Autoconhecimento

Aos que já são pais ou ainda esperam ser

Família andando de mãos dadas em um caminho de folhas. Um menino. Uma menina. Um homem. Uma mulher. Todos usam roupas de frio.
Bluma Hausswolff
Escrito por Bluma Hausswolff
Eis a situação: a minha filha sentiu vontade de voltar para casa porque achou que estava arrumada de forma diferente das outras crianças que iam para o mesmo evento que ela. De algum modo, ela não se sentiu acolhida em sua forma de ser, talvez autêntica. E ali eu lembrei de mim, há anos, quando enfrentava as angústias da pré-adolescência. Meu coração apertou e eu a chamei para uma conversa de fortalecimento. Ela saiu bem, decidida.

No entanto me ocorreram algumas reflexões…

Trabalhe e aposte na autoestima do seu filho! A autoimagem é um assunto sério, nada supérfluo e que, embora esbarre nas tendências do ego e da vaidade (prejudicial quando mal administrada), também não está longe dos valores morais, éticos e da construção de caráter desses pequenos.

Trabalhe e aposte na autoestima do seu filho! Porque ao empoderá-lo diante das suas qualidades únicas, você não só estará o preparando para trilhar uma vida independente, segura e bem-sucedida física e emocionalmente, você não apenas estará o preparando para ter uma postura de resiliência diante dos sacolejos e choques da vida (porque, sim, existirão!), mas também estará colocando tijolos bem sedimentados na desenvoltura desses futuros adultos em seus relacionamentos.

Mãe e filha batendo as mãos. Ambas negras. A mãe usa amarelo. A filha usa uma blusa listrada em preto e branco.

Relacionamentos não se restringem aos tricôs românticos. E, a propósito, esses também existirão, prepare-se: não os coloque em uma bolha. Relacionar-se, na verdade, é uma teia de conexões praticamente ininterruptas. Se trata de uma questão interpessoal, que começa desde como as pessoas se relacionam com o seu meio externo, a sua casa, o seu quarto e o seu planeta até como o fazem com quem os cerca: amigos, familiares, concorrentes, colegas de atividades.

Para cuidar e inspirar cuidado diante de tudo o que nos envolve, caminhando por meio de um panorama de respeito, é necessário, sim, primeiramente, ter uma consciência de autorrespeito. Saber quem se é nos leva até o famoso “tornar-se quem se é”, ou seja: nos faz colocar para fora o potencial que subsiste em nós. É um processo gradativo, às vezes doloroso, mas que forma seres brilhantes, extremamente fortes e gentis.

Exaltar a autoestima nada tem a ver com aquele tipo de enaltecimento que é cego diante dos defeitos que também precisam ser trabalhados. O amor alienado das partes feias, digamos assim, mais torna frágil o objeto amado do que o fortalece. E pouco o prepara para os momentos de perda ou lacunas. Pois a vida e nós, calejados, sabemos que não se resume ao ambiente confortável que (quase) todos nós nos esforçamos para criar para os nossos. Filhos não são propriedades – ou sonhos.

Pai e filhos sentados no sofá. Eles mexem em um tablet. Menina e menino usam camisetas brancas. Pai usa blusa azul de mangas longas.

Filhos têm os próprios sonhos.

Trabalhe e aposte na autoestima do seu filho, sim. Ao fazer isso, de alguma forma você estará modificando e ingerindo em uma parte do mundo, da sociedade. Filhos seguros de si tornam-se pessoas empáticas e escorregam menos em sentimentos pobres ou em posturas mesquinhas, como a da inveja, fofoca ou bullying. Afinal, quem nunca foi vítima dessas chacotas nada saudáveis?

Crianças seguras do seu brilho não sentem a necessidade inconsciente de oprimir o brilho do coleguinha ou de sujeitá-lo ao isolamento punitivo.
Pelo contrário, são crianças democráticas e inclusivas. De bondade não seletiva.

Apostar na autoestima do seu filho é um ato que reverbera e ecoa por meio dos outros. É dar mais uma chance ao próprio mundo, à possibilidade de ser arquitetado e habitado com decência.

 


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Sobre o autor

Bluma Hausswolff

Bluma Hausswolff

Bluma S. Hausswolff nasceu em Milão - Itália. É bailarina, escritora, autodidata e autônoma. Estuda Psicanálise e outros vícios que a libertam. Sua missão, ela acredita, é tocar o âmago e expandir o potencial (de) ser humano.

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