Convivendo

Choveu… E aí?

Patricia Tolezano
Escrito por Patricia Tolezano
Queremos viver num céu de brigadeiro, mas, às vezes, chove. Apesar dos preparativos para habitarmos a casa de praia, vem uma tempestade e varre a promessa de um verão luminoso. Muitas vezes, não conseguimos prever o mau tempo. E, ao contrário do que todos nos dizem, não pudemos antever as nuvens no céu. Simplesmente, o temporal nos pegou desprevenidos.

Mas, se naquele período não conseguimos ser meteorologistas do nosso tempo, podemos, ao menos, viver a intempérie como o agricultor, que se prepara cobrindo e arando a terra para que ela não fique devastada. Porque podemos não evitar uma tempestade, mas se ela vai secar, apenas atrasar ou mesmo não afetar a colheita é uma decisão nossa.

As nuvens densas podem não dar lugar a um belo horizonte, mas sentir o sol depende somente da vontade maior de acreditar que ele está bem ali atrás daquela cortina cinzenta. O segredo pode ser ultrapassar a visão da tempestade, vislumbrar um horizonte azulzinho. O problema é quando por algum percalço desistimos de “pegar a estrada” e perdemos uma viagem promissora. Pelo medo de não conseguirmos dominar o mau tempo, não saberemos se o que nos esperava era mais chuva ou um lindo arco-íris.

Descansar sob o sol é realmente bom, a areia quente e o mar calmo nos traz uma paz incrível, mas talvez tenhamos que nadar em mar bravio para darmos conta do barco que temos. Um céu nublado pode ser uma ótima oportunidade para testarmos nossa habilidade equilibrista sobre uma prancha. Afinal, o surfe sob céu escaldante pode desidratar um iniciante. Deitar sobre uma árvore frondosa é genial, mas um galho seco pode dar-lhe a oportunidade de ver o tronco rijo e os fortes galhos retorcidos pela ação do vento.

Um mau tempo não deveria ser motivo para desistirmos de uma viagem promissora. O segredo está em embarcar acompanhando o retrovisor, mas acreditando que a sua frente há um belo horizonte a conquistar. Se as nuvens densas passarem, a chuva se esvair e a ventania cessar, perfeito, será um belo dia de sol e seu projeto de céu de brigadeiro foi apenas atrasado. Mas, se por algum motivo, você olhar pela janela e estiver chovendo no seu destino, calce seu melhor chinelo e tome um banho de chuva, curta o vento batendo no seu rosto e entenda o porque das folhas se desintegrarem naquela árvore que te cobria. Faça do seu céu tempestuoso o melhor possível.

Pense que as árvores veem suas folhas se desintegrarem. Algumas se desesperam com o aspecto esquálido e se deixam abraçar pelo temporal, recebendo dele uma descarga fatal. Outras não se enraízam o suficiente e são levadas pelo vento e o tempo, mas as que acreditam não se desesperam nem se recolhem. Continuam vivendo e embora pareçam sem vida, usam esta fase para prender-se melhor às suas raízes. Assim, vão nos presentear com lindos frutos e úteis flores, sol após sol, por gerações sem fim.

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Sobre o autor

Patricia Tolezano

Patricia Tolezano

Sou jornalista de formação, marketeira de opinião, analista esportiva de supetão e escritora de coração.

Se tivesse que me definir em uma única palavra, esta seria adaptação. Mas gosto mesmo é de escrever. Sou uma pessoa e escritora em construção. A partir de agora, vocês conhecerão um pouco do mundo à minha volta.

Viva sem culpa, ame sem medo. E, na dúvida, tente sempre! Para mim, isto é ser feliz.

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