Nutrição Veganismo

As entrelinhas da necessidade de mudar

Imagem de terra dividida ao meio, metade com grama verde e céu azul, e outra metade com terra seca e céu laranja.
Val Amores
Escrito por Val Amores
Sempre que vamos mudar algo, seja em nossa aparência, seja em nosso interior e seja no contexto espaço físico, é preciso desconstruir. Desconstruir ideias, formas de organização, crenças, limites, rotinas. Não há o novo sem o movimento da desconstrução.

Quando tiramos tudo do lugar, percebemos que por mais que limpemos o externo, em meio a pedaços escondidos, sempre existe uma poeira. Eis a razão pela qual mudar é interessante!

Mudar nos mostra a gama de excesso que guardamos em nossas casas e também em nossa mente, por meio dos apegos e da ideia do ‘posso precisar disso, alguma hora’. Essa fala vale para coisas físicas e até mesmo para relacionamentos.” 

No que tange a relacionamentos, essa necessidade social do momento, de estar sempre online e sempre disponível, trouxe consigo uma ideia de que pessoas, em algum momento, podem ser “úteis”. Soa frio, eu sei. Mas acontece! Relacionamentos são classificados em categorias, como: comerciais, de confiança, mais afetivo, familiar. Rotula-se cada um e, quando decidimos, por exemplo, mudar de cidade, de trabalho, de grupo… aí notamos que rotulamos pessoas e no mesmo contexto, somos rotulados. Há quem fique e há quem deixe de marcar presença. Quando é preciso mudar, acabamos por enxergar toda essa categorização daquilo que deveria ser considerado parceria e cooperação, livre de interesses. A entrelinha de uma mudança traz aprendizado. 

Silhueta de mulher em pé em cima de montanha observando o horizonte com o pôr do sol.

Mudar nos causa uma reorganização interna e externa interessante: Exige o não ver mais com os mesmos olhos porque quando mudamos, a paisagem também muda. Principalmente a paisagem de dentro, que precisa se ajustar ao novo “espaço”, ao novo jeito, nova necessidade, novas pessoas.

Fica explícito que a visão real é dada, não pelos olhos físicos, mas pelos olhos da alma. Iremos ver, o que a essência expandir. 

Caixas e conteúdos

Abrir caixas, pacotes, gavetas, armários… quanta história e energia encaixotadas! Fotos, cartões, cartas. 
Inegável que ao abrir tudo isso, não paremos para olhar item a item e com isso, vem a lembrança. Nem sempre boa, é certo. Vem a saudade, surge aquela nostalgia e a ideia de um tempo bom. Encontramos uma outra versão nossa e pensamos: “Nossa, como mudei! Como pude usar tal roupa ou ouvir tal música “. Nos perdemos em risadas e mesmo em lágrimas. Hoje, muitos de nós, com filhos, os chamamos para contar parte de nossa infância ou juventude. Ouvimos as piadas e fazemos piadas conosco.

Quando a mudança se refere não a um local, mas a um estado emocional, uma aparência física, um encerramento ou começo de história, um hábito… enfim! É a mesma coisa. Checamos nossas caixas internas, nossos arquivos de memórias e ficamos perdidos em muitas dúvidas e também em doses de expectativa e medo. Daí nascem cobranças absurdas e a tal auto sabotagem. Queremos e precisamos mudar e também sabemos que mexer naquilo que está confortavelmente estacionado pode criar certo desconforto. Absolutamente normal e até saudável desacomodar os desafetos. Aqui é o momento de vivenciar a mudança como uma experiência de autotransformação e autocuidado. 

Silhueta de homem vestindo um capuz, em túnel com uma luz no final

Agora, quando a decisão de mudança é forte, parece que nenhuma questão interna nos assusta. É como se abríssemos as gavetas e jogássemos para fora tudo que é demais, sem oscilar e com a habilidade de pontuar o que precisa ser pontuado. Há uma coragem absurda que dissipa os medos bobos …

“Mexer e revirar nossos conteúdos tangíveis mexe com os intangíveis e mexer e revirar os conteúdos intangíveis, nos dá uma nova dinâmica na vida tangível, aqui, do lado de fora. Um, impacta o outro, porque tanto o excesso interno quanto a escassez interna criam um excesso externo ou escassez externa. A vida é uma teia, uma conexão de fatores vistos e não vistos, mas sempre revistos quando necessário…”

O período de se refazer 
Decidimos então mudar, desconstruímos a forma, o jeito, o pensar e certamente temos que reorganizar, colocar tudo no lugar novamente logo que chegamos ao ponto ou local que queremos.

Eis que um novo eu, surge: cheio de minimalismo, simplicidade, resolução. Junto a esse novo eu, aquela vontade do novo, do criar, do resgatar o artesanal, de usar o que antes era reserva. É a versão revista e remodelada de nossa rotina.

O entusiasmo é crescente e na mesma proporção, certa dose de cansaço, afinal, mudar exige esforço, empenho, disciplina e organização, quando queremos que nossa chegada seja leve e fácil. Esse cansaço é o que chamo de “cansaço bom”. Um cansaço resultado de um trabalho minucioso conosco, com nosso próprio mundo.

E em relação ao nosso próprio mundo, somos nós, os tutores, os responsáveis. Não dá para delegar nossa própria jornada, nossa história. A necessidade de mudar sempre nos chega hora ou outra e sempre nos surpreende. É preciso não transformar a necessidade de uma mudança num martírio, mas, enxergar em tal necessidade, uma oportunidade de aventura e de ressignificar a presença na vida, tornando-a mais leve, mais fluída e nunca tediosa. Desprenda-se e desentulhe-se sempre que possível!


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Sobre o autor

Val Amores

Val Amores

Pedagoga, conteudista da área educacional, culinarista vegana e condutora do projeto Veganices da Val - Grupo no Facebook no qual receitas diárias são postadas, bem como reflexões sobre comportamento alimentar alinhado a uma vida mais orgânica, sustentabilidade e ecologia interna. Voluntaria na Organização Brahma Kumaris, mãe, filha. Uma alma apaixonada por nascer e por do sol, beija flores, autoconhecimento e ideias de transformação positiva do mundo!

Estou agora atuando no projeto OrganicaMente Criativa que atua com conceito de ecologia interior para o resgate do ser criativo e orgânico das pessoas para que ações sejam de fato, sustentáveis - O projeto propõe autoconhecimento, dinâmicas, vivências e expressão com arte sustentável.

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