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Afeto, emoção, carinho: entrevista com Fabíola Simões do blog “A Soma de todos os Afetos”

Mulher lendo um livro.
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando estamos num momento difícil, parece até impossível achar uma saída. Achamos que deva ser algo radical, mas, por vezes, alguma tarefa simples pode ajudar a aliviar este doloroso momento. Foi o que fez Fabíola Simões, criadora do blog “A Soma de todos os Afetos”. Num momento difícil de sua vida, resgatou o hábito de escrever e seus escritos se espalharam na web. O que foi pra ela uma terapia, hoje é um blog conhecido no país e com muitos textos compartilhados. Confira a entrevista:

Eu sem Fronteiras: Me fale um pouco de você, onde mora, o que faz…

Fabíola SimõesA Soma de todos os Afetos: Meu nome é Fabíola Simões de Brito Lopes, tenho 42 anos e sou mineira do sul de Minas Gerais (Itajubá). Sou casada há 15 anos e tenho um filho de 10 anos. Sou dentista, formada há 21 anos, e atuo como endodontista num Centro de Saúde na cidade de Campinas, cidade que me acolheu logo depois que me formei.

Eu sem Fronteiras: Como nasceu “A soma de todos os afetos” e quando?

A Soma de todos os Afetos: O blog “A Soma de todos os Afetos” nasceu em maio de 2012. Nesta época, eu fazia terapia e estava enfrentando um problema familiar. A terapeuta sugeriu que eu me dedicasse a algo que me desse muito prazer e eu só pensava em cuidar do meu filhote que tinha 6 anos. Mas então me lembrei de que escrever era uma atividade que me fazia muito feliz, e eu tinha abandonado o hábito desde que me tornara mãe. Então, naquele maio de 2012, pesquisei no Google como fazia para começar um blog e escrevi meu primeiro texto.

Eu sem Fronteiras: Você primeiro começou a escrever no site e depois lançou o livro? Como foi esse processo?

A soma de todos os afetos

A Soma de todos os Afetos: Primeiro comecei a escrever no blog, e não sonhava em ser lida por alguém. Escrevia para entender a vida, colocar as ideias livremente no papel, desabafar, falar sobre amadurecimento, amor, dúvida, recomeços. Com o tempo, comecei a receber o retorno das pessoas e, em dezembro de 2012, resolvi começar uma página do blog no Facebook. Mas nesta época eu ainda não assinava meu nome; usava o pseudônimo de “menina flor”. A página no Facebook foi crescendo mais do que eu esperava e, quando já tinha cerca de 500 mil seguidores, veio a ideia do livro. Eu já tinha mais de 100 crônicas escritas no blog e acabei selecionando grande parte delas para comporem o livro. Inicialmente, o livro sairia somente no formato digital, mas, por insistência de algumas pessoas (minha mãe inclusive), acabei optando pelo formato impresso também. Infelizmente, o livro não foi distribuído nas livrarias, mas pode ser obtido pela loja Book 7.

Eu sem Fronteiras: Seus textos são bem delicados e muitas pessoas se identificam e compartilham nas redes sociais. Como você lida com isso?

A Soma de todos os Afetos: Gosto desta identificação. Entendo que minhas questões mais íntimas fazem parte do universo de muitas pessoas e que, de certa forma, consigo ajudá-las a entender suas questões também. Gosto de ver minhas frases e textos serem compartilhados e fico feliz quando recebo uma mensagem dizendo que ajudei alguém. Infelizmente não tenho tido tanto tempo de responder as mensagens, mas faço o possível para responder todas elas.

Eu sem Fronteiras: As pessoas também escrevem para você pedindo dicas?

A soma de todos os afetos.A Soma de todos os Afetos: Sim. Recebo alguns e-mails de pessoas com problemas pessoais, términos de namoro, cartas escritas e não entregues etc. Porém, não tenho formação em psicologia e por isso posso ajudar muito pouco. Na medida do possível, tento colaborar.

Eu sem Fronteiras: Seu site também conta com a ajuda de colaboradores. Foi você quem os convidou? Como tudo aconteceu?

A Soma de todos os Afetos: Até fevereiro de 2016, o blog era menor e só eu escrevia os textos. A partir desta data, firmei uma parceria com a psicóloga e empresária Josie Conti, do site Conti Outra, e o blog cresceu, passando a receber a ajuda de colaboradores. Muitos colaboradores foram selecionados pela Josie Conti e outros entraram em contato comigo, enviaram textos para uma seleção e foram aprovados.

Eu sem Fronteiras: Seus textos que falam de emoções, solidão e tristeza também são bem compartilhados. Você acha que neste momento atual as pessoas estão mais introspectivas?

A Soma de todos os Afetos: Acho que as pessoas buscam alguém que lhes diga que aquilo que estão sentindo é normal, que nem sempre todo mundo é só feliz e que, de vez em quando, é normal nos sentirmos cansados, desanimados e até tristes. Minha intenção não é valorizar a solidão nem a tristeza, mas sim ser solidária com quem está passando por isso. Acho que as pessoas estão mais introspectivas sim; em comparação com a sociedade em que vivíamos há vinte anos, está tudo bem diferente. Acho que as pessoas estão mais sozinhas também.

Eu sem Fronteiras: O que você faz para deixar o seu dia mais feliz?

A Soma de todos os Afetos: Pra me deixar feliz não precisa de muita coisa. Estar com meu filho de manhã, levá-lo à escola depois do almoço, tomar um café com minha mãe e dividir uma taça de vinho com meu marido no jantar são receitas que me deixam feliz num piscar de olhos. Também adoro escrever, assistir a filmes e séries no Netflix, viajar e cuidar do blog.

Eu sem Fronteiras: O que tem a dizer para uma pessoa que está passando por um momento difícil?

A Soma de todos os Afetos: Que encontre algo que realmente goste de fazer para ocupar sua cabeça neste momento difícil. Aconteceu comigo e, quando eu estava na pior fase, achando que não tinha mais como voltar à superfície, descobri que podia me recuperar escrevendo. Ore, peça a Deus uma luz e se envolva numa atividade que realmente lhe dê prazer. Acho que, quando a gente canaliza o sofrimento pra alguma atividade realmente prazerosa, o rendimento é muito grande.


  • Entrevista realizada por Angélica Weise da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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