Terapias

Equoterapia: socialização que promove a autoestima e a autoconfiança

Menina sorrindo em sessão de equoterapia sobre cavalo,
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Em 9 de agosto é comemorado o Dia Nacional da Equoterapia: o método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial – por meio de fatores biológicos, psicológicos e sociais – de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais. Além de trazer muitos benefícios para quem está no processo de reabilitação de alguma doença ou deficiência, esse tipo de terapia tem sua eficácia comprovada no desenvolvimento cognitivo e afetivo, além do psicomotor, que é o caso dos movimentos corporais governados pela mente.

Quem tem animais de estimação em casa sabe o quanto esses bichinhos fazem a alegria de todos até nos dias mais difíceis e quando profissionais da saúde e pesquisadores perceberam que eles também podiam ajudar no tratamento de diversas enfermidades e melhorar a saúde humana bastou unir o útil ao agradável; além da equoterapia e de outros tipos de tratamentos com animais, a terapia assistida por animais, ou TAA, consiste em tratamentos na área da saúde, em que um animal é coterapeuta e auxilia o paciente a atingir os objetivos propostos para o tratamento. Muitas instituições e ONGs também trabalham levando esses animais até escolas, hospitais e centros de recuperação.

Menino sorrindo em cima de cavalo em equoterapia.

Outrossim, vários artigos e pesquisas falam sobre a capacidade animal de promover um equilíbrio espiritual na vida dos donos, ajudando a limpar a alma e energizar seus dias, diminuindo significativamente a negatividade e a infelicidade que é absorvida da vida lá fora. É convivendo com os bichinhos de estimação que se pode aprender valiosas lições, e essa experiência torna, inconscientemente, o ser humano melhor em aspectos impensáveis e que precisavam de melhorias e, assim, passa-se a usar a energia para boas ações e para exercer atividades construtivas.

Voltando à equoterapia…

Apesar de grandalhões, os cavalos, desde o primeiro contato, traçam uma relação de amizade e afeto, criando um ambiente favorável que pode aliviar o estresse e gerar segurança, além de desenvolver novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima no paciente. Falando em questões motoras, o principal motivo da utilização do cavalo na habilitação ou reabilitação se dá por causa do movimento ritmado, repetitivo e simétrico que o passo do animal transmite ao praticante. Os estímulos são transmitidos repetidamente para o sistema nervoso central, desencadeando respostas positivas, como ganho de equilíbrio corporal, adequação do tônus muscular e estimulação do desenvolvimento motor, para se chegar à marcha e/ou maior independência funcional.

Menino sobre cavalo cumprimentando equoterapeuta.

O cavalo ideal para a equoterapia precisa seguir os seguintes requisitos: o animal deve ser um atleta; fazer andamentos de forma suave e com harmonia; deve ter o passo ritmado, cadenciado, de baixa frequência, com possibilidade de baixa e alta velocidade, sem mudar a cadência; altura máxima de 1,55 metro; ter o dorso mediano; garupa não muito horizontal nem muito vertical; deve ter um bom engajamento natural; deve possuir linhas harmônicas; e ter muitos bons aprumos. Além disso, o tratamento é indicado para pessoas de qualquer idade, contudo ela pode ser uma terapia complementar muito importante em casos como síndrome de Down, paralisia cerebral, esclerose múltipla, sequelas de acidentes e cirurgias, doenças genéticas, ortopédicas e musculares, acidente vascular cerebral (AVC), trauma cranioencefálico, atraso maturativo, autismo, falta de coordenação motora, deficiência visual, deficiência auditiva etc.

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Para garantir o bem-estar e o desenvolvimento do praticante, as atividades equoterápicas devem ser desenvolvidas por equipe multiprofissional com atuação interdisciplinar, que envolva o maior número possível de áreas profissionais nos campos da saúde, educação e equitação, e o paciente só deve iniciar o atendimento equoterápico mediante parecer favorável em avaliação médica, psicológica e fisioterápica. Inclusive, devem ser feitos acompanhamento da evolução do trabalho e avaliação dos resultados obtidos, por meio de registros periódicos e sistemáticos das atividades desenvolvidas com os praticantes.

Mulher fazendo carinho na face do cavalo.

A equoterapia é contraindicada para alguns pacientes, e estes devem ter mais cuidado com a técnica.
Os principais são aqueles que têm: escoliose estrutural acima de 30 graus; cardiopatia aguda; hérnia de disco; hidrocefalia com válvula; alergia ao pelo do cavalo; subluxação e luxação de ombro ou dos quadris. Por isso, é de extrema importância que a prática dessa terapia seja realizada apenas com pacientes que foram aprovados na avaliação médica.

A técnica foi reconhecida em 1997 pelo Conselho Federal de Medicina, contudo a equoterapia se tornou popular após a Primeira Guerra Mundial, quando os soldados que voltavam da guerra com sequelas físicas e mentais eram colocados para cavalgar, devido ao grande número de animais disponível, e passavam a apresentar melhoras em todos os aspectos. Como parte de estudos acadêmicos, essa modalidade de terapia teve uma atenção tardia e o primeiro centro de equitação para pessoas com deficiência surgiu em 1967, nos Estados Unidos. No Brasil, o método passou a ser valorizado a partir de 1989, em atividades equestres realizadas na Granja do Torto, em Brasília.

Combatentes à cavalo na Primeira Guerra Mundial.

Nos dias de hoje, o órgão oficial de equoterapia – que, inclusive, foi quem patenteou esse nome – é a Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), que se encontra no mesmo endereço de quando surgiu, no Distrito Federal. E há mais de 200 centros de equoterapia brasileiros, que podem ser consultados por região no site: http://equoterapia.org.br/submit_forms/index/miid/148/a/us/sfid/3.

Para quem ficou com vontade de ser um equoterapeuta, saiba que é preciso formação universitária nas áreas de saúde ou humanas, além do curso de equoterapia reconhecido pela Ande-Brasil. Na Associação de Equoterapia em Brasília, são oferecidos o curso básico em equoterapia, avançado em equoterapia, aprimoramento em equoterapia, equitação para equoterapia e especialização em equoterapia. O único curso que não exige graduação é o de equitação para equoterapia, no entanto, é preciso habilidade no manejo e montaria do cavalo nos três passos.

Equoterapeutas auxiliando menino a montar à cavalo.

A formação profissional e o preparo específico na técnica são importantes na equoterapia e os equoterapeutas podem ter a formação em diferentes áreas, como medicina, fisioterapia, psicologia, educação física, terapia ocupacional, pedagogia e fonoaudiologia. E por sua vez o equitador, que muito embora não necessite de uma graduação, precisa do curso de formação da Ande-Brasil.

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