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Amamentar

Será por acaso que na palavra “amamentar” está contida a palavra “amar”?

Se for uma coincidência, é uma bem bela, pois amamentar é um ato de amor. O leite é nutrição, a sucção é prazer e conforto, o colo da Mãe é carinho, é segurança, é tudo o que o bebê necessita nos primeiros meses: da Mãe.

Evidentemente, há mulheres que optam por não amamentar, ou muitas vezes até querem e não conseguem, e isso não impede em nada que se atendam às mesmas necessidades de nutrição do bebê, ou de carinho, atenção, segurança e conforto.

Uma mulher abraçando o seu bebê.
studioroman / Canva

A ciência tem comprovado os incríveis benefícios da Amamentação não só para o bebê que mama mas também para a mãe que amamenta.

Já está comprado cientificamente que não existe leite fraco, o leite da mãe é perfeito para o seu filho; e a quantidade de leite é produzida consoante a demanda do bebê: quanto mais ele suga, mais leite é produzido, e quanto menos o bebê mama (seja sucção nutritiva ou não) menos leite é produzido.

Benefício para o Bebê

O leite materno tem a quantidade perfeita de água e alimento (todos os nutrientes necessários para o bebê).
Estudos científicos comprovam que a composição do leite materno se vai alterando à medida que o bebê cresce e o leite passa de alimento exclusivo a alimento complementar e na medida das necessidades nutricionais da criança.

A amamentação também é contacto, que é importantíssimo para a conexão mãe-bebê e para o desenvolvimento emocional da criança.

Os bebês amamentados estão mais protegidos contra infecções, gastroentrites, gripes, entre outras doenças comuns das crianças. Quando comparados com os bebês que bebem fórmula, têm metade das probabilidades de sofrerem de morte súbita infantil.
Amamentar um bebê que está doente não só lhe garante a nutrição mas também ajuda o seu sistema imunológico, garante o professor Hartamn da Universidade da Austrália Ocidental.

Já foi estudado que o leite materno ajuda também o desenvolvimento do cérebro e o sono do bebê.

Amamentar é muito mais econômico que dar leite de fórmula e também muito mais prático. Não é preciso lavar e desinfectar biberões, ou andar com essa parafernália toda atrás quando é preciso sair de casa.

Benefícios para a Mãe

A amamentação também tem muitos benefícios para a mãe que amamenta; a começar na primeira mamada, logo após o parto, que ajuda o útero a encolher, o que reduz significativamente uma perda de sangue excessiva.

A Oxitocina ou a chamada “Hormona do Amor” é libertada no corpo da mulher cada vez que o bebê suga o mamilo. Este composto químico faz com que a mãe se sinta calma e relaxada e pode agir como um anti-depressivo.

Uma mulher amamentando o seu bebê.
halfpoint / Canva

A amamentação prolongada também ajuda a mãe a perder alguns quilos que possa ter ganho na gravidez ou em alternativa permite-lhe comer um pouco mais sem engordar.

Entre os benefícios da amamentação para a mulher que amamenta estão a remineralização dos ossos e o aumento do Qi, segundo o Professor Hartamn. Por isso é normal as mães se sentirem super mulheres e conseguirem executar tarefas que não conseguiam antes.

Amamentar nos dias de Hoje

Se por um lado há mulheres que estão informadas sobre os benefícios da amamentação, mas que mesmo assim, por razões próprias (e com certeza válidas) decidem não amamentar os seus filhos,
há mulheres que querem amamentar e não conseguem. E há o outro grupo de mulheres que querem amamentar, conseguem, mas que se sentem muito pressionadas pelo parceiro ou parceira, ou até outros elementos da família, sejam avós, tios, tias ou irmãos, para satisfazer as próprias necessidades.

Se era habitual que aquela Mãe, antes de ter o bebê, fizesse o almoço, tratasse das roupas e ainda fosse às compras, depois de ter o bebê e estando a amamentar é normal que não tenha tanto tempo para executar as mesmas tarefas que sempre fez. O membro ou membros da família que vivem com ela podem expectar que a mulher, agora Mãe, continue a fazer as mesmas tarefas para além de cuidar do bebê e de amamentar, criando pressão nessa Mãe e consequentemente nesse bebê.

Outra situação que também ocorre é o próprio parceiro ter ciúmes da relação Mãe-Bebê, até porque essa mulher deixa de ter tanto tempo e energia para dar atenção e carinho ao companheiro.

Essa pressão que é criada à volta da Mãe/mulher, de que “tem que voltar à normalidade”, perder peso, fazer tarefas domésticas, trabalhar fora, sair, namorar e fazer tudo como se não tivesse sido Mãe, cria em algumas Mães (dependendo do caso) uma ansiedade que se transforma muitas vezes num leite que seca ou no desmame precoce do bebê por esgotamento físico e/ou emocional da Mãe.

Uma mulher com um semblante triste abraçando o seu bebê.
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Noutros casos, todas as pessoas (família, amigos, “entendidos da internet” etc) que rodeiam a recente Mãe, normalmente de primeira viagem, dão tantos conselhos e dicas, muitas vezes sem fundamento, diferentes pontos de vista, que acabam por confundir a Mãe, deixando esta sem saber que ela é a pessoa em quem mais deve confiar – em si própria – que como Mãe tem a intuição mais aguçada e sabe o que é melhor para si e para o seu filho.

“É preciso uma aldeia para criar uma criança.” Esta frase icônica diz-nos algo de muito verdadeiro e que, dado à forma como a nossa sociedade está construída, fica difícil de concretizar.

A frase diz-nos que a criança tem tantas necessidades que deve estar rodeada de pessoas diferentes, de diferentes idades (as da aldeia/comunidade/casa dela) e que é suposto que toda aldeia trabalhe em função de educar a criança (ou crianças).

Para isso existem tarefas para cada pessoa: uns cozinham, outros tratam das roupas, outros fazem compras e recados, outros tratam das limpezas e executam pequenos arranjos na aldeia para que a Mãe possa estar livre para amamentar e cuidar do bebê.

Às vezes também são necessários outros braços para que a Mãe também possa cuidar de si própria. Por vezes, ajudar a criar crianças é fazer outras tarefas que indiretamente estão ligadas à criança.

Pai, mãe e filho colocando as mãos uma em cima da outra.
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Vivemos num tempo e numa sociedade em que, na grande maioria das vezes, estamos mais isolados, vivemos menos em comunidade e o que acontece é as crianças serem criadas por uma Mãe e um Pai, e outras até só por uma Mãe, ou só por um Pai, o que torna o trabalho da criação muito mais difícil.

O desafio da amamentação passa por uma consciencialização dos seus enormes benefícios e dos obstáculos que podem atrapalhar a que esta se concretize da melhor forma.

Pode ser necessário recorrer a uma Conselheira de Aleitamento Materno para ajudar nos primeiros dias/semanas/meses de amamentação. Estas conselheiras têm ajudado (e muito!) as mulheres que querem amamentar os seus filhos e estão a encontrar algumas dificuldades.

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Como todas as coisas boas da vida, não é fácil, por vezes exige trabalho e dedicação da Mãe e das pessoas que a rodeiam, mas vale MUITO a pena.

Este texto foi escrito enquanto eu amamentava o meu bebê durante o seu sono.

Sobre o autor

Daniela Crespo

Tenho formação superior na área de ciências agrárias (agricultura biológica), mas a minha área de estudo pessoal e autodidata vai muito além disso. As minhas áreas de interesse vão além da agricultura biológica/orgânica, natural, biodinâmica, permacultura. Interesso-me muito pela natureza, sustentabilidade ambiental, alimentação natural, cura natural pelas plantas e também por toda a área da cura energética, por meio do reiki, ioga, meditação, entre outras técnicas.

Acredito que todas essas áreas estão ligadas e que todas contribuem para a saúde e bem-estar do indivíduo e do planeta Terra.

A minha missão passa por ensinar, dar dicas de como ter uma vida melhor ao mesmo tempo que cuidamos de nós próprios e nunca esquecendo a nossa mãe, Gaia, que nos alimenta, nos nutre em vários sentidos e à qual devemos uma enorme gratidão.

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