Comportamento Maternidade Consciente

O encontro

Silhueta de mãe e filho com o pôr-do-sol ao fundo
123RF | Christingasner
Lita Duarte
Escrito por Lita Duarte

Ela estava sentada em uma cadeira de balanço e, assim que me viu, começou a cantar aquela música antiga e chorosa. Imediatamente fui ao passado em meu pensamento.

Ela era Mariana, mulher que trabalhou na casa de minha avó quando eu era criança.

Lembro-me de muitas vezes ouvir de seus lábios palavras doces e reconfortantes.

Agora ela estava muito velha, mas mantinha um olhar sereno, apesar de a doença deixá-la entrevada e com uma fragilidade comovente.

Aproximei-me de Mariana e lhe disse de minha alegria em revê-la, então ela abriu um sorriso largo e estendeu os seus braços para que eu a abraçasse. Ficamos conversando por um longo tempo, ela disse que gostaria de encontrar o seu filho que havia desaparecido há muitos anos. Perguntou se saberia como fazer isso, e eu disse que tentaria ajudar, mas não prometi nada. A única coisa que ela sabia é que ele havia partido para Mato Grosso, isso há mais de vinte anos.

Corpo de mãe segurando o filho nos braços sem mostrar os rostos
Foto de Kristina Paukshtite no Pexels

Ela começou a me contar sobre a vida de seu filho, talvez na tentativa de que eu me interessasse pela história.

Ela disse: Celina, você era muito pequena e não deve se lembrar do meu filho. Ele foi criado por minha irmã, algumas vezes ele me visitou na casa de sua avó, chegava a ficar uns quinze dias, mas nunca pôde morar comigo. Eu achava melhor ele ficar com minha irmã, porque ela tinha uma família, um marido, eu queria que ele fosse criado com uma família. Infelizmente, penso que errei, porque ele se afastou de mim. Eu podia ter ficado com ele, sua avó me dizia que não havia problemas, mas eu só queria cuidar de mim, trabalhar e ganhar o meu dinheiro e enviar parte para que ele fosse bem cuidado. Depois quando fui trabalhar em outro lugar, logo me envolvi com uma pessoa, então achei que não era hora de meu filho ficar comigo. Na verdade, eu sempre pensei muito nele, mas por ter sido mãe solteira, acho que de alguma maneira eu o rejeitava. Agora estou velha e sem ninguém, tenho um filho, mas onde ele estará? Aqui onde estou é muito bom, sou bem tratada, mas sem família é tão ruim, sinto-me tão só, penso demais em meu filho.

Ouvi o relato de Mariana, confesso que fiquei triste, não imaginava que ela fosse tão infeliz. Antes de ir embora prometi que faria o possível e o impossível para encontrar seu filho, mas nem sabia por onde começar.

Chegando em casa comecei uma investigação com os dados que Mariana havia me passado a respeito de seu filho. Durante dois meses fiz de tudo para encontrá-lo. Comecei a procurar pessoas que pudessem me informar sobre o paradeiro dele.

Certo dia, fui até a cidade onde Mariana morou quando era moça, conversei com uma sobrinha dela que me informou que o filho de Mariana era filho de um fazendeiro que passou uns meses ali naquela cidade. Ele engravidou Mariana e depois sumiu. Ela também disse que algumas vezes o filho de Mariana dizia que iria encontrar seu pai, pois ele sabia que seu pai morava na região Centro Oeste, e dizia que sua tia havia dito que seu pai era fazendeiro. Disse que certo dia, ele pegou uma mala, encheu de roupas e foi embora procurar um futuro melhor. E já fazia quase vinte anos que ele havia partido e nunca mais apareceu. No primeiro ano de sua partida, ele enviou três cartas ao longo do ano, depois disso não souberam mais nada sobre ele.

Peguei o endereço que havia nas cartas e iria tentar algo nesse sentido.

Cartas com flor rosa em cima
Foto de Pixabay no Pexels

Ao retornar para minha cidade procurei entrar em contato com pessoas de Mato Grosso. Eu dizia o endereço que a sobrinha de Mariana me passou para algumas pessoas para que elas me dissessem alguma coisa do tipo: o que havia no local do endereço. Recebi algumas respostas, mas nada que me levasse na direção do filho de Mariana. Confesso que estava desanimada, afinal é muito difícil encontrar alguém que partiu para outra cidade há muito tempo.

Nesse espaço de tempo, sobre essa procura aconteceu de Mariana ficar muito mal. Fui avisada que ela queria me ver, ela vivia perguntando por mim, queria saber quando eu iria visitá-la. Disseram que Mariana tinha pouco tempo de vida. Pensei: e agora! Ela vai querer saber de seu filho. Então fiz algo que talvez não fosse o correto, mas faria Mariana feliz.

Sabendo que um dos últimos ou talvez o último desejo de Mariana fosse encontrar seu filho, tratei de arrumar uma pessoa com as características de seu filho, treinei com ele o que iria falar e como se portar diante dela e, no dia em que fui visitá-la, ele foi comigo.

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Chegando ao local, entramos no quarto e vimos uma mulher muito fraca sobre a cama. Ela quase não abria os olhos e quando falava, sentia muita canseira. Cheguei bem perto dela e peguei em suas mãos e disse: Mariana, sou eu a neta de Elisa, lembra? Ela respondeu balançando a cabeça que sim. Então continuei dizendo algumas coisas e disse: Mariana, eu trouxe uma pessoa comigo, uma pessoa que você queria rever. Você sabe quem é? E Mariana falou bem baixinho com uma voz trêmula que era seu filho. Então, o rapaz aproximou-se da cama e pegou nas mãos de Mariana e assim ficaram por alguns minutos, até que de repente ela disse: Meu filho me perdoa por eu ter abandonado você. O rapaz se aproxima do rosto dela e lhe dá um beijo na testa e responde: Minha mãe está tudo bem, não se preocupe com mais nada. Fique em paz.

Sobre o autor

Lita Duarte

Lita Duarte

Espiritualista, amante da natureza e das artes.

Sempre gostei muito de escrever e compartilhar reflexões e estudar para me manter em movimento.

Pintar a óleo sobre tela nas horas vagas sempre foi uma grande inspiração.

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