Autoconhecimento Yoga

Ashtanga Yoga: confrontar o desconforto

Ashtanga Yoga
Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro
Já contei para vocês sobre as práticas ou ferramentas que tenho usado para entender mais sobre quem sou. Conectar com a Verdade que me habita, com o corpo que a revela, com o silêncio que a desvela. Como enxergar toda essa verdade, todos os lados dela.

No último artigo falei sobre a massoterapia como forma de doação e de aprender sobre a entrega e o cuidado.

Hoje conto para vocês minha visão, no momento, sobre o Ashtanga Yôga.

Ashta significa oito. Anga significa passos. Os oito passos do Yôga. Os oito passos que nos levam à libertação do sofrimento.
 Algumas pessoas confundem o Ashtanga Yôga com a prática física de posturas ligadas por transições. Porém, isso é só um dos passos, que nos permite acessar e purificar o corpo físico para que possamos ligar os outros sete passos na nossa vida, no dia a dia.

A pratica do Ashtanga Yôga acontece 24 horas por dia, todos os dias. Dentro do tapetinho temos a oportunidade de praticar o silêncio interno, a observação dos fenômenos mente e corpo e, através do corpo físico manipular e suscitar aspectos mentais, observá-los, torná-los conscientes e então poder agir de acordo com o que se aprendeu.

Praticando assim, sabendo que a atitude dentro do tapetinho de yôga vai ser transcrita para a vida afora, você sabe que é importante chegar para sua prática de asanas com uma mente o mais limpa possível, concentrada, atenta e ao mesmo tempo, relaxada, de forma que o que tiver que aparecer e ser visto possa aparecer e ser visto.

Ashtanga Yoga

Porque se existe algum controle interno, se tiver preferências em relação a uma sensação, ou a uma postura, você está deixando de ver o todo. Está vendo uma parte. E quando a gente nega todos os aspectos de quem é, algo fica perdido e esperando para te pregar uma peça, ou como diria Freud, praticar um ato falho.

Por isso, na prática dentro do tapetinho repetimos o que acontece na vida: tem coisas que a gente nem gosta, mas precisa fazer, olhar. Tem posturas que queremos pular, parar no meio, desistir, mas devemos seguir, fazer a postura bem feita, olhar o desagradável com compaixão interna.

Na prática do Ashtanga Yôga, precisamos fazer todas as posturas, sem pular uma ou outra. E em todas ficamos cinco respirações. Pois tanto as coisas que você gosta quanto as que detesta, um dia passam. Tudo dura o mesmo tempo. Precisa desapegar. Ashtanga Yoga

Fazer todos os dias a mesma coisa, cultivar a disciplina, a rotina de cuidado consigo mesmo e de sempre cultivar esse momento de silêncio e observação interna. Porque o inconsciente está sempre ativo, pronto para nos pregar peças, e quando vamos deixando a prática de lado, estamos deixando de lado nossa casa, a abandonando. Como se você deixasse de fazer a limpeza da sua casa. Depois de um mês de casa fechada, abre para ver como fica. Toda empoeirada, tomada por insetos, com teias de aranha. E essa casa suja afeta a forma como você percebe o mundo à sua volta. E isso afeta suas atitudes com você e com os outros. Porque se você acha que a sua casa deve ser ignorada e ficar imunda, daí você também acha que deve tratar o mundo e aos outros da mesma forma.

Para e pensa.

Cultive silêncio, autocuidado, presença e verdade. Que o que vai refletir em sua vida vai ser beleza, prosperidade, leveza, gratidão.

Pratique com a intenção correta, com o objetivo de ser uma pessoa melhor para si e para o mundo. Que você possa lembrar sempre que a prática serve para o bem maior de todos os seres. Trabalhe se cuidando, trabalhe pelo todo. Trabalhe com devoção, dedicação, e amor. E todos os bons frutos que plantou, vai colher.

Boas práticas! Namastê!


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Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée. Depois fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de um ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pela yoga e pela meditação. No Brasil: morou, deu aulas de yoga e se formou como massoterapeuta, em Paraty, RJ. Foi nessa época que concluiu quatro cursos de dez dias de meditação Vipassana e se aprofundou na prática de Ashtanga Yoga. Hoje, ela está estudando Ashtanga Yoga no KPJAYI, em Mysore, Índia. E dá aulas de Ashtanga Yoga online.

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