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Além da fantasia: a bruxaria da vida real

Pequena bola de cristal cercada por velas vermelhas
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Paola Primão Correa

De forma gradativa, a bruxaria ganhou destaque no imaginário das pessoas. Isso devido ao grande sucesso da literatura na criação de personagens bruxos, que são os responsáveis por incentivar milhares de pessoas a conhecer mais sobre o assunto. Nesse universo, tem-se a incrível J.K Rowling com “Harry Potter” e, igualmente fascinante, James Paterson com “Bruxos e Bruxas”. Agora, se você realmente está curioso para conhecer sobre a bruxaria da vida real, acompanhe esse artigo e saiba a história da bruxaria, do famoso gato preto e das figuras célebres dessa arte!

Vela preta acesa dentro de pequeno pote de vidro. Cartões de tarô em uma pilha, uma chave e pequenas bolinhas de cristal.
123rf – Vera Petruk

Bem, nem tudo foi fácil para os seguidores da bruxaria, e ainda não é, visto que, anualmente, cerca de 500 mulheres são assassinadas segundo dados do Legal and Humans Rights Center (LHRC). Isso porque há pessoas que acreditam que essas mulheres sejam bruxas, resultando em crimes extremamente cruéis, unicamente baseados em fins religiosos.

Na idade média, esses atos eram muito comuns, mulheres eram queimadas vivas supostamente por serem bruxas. No entanto, acredita-se que esses crimes ocorriam por puro interesse em terras, o que torna a bruxaria uma marca sangrenta na história mundial, marcada pela ambição das autoridades à época e a hegemonia da religião cristã, que acusava milhares de mulheres de realizarem pacto satânico.

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A grande questão do medo a bruxaria à época é que, se elas tinham o poder de se conectar com fonte superiores, e assim ofertar a cura, seriam capazes de produzir o mal também, e aí que crescia o medo popular, e legalmente ocorreu a caça às bruxas. Todavia, não se tratava do medo das ervas medicinais que essas mulheres utilizavam, e sim do poder de cura, contrariando a Igreja Católica.

De acordo com a religião, a única cura aceita era a divina, feita por Deus, era se “Deus quisesse”, e não a cura promovida por essas mulheres. Assim, foram acusadas por realizarem pactos demoníaco, sendo submetidas a experimentos para a comprovação se eram ou não bruxas, sempre resultando em mortes, como o método “banquinho ducking”, no qual a acusada de bruxaria era arrastada para um rio ou lago, removia-se as vestes e era amarrada e atirada no rio, se flutuasse era bruxa, então era morta, caso contrário morria afogada, levando-a ao óbito mesmo que não fosse bruxa.

Runas, velas, flores, ervas e objetos mágicos em cima de tábuas de madeira.
123rf – Vera Petruk

É importante frisar que esses crimes ocorreram entre os séculos XV e XVIII, e saber que em pleno século XXI esses crimes de ódio ainda ocorram é realmente lamentável. Mas como toda opinião crítica deve ser formada, esses fatos são importantes para despertar o seu senso crítico em relação ao tema, pois é um assunto pouco debatido e deve ser, sim, assunto de debate!

Assim sendo, o que muitas pessoas não sabem é que a bruxaria está intimamente ligada à natureza. Como somos partes dela, do ponto de vista da religião, é importante cultuá-la. A bruxaria moderna, conhecida como Wicca, caracteriza-se por cultuar a Deusa Tríplice e o Deus Cornífero. Diferentemente de outras religiões, a única regra da Wicca é que o bruxo pode fazer tudo o que quiser, desde que não vá prejudicar o próximo, caso isto ocorra, voltará triplicado a pessoa que o fez. Sendo assim, entende-se que não existem bruxos maus, não na Wicca, pois ela não permite que isso ocorra.

Tá, mas e o gato preto? Pois digo, esse bichinho faz parte da cultura bruxa, por ter sido o animal favorito dessas durante a Idade Média. O gato, inclusive o preto, ao longo da história foi venerado, não só pelas feiticeiras, por serem animais dóceis e inteligentes, mas também no Egito Antigo, onde simbolizava Bastet, a deusa do amor e da humanidade.

Infelizmente, existem pessoas que matam esses bichinhos por acreditarem que eles trazem azar, ideia essa trazida com a Idade Média, por ser o animal favorito das feiticeiras. No Egito Antigo, todavia, não podiam ser machucados e, quando morriam, eram mumificados.

Gato preto deitado no colo de alguém. A pessoa está lendo um livro.
Pixabay – IRINA22

Agora, conheça 4 figuras importantes do universo da feitiçaria:

Aleister Crowley- Nascido na Inglaterra em 12 de outubro de 1874, Crowley estudou poesia na Universidade de Cambridge. Em 1898 recebeu treinamento de algumas das maiores autoridades do ocultismo à época. Em 1907, fundou a Ordem Thelemica com George Cecil Jones. Tornou-se, ainda, líder da Ordo Templi Orientis, ou O.TO. Entre seus temas estava drogas e bissexualidade. Por suas práticas incomuns, passou a ser conhecido como “o homem mais louco do mundo”, sendo acusado de ser satanista. Sua crença era de que a humanidade entrava em uma era de maior controle sobre seu próprio destino, e sua religião, a Thelema, concentra-se no aspecto do máximo respeito ao livre arbítrio humano. Isso o levou a uma relação de ódio completo às convenções tradicionais de uma sociedade que, para ele, era fraca e imbecil. Crowley faleceu aos 72 anos de complicações derivadas de uma bronquite.

Fernando Pessoa- Você não leu errado, esse poeta português não ficou famoso apenas por suas poesias, mas também pelo seu contato com a astrologia e com o ocultismo. Na adolescência, interessado no espiritismo por influência de uma tia, considerava-se um médium e fazia constantes sessões de psicografia. Certa vez, Fernando Pessoa disse: “Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, sutilizando-se até chegar a um Ente Supremo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que tenham criado outros universo, e que esses universos coexistam com o nosso, interior erradamente ou não”. Pessoa faleceu após ser internado sofrendo de cólica hepática, em 1935.

Morgana- Morgaine Le Fay, conhecida também como Morgana das Fadas, é meia-irmã de Artur, filha de Igraine e Gorlois, Duque de Comualha. Na ilha de Avalon, tornou-se a Senhora do Lago, onde esteve sob a doutrina de sua tia Viviane. Em um ritual de Beltaine, Morgana tem um filho com Artur, chamado Gwydion, o qual acabou por se tornar inimigo de Artur, estando sob o novo nome de Mordred, resultou em um duelo do qual nenhum saiu vivo. Em representações literárias, Morgana aparece como amante, irmã ou até mesmo inimiga de Artur.

Nicolas Flamel- Supostamente nascido em 1330, o francês tinha diversas ocupações além do ocultimo: era escrivão, copista e vendedor. Ficou famoso pela sua busca à criação da pedra filosofal, conquistando assim a fama de alquimista. Casado com Perenelle Flamel, dizia que em sua companhia teria criado o elixir da longa vida e realizado a transformação de metais-base em ouro. Curiosamente, tanto Nicolas quanto sua esposa eram católicos fervorosos e, por motivações celestiais, realizavam trabalhos de filantropia junto à comunidade em que viviam. Dentre seus escritos destacam-se O Livro das Figuras Hieróglíficas (1399); O Sumário Filosófico (1409); e Saltério Químico (1414). O alquimista morreu em 22 de março de 1418, fato que motivou pessoas a saquearem a sua casa por estarem buscando a pedra filosofal.

Sala escura com velas acesas, garrafas vazias, entre outros..
123rf – maya23k

Curioso, não é mesmo? Mas há muitos assuntos ainda a serem desvendados em relação ao tema. Sendo dotado de mistérios e infinitas dúvidas, sabemos que todos nós somos um pouquinho bruxos: buscamos a calmaria da natureza longe do tumulto da cidade grande, ingerimos chás por causa dos benefícios proporcionados a quem o ingere, e muito mais. Por isso, é muito importante a luta contra qualquer prática de preconceito, não apenas na ficção que a bruxaria deve ser respeitada, mas na vida real também, todos merecem viver em paz e celebrar a própria cultura religiosa, já existe ódio suficiente no mundo para que a pauta seja a religião do vizinho, respeite e seja respeitado!

Sobre o autor

Paola Primão Correa

Paola Primão Correa

Procuro sempre entender o quanto as relações humanas são importantes, visto que sou estudante de recursos humanos, e é por meio da comunicação que conseguimos alcançar um objetivo comum: transmitir ideias.

Amo escutar música, adoro Walt Whitman e, principalmente, amo escrever, pois assim consigo compartilhar minhas opiniões para que outras pessoas possam refletir junto comigo e assim criarmos um elo comum.

Quando criança sempre questionei assuntos incompreensíveis e, atualmente, sigo com o mesmo objetivo, entender e refletir, para poder assim buscar o aprendizado contínuo, já que entendo que o mais importante é viver a vida intensamente, e nada melhor do que expressá-lá, pois como dissera Walt Whitman “Olhe tão longe quanto puder, há espaço ilimitado lá; conte tantas horas quanto puder, há tempo ilimitado antes e depois”.

Sim, eu amo a vida!