Convivendo

Baby Buda: uma marca criada com amor

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A partir de questionamentos sobre a vida e a forma como queria viver, a gaúcha Mariana Hirt, começou a questionar o que realmente queria da vida. Aliado a isso, quando sua amiga estava grávida não sabia exatamente o que presentear para o bebê que estava a caminho.

Foi aí que Mariana mandou bordar em um body o desenho de um bebê meditando e escrito embaixo “Baby Buda”. O presente feito com amor foi elogiado por todas as amigas e a partir deste trabalho nasceu a Baby Buda, uma marca de roupas feitas artesanalmente com amor. Hoje são duas sócias e nós, da Equipe Eu sem Fronteias, conversamos com Mariana.

Eu sem Fronteiras – Me fale um pouco de você, onde nasceu, cresceu, estudou e mora:

Mariana Hirt: Sou de Porto Alegre/RS, tenho 29 anos e me formei em Publicidade, sempre trabalhei com áreas ligadas à criatividade, design, criação.

ESF – Como nasceu a Baby Buda?

Mariana Hirt: Chegou um momento na minha vida que além de só questionar coisas, quis mudar coisas. Estava certa que de o mercado de trabalho como está estruturado hoje, não me servia mais. Não queria mais ser refém do relógio, nunca ter tempo para mim, ignorar os sinais do meu corpo. Para mim, o mundo estava em desequilíbrio, eu vivia sob essa influência e não conseguia me desvencilhar. Eu precisava empreender para criar meu próprio mundo. Assim, comecei a ter várias ideias, sobre diversos produtos diferentes, eu já estava com uma ideia na cabeça, mas ela nunca saía do papel.

Até que uma grande amiga disse que estava grávida, fiquei muito feliz. Comecei a me questionar que mundo era esse que iria receber esse bebê e como ele, poderia estar o mais equilibrado possível para enfrentá-lo. Pode parecer engraçado, mas pensei nesse bebê já adulto, enfrentando os mesmos questionamentos meus, preso em regras de uma vida já pré-escrita antes mesmo de nascermos (nasça, estude, faça faculdade, trabalhe em grande empresa, case, tenha filhos, envelheça).

Se permitir questionar padrões exige equilíbrio, autoconhecimento, desprendimento, ousadia, amor. São pontos que a nossa sociedade não incentiva a explorar.

Eu queria que esse bebê viesse livre, que tivesse autonomia nas suas escolhas e fosse alinhado com seus propósitos.

Queria dar um presentinho para minha amiga e para o bebê, que fosse além de uma simples roupinha. Queria expressar mais.

Como não achei, resolvi eu mesma criar um desenho e mandei bordar em um body. O desenho era um bebê meditando e escrevi embaixo “Baby Buda”. Quando entreguei o presente, ela e as outras amigas adoraram, e me convenceram que eu deveria largar a ideia anterior (que não saía do papel) e investir minha energia na Baby Buda porque essa marca tem mais a dizer do que apenas vender roupas. A marca estava formada.

ESFAssim que começou o negócio, logo achou que iria dar certo?

Mariana Hirt: Sempre achei! Mas o dar certo é relativo, cada um tem uma maneira de interpretar o que é dar certo. Para alguns é sinônimo de retorno financeiro. Para mim, tem a ver com o retorno vindo das pessoas, da energia que foi movimentada por esse negócio existir.

ESF – Encontrar roupas que transmitem amor e carinho, feito a mão, realmente é difícil. O que você quer passar com as roupas produzidas da Baby Buda?

Mariana Hirt: Queremos passar a ideia de que o mundo não precisa ser como está. Não precisamos brigar, competir, se desgastar ao máximo por dinheiro, ser violentos. A felicidade, paz de espírito, está dentro da mente de cada um. Calma, positividade, igualdade entre os seres, altruísmo, autoconhecimento, liberdade, amor. Valorizar o trabalho manual, feito com carinho e talento local, cada coisa no seu tempo, isso tudo é o que queremos passar.

ESF – Pelo nome da sua empresa, temos a impressão de que você pratica yoga ou meditação. É isso mesmo?

Mariana Hirt: Sim. Os dois foram bem fundamentais para essa mudança que fiz na vida. A primeira ideia de empreender (que não saía do papel), fui entender depois, eu não a colocava em prática porque eu não estava conectada de alma com ela. A minha missão pessoal se mistura com a missão da Baby Buda, e essa conexão ficou evidente e não teve como deixar essa ideia no papel. A yoga e a meditação ajudam nesse processo, de se conhecer, saber o que te move, o que é importante para você. E não é nada muito claro, são pequenos sinais, muito sutis mesmo, que te fazem ligar os pontos. Yoga e meditação aumentam muito a percepção do que acontece ao nosso redor.

ESF – Como tem sido a procura das pessoas pela Baby Buda?

Mariana Hirt: Muito legal! Eu sabia que deviam existir pessoas por aí que compartilhassem das mesmas ideias, mas não pensei que fossem tantas. As pessoas querem ser felizes. Acho que qualquer marca que questione os atuais padrões de felicidade, pode se deparar com muitas pessoas que pensam o mesmo.

ESF – Se sente feliz fazendo o que gosta?

Mariana Hirt: Sim. Minha vida mudou completamente, e apesar de muitos desafios (manter uma empresa não é fácil), estou muito mais realizada. Hoje acordo, tomo meu café tranquila, faço meu yoga, ando de bicicleta no parque, e só depois, quando meu corpo já está abastecido de alimento e energia, começo a trabalhar. Fazer meus horários, ouvir meu corpo, não estar mais imersa em um mundo de exigências e metas empresariais impossíveis de cumprir, são pontos que deixam meu trabalho mais feliz ainda. As coisas começam a fazer sentido quando você empreende em algo que vá melhorar sua vida e das outras pessoas.

ESF – Qual foi a maior dificuldade enfrentada até aqui?

Mariana Hirt: Nem tudo são flores! Eu e minha sócia não somos administradoras, eu sou publicitária e ela economista. As nossas maiores dificuldades giram em torno de gerir a empresa, que passos dar, até onde podemos arriscar, essas coisas. Os primeiros anos de uma empresa são de adaptação, nós estamos crescendo, mas no nosso ritmo. Temos consciência de que poderíamos estar bem maiores, mas queremos ir ao nosso ritmo, aproveitando os momentos, não se desesperando por ter crescido menos que esperávamos. Tudo tem seu tempo. A Baby Buda tem apenas 6 meses, é importante ficar tranquila e aprender com os passos equivocados. Ah, também tenho muita dificuldade de conseguir me concentrar trabalhando home office! Coisas de criativos!

ESF – O que as pessoas falam da Baby Buda, qual o retorno que tem?

Mariana Hirt: Essa parte está sendo muito impressionante. Diariamente nós recebemos mensagens, as pessoas dizem que adoraram a mensagem, ou que também estão empreendendo, ou que faltava uma marca assim para a infância dos pequenos. São muitas mensagens, de pessoas de todos os cantos do país, cada uma com sua história, sua esperança em uma vida mais plena. Nós lemos e respondemos uma a uma, esse retorno é muito importante para nós, nos alimenta para criar as próximas coleções, os próximos textos, os próximos questionamentos, enfim, tudo que gira em torno da marca e que possa expressar nossa mensagem.

ESF – Fique à vontade para escrever algo:

Mariana Hirt: Queria agradecer a entrevista, foi ótimo contribuir para um site que incentiva práticas de autoconhecimento, energia e equilíbrio. No mundo existem infinitamente mais notícias boas do que ruins. É um prazer contribuir para um jornalismo que prefere ressaltar o bem!

ESF – Deixe uma mensagem:

Mariana Hirt: Tente ler os sinais, são muito sutis. Se você achar algo que faça sentido para você, acredite na sua ideia que outros acreditarão também. Para quem está se perguntando: “Para que eu sirvo?”, para quem acha que não tem ideias boas suficientes para empreender, apenas respire. Dê prioridade a você, ao seu corpo. Relaxe, você não precisa ser perfeito. Insira práticas no seu dia a dia que te conectem com seu corpo, com sua essência, com sua energia. Tenha coragem. Não teremos resultados diferentes se continuarmos repetindo o mesmo padrão de antes. Bom caminho!


Entrevista realizada por Angélica Fabiane Weise da Equipe Eu Sem Fronteiras.

Foto em destaque de Fredy Vieira 

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