Nutrição Veganismo

Uma visão honesta do lado de dentro

Corredor cinza vazio, com poucas luzes e muita sombra.
Val Amores
Escrito por Val Amores
Vivemos momentos em que a nossa identidade vem sendo testada. Muito daquilo que acreditamos e trazemos conosco está sendo posto à prova. Será que as nossas intenções são realmente altruístas? Será que o nosso querer nos mais diversos setores da vida é um querer benéfico? Nos escondemos ou estamos de peito aberto diante da vida?

Estas são apenas algumas das muitas indagações atuais que vi em muita gente que conversei por aí, nos últimos meses. Inclusive em mim.

O lado de dentro recebeu um chamado e alguns estão atendendo ao tal chamado, mostrando realmente a paisagem interna, sendo ela muito bonita ou muito árida. Há um efeito espelho, poderoso, acontecendo.

Estamos vendo no mundo a imagem perfeita de nosso espaço interno e aí surgem dois momentos: o primeiro, no qual sentimos tamanho empoderamento por estarmos nos reconhecendo finalmente como “reais”. E o segundo, que é o momento que assusta um pouco e faz refletir sobre esse “eu” que carregamos anos a fio um pouco escondido nos padrões de normalidade e aceitação do mundo.

E esse chamado atual, afinal, o que nos pede?

O chamado atual pede a visão honesta do ser. Não existe mais espaço para deixar os nossos poluentes internos guardados. É preciso purificá-los, senti-los e entendê-los, não mais ignorá-los. Não existe também tempo para postergar nossa cooperação, nossa união rumo à harmonia e ao fortalecimento do amor.

Por muito tempo, o autoconhecimento tem buscado resgatar o lado positivo do ser, mas agora, há um novo desafio a todo exercício que a proposta de se autoconhecer traz: o de enxergar a matéria-prima que nos compõe. Seja ela refinada e leve, seja ela confusa e densa.

É claro que o crescimento maior se dá ao que empreendemos atenção, por isso que é dito para focar no positivo, mas existem sementes fortes que, mesmo com o ignorar, existem e persistem, ainda que escondidas. Uma hora acabam emergindo e rompendo a casca… E como não foram cuidadas antes, bagunçam todo o trabalho feito anteriormente focado só na parte boa.

lado de dentro

Parece cruel, mas é verdadeiro: não dá para entender-se pleno quando ocultamos incômodos. É certo que não precisamos nos abraçar com os incômodos do ser, mas precisamos aceitar que eles existem e precisamos realizar uma ação cuidadosa com eles. Precisamos aceitar que temos, sim, as nossas sombras.

A rachadura tem história

Quando há uma rachadura, uma falha, algo aconteceu. Há uma história, uma cena, existem pessoas envolvidas e tudo isso compôs um capítulo da vida. Tal capítulo criou em nós um modo de pensar, sentir e agir, ou seja, tal capítulo nos levou de um estado a outro. É inegavelmente um capítulo de nossa jornada, uma página do livro.

É comum ouvirmos: “Esqueça o passado, é para frente que se anda!”, mas é incomum ouvirmos: “Compreenda o seu passado, aceite-o, retire dele algo bom e caminhe consciente!”.

Esquecer sem enxergar leveza na rachadura é não esquecer, é fugir da própria cura e fugir da própria cura nos leva a usar suportes falsos e externos de salvação.
Viramos pedintes de amor, de atenção e de compreensão. Idealizamos heróis e salvadores, ainda que saibamos que é dentro de nós que toda e qualquer mudança começa. É dentro de nós que a prosperidade cintila.

A rachadura, quando preenchida com entendimento e suavidade, acaba se tornando um dos mestres de nossa travessia. A rachadura apenas disfarçada com o cinza de uma massa e sem muito capricho se torna a vilã de toda a história.

lado de dentro

O lado de dentro é o único lado?

O lado de dentro é o lado mais importante e determinante até, mas não é o único! Se usado para esconderijo, o lado de dentro acaba sendo a própria cela que nos priva da vida. Essa não é a ideia, o propósito que o verdadeiro exercício de autoconhecimento deve proporcionar.

Reconhecer o lado de dentro é notável e imprescindível, mas sem esquecer que o mundo precisa de participação, de ação, de iniciativas e, muitas vezes, de posturas novas.

O lado de dentro não pode ser o lado da apatia. O silêncio não pode ser aquele que nos tira o papel de cidadãos, de participantes e de ajudantes do bem, do contrário, o chamado é ignorado sob o disfarce de estabilidade. Quando calamos ao chamado, aos pedidos de ajuda, não estamos sendo honestos com a vida, com o nosso bonito e real propósito da vida.

Ter a visão honesta do lado de dentro implica em ver realmente a faísca que nos convida a iluminar caminhos, jamais fugir deles ou deixar outros perdidos e sem luz.


Você também pode gostar de outros artigos da autora: O coração como guia

Sobre o autor

Val Amores

Val Amores

Pedagoga, conteudista da área educacional, culinarista vegana e condutora do projeto Veganices da Val - Grupo no Facebook no qual receitas diárias são postadas, bem como reflexões sobre comportamento alimentar alinhado a uma vida mais orgânica, sustentabilidade e ecologia interna. Voluntaria na Organização Brahma Kumaris, mãe, filha. Uma alma apaixonada por nascer e por do sol, beija flores, autoconhecimento e ideias de transformação positiva do mundo!

Estou agora atuando no projeto OrganicaMente Criativa que atua com conceito de ecologia interior para o resgate do ser criativo e orgânico das pessoas para que ações sejam de fato, sustentáveis - O projeto propõe autoconhecimento, dinâmicas, vivências e expressão com arte sustentável.

E-mail: [email protected]
Facebook: amoresvalveg | grupo veganice da val
OrganicaMenteCriativa
Instagram: @veganicesdaval