Convivendo

Aglomerados e suas dores

Aglomerado de pessoas
Satina / 123rf
Escrito por Andrea Pavlo

Num tempo em que todas as atenções se voltaram para o coletivo, pensando na pandemia do coronavírus, que começou em 2020 e infelizmente ainda não acabou, acho interessante falarmos um pouco sobre o inconsciente coletivo. Estamos vendo pessoas se aglomerando em festas e eventos como se nada estivesse acontecendo e, por outro lado, vemos outras pessoas absolutamente atônitas com essa realidade. Se todos fazemos parte do mesmo time tentando nos proteger contra uma doença que pode matar até 5% das pessoas que a contraem, por que algumas pessoas fazem festas enquanto outras mantém o isolamento?

Podemos achar que é só uma falta de caráter, mas acho que o buraco é mais embaixo. Não que não existam pessoas sem caráter fazendo esse tipo de coisa, mas não acredito que seja a maioria. O que você vê são pessoas de todas as classes, situações financeiras e de todos os credos tendo atitudes absolutamente irracionais. E sim, elas são irracionais, estão seguindo padrões inconscientes.

Quais são os padrões de então? Na realidade, não tem como saber. Pode ser algum tipo de tentativa de negar os fatos, um mecanismo coletivo de defesa, uma maneira de ser Maria vai com as outras, por exemplo, pois já que todo mundo vai eu também vou. Ou até mesmo, um certo impulso suicida e por que não dizer, homicida de funcionar.

A questão é que as pessoas fazem coisas por algum motivo e é esse o grande problema. A maioria dos seres humanos não se responsabiliza pelos seus próprios atos e, na maioria das vezes, isso se dá por falta de consciência.

Tudo o que não conhecemos sobre nós mesmos está dentro do nosso inconsciente e tudo o que não conhecemos sobre o coletivo está dentro do inconsciente do coletivo. Então, as motivações podem ser de várias espécies. A realidade, no entanto, é que, conforme disse Freud, a humanidade mantém o seu padrão de pulsão de morte.

Mulher olhando para o lado, pensativa
Jacob Lund / Canva

Resumindo muito, mas muito mesmo é o mecanismo homeostático do coletivo. É mais ou menos como tentar equilibrar o número de nascimento com o número de mortes. E sim, eu sei que esse é um assunto macabro e muito difícil de engolir. Precisamos, porém, lidar com as sombras do humano principalmente quando falamos das sombras do coletivo.

A Segunda Guerra Mundial matou 75 milhões de pessoas. Ela durou por volta de cinco anos e foi totalmente provocada por seres humanos. Por mais que aglomerar numa praia pareça uma atitude homicida, como já citei acima, está bem longe de ser o pior da humanidade. E não, não estou concordando com as aglomerações. Só estou tentando entender o porquê de elas acontecerem.

Será mesmo que o mundo ideal, dentro dessa matrix em que vivemos, é um mundo cheio de passarinhos e de arco-íris? Todo bem precisa do mal para equilibrar, todo Yin precisa do seu Yang e, no grau de consciência humana em que vivemos, ainda é difícil que consigamos bater o martelo e dizer que todos são bons ou que todos são maus.

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Ao invés, porém, de nos conectarmos a essa energia, o melhor que temos para fazer é manter a nossa consciência. Se dentro da sua consciência existe o isolar-se, o pensar no todo, saiba que isso o coloca em um outro patamar, mas quando entramos no julgamento, sem considerar todas as variáveis, estamos sendo como eles. Não é fácil engolir essa verdade, porém o mundo vai continuar a ter absurdos e problemas. Não vamos nos livrar da nossa sombra tão cedo.

Sobre o autor

Andrea Pavlo

Psicoterapeuta holística, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e outros assuntos de várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa. Mãe da Nina, de quatro patas, gosto de viajar, ler e sempre continuar estudando.

E-mail: contato@andreapavlo.com