Alimentação consciente Mindful Eating Nutrição

Como lidar com os desejos intensos por comida?

Luiza Camargo
Escrito por Luiza Camargo
O desejo é uma energia que nos motiva a fazer as coisas, a buscar comida, beber água, dormir etc. Sem o desejo, não sobreviveríamos por muito tempo. Também não está errado desejar comer algo e saborear, apreciar ao comer. O que pode não ser benéfico é se apegar no prazer que a comida pode proporcionar e ficar preso no sofrimento: “O doce estava delicioso, quero um segundo pedaço” ou “Estou muito cansada hoje, mereço um sorvete”.

Que tal investigar o que lhe aparece quando vem os desejos intensos por certos alimentos? Marsha Hudnall traz alguns pontos para perceber a relação com a comida em seu artigo “Helping explore feelings of food addiction”.

Vamos começar notando se o corpo está bem nutrido ou não?

Muitas dietas restritivas podem restringir alguns nutrientes e deixar o corpo desequilibrado. Esse pode emitir alguns desejos para que busque aquele alimento específico. Cada um pode se expressar de uma forma, mas buscar reconhecer a sua necessidade pode ajudar a equilibrar seu organismo e entender de onde veio os desejos intensos pela comida.

Como é sua relação com a comida?

Manter uma relação saudável com a comida é de grande importância para ajudá-lo a perceber como cada alimento se sente em seu corpo. Muitas pessoas têm os alimentos proibidos e permitidos, aqueles que podem comer sem limites, ou um excesso de restrição. Notar sua relação, os padrões e a raiz de seu comportamento podem ajudar a descobrir o que está escondido e reequilibrar essa relação com a comida.

Comemos os “alimentos proibidos” com atenção plena?

Comer com atenção plena é sentir os aromas, saborear, olhar para a comida, observar as cores, formas, texturas, estar ciente do que está comendo. Os alimentos “proibidos” são aqueles temidos para cada um.

E você percebe quando deixou de sentir prazer?

Grande parte das pessoas come bem rápido e sem atenção a essa categoria de alimentos que considera “proibido” e, quando termina, não se dá conta que já acabou e nem percebeu o que comeu. Notar quando a sensação de prazer cessa é bem relevante, pois é um indicador de saciedade e de que pode parar de comer. Sentimos prazer pelo alimento até um determinado momento, depois naturalmente acaba e, ao sentir fome, poderá comer novamente o alimento.

Fica pensando sobre o que comeu?

Após comer, fica ruminando sobre o número de calorias, se é saudável ou não, se questionando se deveria ter comido…
Se costuma fazer isso, então vamos usar a prática de atenção plena “deixa ir”, solte e se liberte dessa ruminação.

O Mindful Eating, ou alimentação consciente, pode nos auxiliar a nos sintonizarmos com os sentidos para fazer melhores escolhas do que comeremos e de como isso afetará seu corpo. Investigar a natureza dos desejos e trazê-la para a consciência pode ajudar a entender de onde está vindo e como lidar com ele. Notar seu corpo e como sente o desejo nele é um primeiro passo.


Referência

BAYS, J. C. Como domar um elefante. São Paulo: Alaúde Editorial, 2013.

HUDNALL, M. Helping explore feelings of food addiction. Disponível aqui. Acessado em 12 de dezembro de 2016.

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Sobre o autor

Luiza Camargo

Luiza Camargo

Sou nutricionista e instrutora de mindfulness e mindful eating. Acredito na união da Nutrição, Mindful Eating, Mindfulness e Meditação. O alimento é um veículo para nutrir o corpo e a mente e, também, um reflexo de como lidamos com nossas vidas. Na minha trajetória sou pós-graduada em Obesidade e Emagrecimento e com especialização em Nutrição Desportiva. Realizei o treinamento em Mindful Eating-Conscious Living pela UCSD e Estratégias de Mindfulness pela MTI.

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