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Conheça o projeto Mini Gentilezas: uma mobilização para as coisas simples saírem do papel

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando vamos viajar, seja a trabalho ou lazer, é comum receber itens higiênicos do hotel ou mesmo do avião, não é mesmo? E o que você faz com estes itens? E se soubesse que eles podem ser uteis para moradores de rua? Essa é a proposta do projeto Mini Gentilezas, criado recente e que já tomou uma grande proporção. Conversamos com os responsáveis do projeto para saber como ele funciona e como você pode contribuir. Confira a entrevista:

Eu sem Fronteiras – Como e quando surgiu o projeto Mini Gentilezas?

Mini Gentilezas: A ideia nasceu em maio/2016, para fazer parte do projeto 365 Dias de Agir da ONG Argilando. Trabalhamos uma imagem para ser enviada aos amigos quando eles estivessem viajando. Incentivando que aquelas miniaturas não utilizadas fossem doadas para projetos que atendem à população em situação de rua.

Eu sem Fronteiras – Quem foram as pessoas envolvidas?

Mini Gentilezas: Israel Mesquita, designer, que fez a arte, e Karina Rocha, que pediu isso a ele e jogou a imagem nas redes. Hoje, ambos são os coordenadores do projeto.

Eu sem Fronteiras – No que consiste o projeto Mini Gentilezas ?

Mini Gentilezas: Nosso objetivo é aumentar os estoques de kits de higiene doados para as pessoas em situação de rua em diversos projetos pelo Brasil. Organizamos um esquema para que as doações possam chegar às mãos de quem precisa.

Eu sem Fronteiras – Muitas pessoas do país procuram participar do projeto? Pelo que vi no site, há também diversas localidades do país onde ocorrem os pontos de coleta. Correto?

Mini Gentilezas: Sim. Tem gente do Brasil todo procurando. Hoje, 12/08, contamos com 51 pontos de coleta espalhados em 15 cidades, 4 estados e DF. Estou trabalhando em mais alguns pontos e, até o final do mês, devemos fechar 56 pontos, 17 cidades e 5 estados, pelo menos. 

Eu sem Fronteiras – Qual foi o maior desafio encontrado até aqui?

Mini Gentilezas: Montar o método, sem dúvidas. Tudo começou com uma imagem que viralizou e, em 72 horas, tinha mais de 5 mil compartilhamentos pelo Facebook, isso com o meu número de celular nela. Foi uma loucura, no quarto dia, achei que surtaria. Meu WhatsApp estava recebendo mensagem de mais de 100 pessoas por dia. A ideia inicial era mandar apenas para os amigos e ajudar os grupos que já conhecíamos aqui no Rio. Coisa pouquinha mesmo. Mas a arte ficou tão linda e teve uma aceitação tão grande que tomou dimensões jamais imaginadas. Foi quando percebemos que aquilo tinha muito potencial para crescer. Tem muita gente precisando e pudemos ver muita gente querendo ajudar. Foi quando a Argilando entrou, abraçou a ideia e fez o projeto acontecer. Criamos uma página no Facebook, montamos o formato que pode ser aplicado em qualquer lugar e agora vamos ajustando sempre que aparece uma nova demanda.

Eu sem Fronteiras – O foco são os moradores de rua. Em conversas com essas pessoas, o que elas têm relatado após receber os kits básicos?

Mini Gentilezas: É importante frisar que o Mini Gentilezas não faz a entrega diretamente nas ruas. Nossa proposta é ajudar os grupos que já fazem esse tipo de assistência. Ainda assim, temos contatos com eles e sempre pegamos esse feedback:

Andre Andrade – voluntário do Café da Manhã – projeto do RJ: “É uma doação muito importante. Quem vive nas ruas enfrenta um grande desafio no cuidado com a higiene pessoal. Com essas doações, além do estímulo ao cuidado de si mesmo, há um despertar de uma alegria que vem do carinho de uma doação feita de forma muito bonita. Toca o coração das pessoas que então se sentem amadas.”
Iris Gouveia – voluntária do 10% para o Bem – projeto de Brasília: “Eles sempre ficam muito surpresos ao saber que o kit se trata de produtos de higiene pessoal. É possível perceber que gostam muito! Nos recepcionam sempre bem e, até o momento, todos aceitaram os kits.”
Hugo – voluntário do SAPO – projeto do RJ: “Os kits do Mini Gentilezas são superbem recepcionados nas ruas. Os nossos irmãos pulam de alegria quando recebem o kit. A gente sabe que, pela vida que eles levam, não têm como guardar muito bem esses itens. E eles sequer recebem muito disso. Na rua, são mais doados alimentos e roupas, então, quando recebem um kitizinho ou uma bolsinha com xampu, condicionador, hidratante e um sabonete, eles realmente ficam muito satisfeitos e felizes por serem tratados com tanto carinho e tanta atenção. Foi uma ideia que ajudou muito o nosso trabalho e tem feito muita gente feliz também!”

Eu sem Fronteiras – O que é mais gratificante para vocês?

Mini Gentilezas: Não há dúvida de que o que faz o nosso coração bater mais forte é saber que estamos ajudando uma pessoa passando por um momento muito difícil. Saber que ela conta com o nosso trabalho para ter um momento mais decente nessa dura caminhada, isso faz toda a loucura organizacional de ficar falando com gente do Brasil todo valer a pena. Mas o Mini Gentilezas tem características a mais, que com certeza geram uma enorme gratificação. Primeiro, é o fato de podermos ajudar quem já ajuda. Pessoalmente, já conhecíamos alguns projetos que fazem esse trabalho de assistência. Sabemos o quanto é difícil arrecadar e levar mensalmente (quando não semanal) uma comidinha fresca, um café da manhã com pãozinho e, ocasionalmente, sabonetes ou cobertores. O custo disso é caro mesmo. Se puder caber ao Mini Gentilezas o sustento da doação dos itens de higiene, ainda que em parte, estamos ajudando que este projeto seja cada vez mais viável e possa manter ajudando.

Segundo, são os doadores. A receptividade de quem vê o projeto e percebe que pode ajudar é linda. Recebemos uma enorme quantidade de gente dizendo que nunca pensou que poderia ajudar uma pessoa nas ruas. Que não se via como um colaborador ou que não tinha se atentado para a necessidade destes itens. Fazer as pessoas perceberem que podem ser protagonistas em ações do bem é muito gratificante. Isso multiplica! 

Eu sem Fronteiras – Como é feita a seleção dos materiais recebidos e quem fica responsável por eles?

Mini Gentilezas: Cada cidade tem o que chamamos Voluntário Central. São os responsáveis por receber todo o material deixado nos pontos de coleta. Numa data previamente marcada, eles juntam as doações, verificam a validade de cada item, separam por gênero de produto, contam e pesam. Dali, os itens seguem para os grupos que vão distribuir para as ruas. Cada cidade tem uma peculiaridade e, às vezes, os voluntários se juntam para essa triagem, às vezes o próprio grupo faz parte dos pontos de coleta e assim por diante.

Eu sem Fronteiras – Deixe uma mensagem:

Mini Gentilezas: “Funciona porque é simples. É simples porque funciona”. Esse é o nosso lema. Parece uma bobagem, mas não é. Qualquer um pode ajudar, pode compartilhar a ideia, pode levar para amigos e colegas de trabalho. Qualquer grupo pode receber os itens e levar a quem precisa. Qualquer cidade pode ter o ponto de coleta e ser uma ponte entre doadores e quem precisa. Assim, percebemos que são pessoas comuns, que levam suas vidas de forma comum, fazendo uma diferença enorme na caminhada de quem precisa.

Confira os pontos de coleta aqui.

Se quiser contribuir, envie um e-mail para: [email protected]

Para saber mais.


Texto escrito por Angélica Fabiane Weise da Equipe Eu Sem Fronteiras

Sobre o autor

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