, misticismo ou estudo ligado ao azar e ao conhecimento do Mal, guarda coisas em comum com os buscadores que foram queimados nas fogueiras do passado.

A própria palavra “Abracadabra” deriva do hebraico, significando “Crio conforme falo”, em alusão ao poder das palavras proferidas.

Se antes o brilho das fogueiras iluminava as noites em sinal de advertência, hoje podemos mostrar a luz de nossa alma em sinal de elevação espiritual.

Sobre o autor

David Hugo Peczenik

David Hugo Peczenik

Judeu, tive meu primeiro contato com a cabala aos 8 anos, por meio do meu avô materno.

Em 1998 me afiliei à Ordem Rosacruz, onde comecei a dar palestras e cursos sobre o tema, no estado do Rio de Janeiro.

Escrevo em minhas páginas do Facebook e Instagram intituladas “O Pomar dos Aprendizes”.

Assinei uma coluna sobre cabala em um jornal online de uma cidade no Rio de Janeiro e fui convidado a escrever um artigo para uma revista de bairro de grande tiragem.

Atualmente realizo lives e dou cursos à distância.

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