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Afrodite: a deusa do amor e da beleza

Imagem em preto e branco do busto da deusa Afrodite
Foto por Evgenii Bashta no 123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Entre os deuses e deusas da mitologia grega está Afrodite, uma das mais conhecidas. Aprenda um pouco mais sobre a irresistível deusa grega do amor, da beleza e da sexualidade!

O nascimento de Afrodite

Cronos, para assumir o governo do Universo, cortou a genitália de Urano e a jogou no mar, formando uma grande onda de espuma manchada de sangue e misturada à carne cortada, de onde surgiu, já adulta, de beleza única e estonteante, Afrodite.

Afrodite, segundo algumas versões, teria nascido próximo a Pafos, na Ilha de Chipre (motivo pelo qual é também chamada de “Cípria”), onde haviam sido cultuadas as deusas Ishtar e Astarte. Outras versões apontam sua origem ligada à Ilha de Citera, situada entre Creta e o Peloponeso, sugerindo que o culto à Afrodite teria sido levado do Oriente Médio até a Grécia Continental.

Há um entendimento de que Afrodite seria a deusa grega para a semítica Astarte dos povos fenícios, que representa a fecundidade e as águas fertilizantes.

Na Ilíada, de Homero, Afrodite é filha de Zeus (o deus dos deuses) e de Dione (a deusa das ninfas).

A dupla origem atribuída a Afrodite permite que ela seja entendida como a Afrodite Urânia (nascida de Urano) e a Afrodite Pandêmia (nascida de Zeus e Dione).

Quando considerada Afrodite Urânia, ela inspira o amor etéreo, superior, imaterial, pelo qual se atinge o amor supremo. Como Afrodite Pandêmia, ela representa o amor comum, vulgar, carnal, sexual, relativo aos desejos incontroláveis.

Unindo essa versão à versão grega para a deusa Astarte, temos que Afrodite é a deusa do amor, da beleza, da sexualidade e da fecundidade.

O mito de Afrodite

O mito de Afrodite está relacionado a Hefesto, filho de Zeus e Hera (na mitologia romana, deusa das bodas e da maternidade, conhecida por Juno).

Hefesto (deus dos ferreiros, dos artesãos, do fogo e dos vulcões) nasceu feio e com deficiências físicas que provocaram vergonha em Hera, que o jogou do alto dos céus. Ele foi salvo na Terra e se tornou um mestre ferreiro habilidoso. Como vingança à Hera, ele mandou para os céus um trono amaldiçoado, feito em ouro. Quando a mãe se sentou nele, ficou presa.

Zeus ofereceu a mão da deusa Afrodite em casamento a quem trouxesse Hefesto ao Monte Olimpo para libertar Hera.

Afrodite imaginava que Ares (deus da guerra), por quem era apaixonada, conseguiria trazer Hefesto ao Monte Olimpo, mas ele não conseguiu realizar tal tarefa.

Imagem colorida do rosto da Deusa Afrodite em várias dimensões.
Foto por Evgenii Bashta no 123RF

Hefesto foi convencido por Dioniso (deus dos ciclos, das festas, do vinho, e que na mitologia romana é Baco) a reivindicar Afrodite se libertasse a mãe do trono amaldiçoado. Ele libertou Hera, e foi assim que se casou com Afrodite.

A mais bela das deusas e das mulheres não amava o feio e mal-humorado Hefesto, por isso não aceitou o casamento imposto e manteve uma relação adúltera com Ares.

Quando Hefesto descobriu a traição de Afrodite e Ares, ele os capturou enquanto estavam na cama, usando uma rede invisível e inquebrável, levando-os para o Monte Olimpo para que os demais deuses soubessem e para provocar humilhação, porém eles deram pouca importância.

Afrodite e a Guerra de Troia

A Guerra de Troia foi um grande conflito militar entre os aqueus da cidade-estado grega de Esparta e os troianos da cidade-estado de Troia, aproximadamente entre 1300 a.C. e 1200 a.C., no fim da Idade do Bronze da região do Mediterrâneo. A cidade de Troia, cujas ruínas estão atualmente localizadas em território turco, foi destruída após dez anos de guerra.

Na mitologia, Zeus promoveu um banquete pelo casamento de Peleu e Tétis, mas não convidou a deusa Éris (deusa da discórdia), que colocou uma maçã dourada na cerimônia, o “Pomo de Ouro”. Nela se lia “para a mais bela”.

Afrodite, Hera e Atena desejavam a maçã e o título. Foi quando Zeus se lembrou de Páris como o mais justo dos mortais, para julgar qual deveria receber o prêmio.

Afrodite prometeu a Páris a mulher mais bela entre as humanas como esposa, o que causaria a admiração de todos os irmãos de Páris, que sempre o consideraram tolo. Ele então a escolheu para receber a maçã dourada, conhecida posteriormente como “Pomo da Discórdia”.

A mulher oferecida a Páris para ser a sua linda esposa era Helena (meia-irmã de Afrodite), já casada com o rei grego Menelau.

Imagem em bronze da estátua daa deusa Afrodite segurando um espelho.
Foto por Iurii Kuzo no 123RF

Páris, acompanhado de Eneias (filho de Afrodite), saiu ao encontro de Helena e chegou à cidade grega de Esparta, onde ambos foram acolhidos pelo rei Menelau e pela rainha Helena.

Menelau teve que deixar Esparta e não levou Helena, que ficou com os convidados. Na manhã seguinte à partida do rei, sob encantamento de Afrodite e achando que Páris era seu marido, Helena partiu com ele para Troia.

Ao saber do ocorrido, Menelau partiu para Troia, a fim de resgatar Helena, apoiado por Agamenon, rei de Micenas, e seu irmão, que reuniu um exército de aqueus (gregos), cercou Troia e lá permaneceu durante dez anos.

Os troianos receberam “O cavalo de Troia” dos gregos como presente e o levaram para dentro de suas muralhas, pois acreditaram ter vencido a guerra. Esse, então, foi interpretado como um sinal de amizade dos gregos.

O Cavalo de Troia, símbolo da vitória troiana, foi feito em madeira, grande o suficiente para abrigar internamente muitos guerreiros gregos. À noite, eles saíram de dentro do cavalo, dominaram os sentinelas troianos e facilitaram a entrada do exército grego, que levou a cidade à ruína. O “presente de grego” foi, na verdade, um estratagema para que os gregos vencessem a guerra e para que Menelau resgatasse Helena.

Afrodite, seus amores e seus filhos

Afrodite manteve relacionamentos amorosos com deuses e com mortais, entre eles Ares, Dioniso, Hermes, Poseidon, Adônis (mortal) e Anquises (também mortal). Ela teve muitos filhos, como Eros (cupido alado e sempre com ela), os gêmeos Deimos e Phobos, Harmonia, Príapo, Hermafrodito ( filho que era tanto do sexo feminino quanto do masculino, chamado de “Hermafrodito”, síntese dos nomes Afrodite e Hermes) e Eneias.

O arquétipo de Afrodite

Afrodite é o arquétipo do amor, da sensualidade, da sexualidade, da beleza e da atração erótica. Ela resume o desejo sexual puro e simples, inexplicável e irresistível, para atingir a satisfação pessoal e para a perpetuação da espécie.

Ela simboliza a mulher que aceita a sua sexualidade e o seu corpo, que se sente bem com ele, sem um ideal preconcebido, sem profanação da própria beleza natural e sem estereotipia.

Quando está associada à ideia da Afrodite Urânia, ela é o arquétipo do amor transformador, do relacionamento na intimidade psicológica, espiritual.

Imagem de fundo rosa e azul do rosto da deusa Afrodite.
Foto por Evgenii Bashta no 123RF

A ideia de uma relação livre com a sexualidade, compreendida em sua amplitude, está vinculada à Afrodite como uma potência natural e na qual a mulher se desfaz dos padrões patriarcais da sociedade, desafiando a ordem estabelecida. Ela ignora convenções e acordos. Ela rompe com a instituição do casamento.

Afrodite também traz o arquétipo da oposição, o amor e o ódio, o desejo de vingança, a justiça da pessoa que ama e assume os resultados advindos das suas decisões, as consequências.

Culto à Afrodite

Afrodite era adorada na maioria das cidades do império grego. O templo de adoração mais antigo ficava em Pafos. O principal culto ocorria no festival Afrodísia, celebrado entre a terceira semana de junho e a terceira de julho.

Os romanos nomearam Afrodite como Vênus e a tornaram também uma deusa militar. Ela tinha um templo no Capitólio, em função de sua importância histórica. Era padroeira de Júlio César, imperador de Roma. Seu mês sagrado era abril, quando as flores desabrochavam; no primeiro dia acontecia a festa Venerália, enfeitada por murtas e rosas. Pompeia também realizava muitos cultos à deusa, guardiã da cidade.

Após a destruição de Troia, Afrodite, que se posicionou a favor dos troianos, assumiu a forma celeste de estrela da manhã, brilhando em todo amanhecer e conduzindo Eneias e seus familiares pelo Mar Mediterrâneo até chegar à Península Itálica, onde seus descendentes construíram Roma. Ela foi então conhecida como Vênus e passou a ser a guardiã de Roma.

Desde 1990 Afrodite é cultuada pelos helenistas (seguidores do dodecateísmo grego), resgatando as práticas religiosas da Grécia Antiga adaptadas ao estilo de vida atual. Ela é vista como a deusa do amor e da paixão, não como a deusa da fertilidade e do desejo.

As celebrações atuais em culto à Afrodite seguem os meses de junho e julho e se juntam a Adonia, o festival de Adônis, comemorado na primeira lua cheia após o equinócio da primavera no Hemisfério Norte. O quarto dia útil de cada mês é considerado um dia sagrado para devoção à Afrodite e ao seu filho Eros.

As oferendas de devoção à Afrodite incluem incensos, frutas (maçãs e romãs), flores, rosas perfumadas, vinhos doces e bolos à base de mel.

Símbolos de Afrodite

Há muitos símbolos para a deusa do amor, da beleza e da sexualidade:

Cesto – nome dado ao cinturão mágico de Afrodite, utilizado pela deusa para encantar quem ela deseja que se apaixone.

Concha – simboliza o nascimento da própria Afrodite, levada numa concha à praia de Chipre.

Espelho – representa a vaidade de Afrodite, no sentido do amor-próprio e da autoestima.

Flechas – símbolos do arrebatamento do amor, que Eros atira com seu arco de acordo com o que determina Afrodite.

Flor-de-vênus ou rosa pentagrama – representa a perfeição e o equilíbrio, o amor sublime.

Pérolas – representam o nascimento do amor e o valor que lhe é dado.

Rosa – flor símbolo máximo do sagrado feminino; representa a beleza e o amor.

Afrodite nas artes

Afrodite (Vênus) foi muito representada nas Artes ao longo do tempo, demonstrando sua beleza. Entre várias obras estão: “O nascimento de Vênus”, de Boticelli, talvez a mais famosa; “A Vênus de Milo”, escultura grega antiga, talvez obra de Alexandros de Antioquia; “Vênus do espelho”, pintura de Rubens; “Vênus ao espelho”, pintura de Velásquez, e “O nascimento de Vênus”, pintura de Alexandre Cabanel.

O legado de Afrodite

Afrodite exerceu muita influência em diversas áreas do conhecimento humano ao longo da História. Conheça parte do seu legado:

Vênus é o segundo planeta do Sistema Solar, nome dado pelos romanos em homenagem à deusa.

O Símbolo de Vênus (♀) é usado na biologia (representa o gênero feminino), na astronomia (representa o planeta Vênus) e na química (representa o elemento cobre), em referência ao espelho usado por Afrodite.

Imagem do busto da deusa Afrodite.
Foto por Perseomedusa no 123RF

Um gênero de moluscos bivalves conhecidos como amêijoas, que vivem em água salgada e pertencem à família Veneridae e à ordem Veneroida, foi catalogado pelos biólogos H. Adams e A. Adams em 1856, com todos os nomes dados em homenagem à Afrodite, ou Vênus.

O Comitê UK Antarctic Place-Names homenageou a deusa quando batizou a geleira de 28 km localizada na Antártica com o nome de “Aphrodite Glacier”.

Sincretismo com a deusa Afrodite

A personificação do amor, da beleza e da sexualidade também ocorre em outras crenças e religiões, nas quais temos uma correlação com Afrodite, como, por exemplo:

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Astarte – deusa fenícia e da tradição bíblico-hebraica; a suméria Inanna ou Ishtar em acádico, do povo da Mesopotâmia; as egípcias Hathor e Ísis; Freya, da mitologia nórdica, e Oxum, Orixá da água doce e do poder feminino, da religião Iorubá e que representa a mulher africana.

Como você pode notar, Afrodite simboliza o universo feminino, é fonte de inspiração para as artes e também de conhecimento, se considerarmos como as mulheres da atualidade vêm assumindo características peculiares da deusa. Pense sobre isso!

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