Mitologia grega

Ártemis: a deusa da Lua

Lua e estrelas brilhantes no céu
Alex Andrews/Pexels
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Ártemis, também conhecida como Artemisa — para alguns, Diana — é uma deusa grega relacionada à caça e à vida selvagem. Com o decorrer do tempo, se tornou deusa da Lua e da magia. A deusa era uma das filhas de Zeus e Leto, e irmã gêmea do deus do Sol, Apolo. O povo de uma cidade da Mesopotâmia chamada de Acade acreditava que ela era a filha de Deméter, deusa do cultivo, da colheita e da agricultura. Também considerada deusa do parto e protetora das meninas, Ártemis foi retratada como a caçadora mais eficiente entre todos os deuses e todos os mortais. Assim como o seu irmão Apolo, a deusa também tinha o dom do arco e flechas.

Origem e história de Ártemis

– Nascimento

Ilustração de Ártemis ao lado de animais
macrovector/123RF

Existem diversos relatos que pairam sobre a história do nascimento de Ártemis e Apolo, seu irmão gêmeo. Mas, dentre as tantas especulações, existe um ponto em comum entre todas elas: todas as versões consentem que ela realmente era filha de Zeus, o deus supremo, e Leto, deusa do anoitecer, sendo, também, irmã gêmea de Apolo.

A história que mais prevalece é a que Hera, esposa de Zeus na época, possuída pelo ciúme devido ao seu marido ter a traído com Leto, quis impedir o trabalho de parto da mesma, prendendo a deusa que fazia os partos na época. Como o povo daquela região temia muito a Hera, ninguém ofereceu nenhum tipo de ajuda à Leto, mas Poseidon levou-a para uma ilha flutuante, intitulada Delos. Depois de alguns dias, Hera libertou Ilícia, ao receber um certo pagamento, e a deusa dos partos foi até a ilha em que Leto estava para lhe ajudar a dar à luz. Para que isso fosse possível, Zeus teve que distrair Hera. Sendo assim, depois de nove noites e nove dias, Leto pariu Ártemis e Apolo. A lenda afirma que a deusa da Lua nasceu primeiro do que o seu irmão, o deus do Sol.

– Infância e juventude

Não existem muitos relatos sobre a infância de Ártemis. A Ilíada limitou a imagem da deusa a uma simples figura feminina que, após sofrer por um golpe de Hera, recorre ao pai, Zeus, aos prantos.

O mitógrafo grego Calímaco escreveu um poema em que narra o início da infância da deusa da Lua. Nele, ele conta que, com apenas três anos de idade, Ártemis pediu a Zeus que lhe concedesse seis pedidos: que ele a mantivesse sempre virgem (ela não queria se casar); ser a deusa que possuía a luz; ter diversos nomes que pudessem diferenciá-la de Apolo; dominar todas as montanhas; ter sobre o seu domínio sessenta ninfas para serem sua companhia e ter o dom do arco e flechas e uma túnica longa de caça para iluminar o mundo.

Por crer que tinha auxiliado a sua mãe durante o parto de Apolo, Ártemis cria que ela tinha a incumbência de ser parteira. Todas as mulheres que a acompanhavam não se casavam e permaneciam virgens; inclusive, Ártemis observava de perto tal castidade. Os símbolos que representam a deusa da Lua são: arco e flechas, o veado, a Lua e os animais de caça.

Segundo relatos de Calímaco, Ártemis passou boa parte da sua infância procurando por coisas necessárias para que ela pudesse ser uma caçadora; e, a partir dessa busca, ela encontrou o seu arco e flechas em uma ilha chamada Lípara. A deusa da Lua iniciou as suas caçadas acertando árvores e galhos com as suas flechas, mas, com o passar do tempo, começou a disparar contra os animais selvagens.

– Castidade

Como nunca quis casar e decidiu manter-se virgem, Ártemis era um forte alvo de diversos homens e deuses. Mas foi Órion, um gigante caçador, que ganhou os seus olhares românticos. Órion morreu por conta de um acidente, causado por Gaia ou por Ártemis.

Ártemis viveu e presenciou algumas tentativas masculinas contra a sua virgindade e a fidelidade de suas companheiras. Em um momento, a deusa da Lua conseguiu escapar do deus do rio, Alfeu, que ansiava capturá-la. Algumas histórias afirmam que Alfeu tentou forçar Arethusa (uma das ninfas de Ártemis) a manter relações sexuais com ele, mas Ártemis protegeu a sua companheira transformando-a em uma fonte.

Mais tarde, Bouphagos é golpeado por Ártemis, após a deusa ler os seus pensamentos e descobrir que ele desejava estuprá-la; assim como Sipriotes, que vê Ártemis tomando banho sem querer, mas ela o transforma em uma menina.

Mito de Ártemis

Floresta com diversas árvores e um céu com nuvens
thiago japyassu/Pexels

O mito de Ártemis declara a história de uma deusa completamente diferente de todas as outras. Ela era uma deusa que não se envolvia e nem atrapalhava as relações dos outros, e muito menos permitia que homens ou deuses chegassem perto do seu corpo físico. Seu apreço maior era pela liberdade diante da natureza. Ártemis se sentia completa quando estava em contato com os animais.

Por ser uma das deusas mais importantes da mitologia grega, Ártemis se tornou um forte símbolo feminino. Em seu mito, existem duas facetas: as mulheres que não suportam e não desejam ter contato com homens e ainda negam a presença dos mesmos, e a outra é a da deusa que usa uma túnica longa para andar pelos campos e vive cercada por animais selvagens; ao mesmo tempo que ela caçava os animais, também era amiga deles.

Órion foi o único homem que teve relevância na vida de Ártemis, mas algumas pessoas acreditam que ele foi apenas um companheiro de caça, enquanto outras creem que ele foi o amor da vida dela.

– Culto de Ártemis

Seus cultos mais famosos aconteciam na cidade em que nasceu, em uma ilha chamada Delos. Ártemis sempre foi retratada em pinturas, desenhos e estátuas em que ela sempre estava rodeada pela natureza, com um arco e flechas na mão na companhia de um veado. Em seus ritos, algumas pessoas sacrificavam animais em adoração a ela.

Existe um mito que afirma que um urso visitava frequentemente Brauro, onde havia o santuário de Ártemis em que diversas meninas jovens foram enviadas para servirem à deusa por cerca de um ano. Como tal urso era um visitante regular, ele era alimentado pelo povo e, com o passar do tempo, acabou se tornando um animal domesticado. Havia uma menina que sempre brincava com o animal e algumas versões desse mito afirmam que ele firmou as suas prezas nos olhos dela, ou que ele a matou. Mas, de qualquer forma, os irmãos dessa moça deram um jeito de matá-lo, porém Ártemis ficou irada. Ela impôs que as meninas se comportassem como um urso enquanto estivessem em seu santuário, como remissão pela morte do animal.

Os seus cultos eram cheios de meninas jovens que dançavam e adoravam Ártemis, como a deusa as ensinava. Seus ritos eram extremamente relevantes na Grécia Antiga, tanto que ela ganhou um templo para si em Éfeso — hoje é tido como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

Arquétipo de Ártemis

Mulher se olhando em um espelho quebrado
Ismael Sanchez/Pexels

Ártemis representa ambiguidade ou as duas facetas femininas: a que cuida e a que destrói; a que compreende e a que mata. Mesmo com a sua decisão de manter-se virgem, Ártemis também era amorosa, ao mesmo tempo que alimentava a sua vaidade e o seu apreço pela vingança.

Muitos demonizam a imagem desta deusa, mas outros buscam entender o seu arquétipo de uma forma em que seja possível enxergar um modelo feminino que se sobressaia diante de uma sociedade masculina: em sua história, ela é quem toma as suas decisões; ela decide o que quer fazer e como fazer; ela lida com as suas escolhas e se mantém firme diante das suas atitudes.

Imagem de Ártemis

Ártemis é representada como uma mulher de cabelos presos que carrega o seu arco e flechas, por ser considerada deusa da caça e protetora dos animais selvagens. Em sua representação mais comum, ela é vista segurando um veado com uma de suas mãos.

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