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Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas

Silhueta de índia, segurando um pedaço de madeira com folhas penduradas. Ao fundo, montanhas e o pôr do sol.
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

A história brasileira foi escrita e contada por quem colonizou o território do Brasil. Antes de os portugueses invadirem o país, inúmeros povos indígenas ocupavam as terras brasileiras e viviam delas com responsabilidade e consciência. Com a chegada dos colonizadores, as tribos perderam seus territórios, tiveram seus estilos de vida desrespeitados e foram escravizadas e violentadas.

A história do Brasil não deveria começar com a chegada dos portugueses, mas com as vidas indígenas que existiam no Brasil e que lutaram para sobreviver quando foram ameaçadas. O país, como o conhecemos hoje, é fruto da violência. E os povos indígenas são os primeiros lutadores contra essa opressão.

Índios em frente a uma oca, usando vestes feitas de folhas., de costas para a câmera.

Uma das principais lideranças desse movimento foi o guarani Sepé Tiaraju. Nascido em 1723, o indígena liderou a revolta dos Sete Povos das Missões contra o Tratado de Madri (que dividia o Brasil entre portugueses e espanhóis), defendendo as terras que sempre pertenceram aos povos indígenas.

Sepé faleceu em 7 de fevereiro de 1756 e sua vida de luta foi homenageada com o Dia de Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro. Até os dias de hoje, as lutas indígenas ainda não chegaram ao fim e Sepé é um símbolo de resistência, esperança e firmeza.

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De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), em 2018 existiam 305 povos indígenas no Brasil. Cada um deles tem suas próprias culturas, crenças e rituais. São comunidades distintas, mas que precisam das terras onde sempre viveram.

Outro fator para a luta dos povos indígenas é a poluição da água por grandes indústrias e empresas. Sem os rios, esses povos são alijados de uma fonte de hidratação e de obtenção de alimento. O desmatamento crescente também desestabiliza os ecossistemas, dificultando o consumo sustentável dos itens que a natureza fornece.

Menina da tribo Tapirajé, usando um ornamento de penas coloridas em laranja, vermelho e preto na cabeça, brinco de penas azuis, laranjas e amarelas, colares de sementes e pedras, e rosto pintado com duas faixas vermelhas.

Mas a luta dos povos indígenas não está pautada somente na ecologia e na necessidade de manter as terras já escassas nas quais vivem. Os estereótipos sobre as vidas indígenas são prejudiciais para quem tenta se colocar no mercado de trabalho, por exemplo, visto que a ideia de que indígenas são preguiçosos persiste desde o período da colonização.

Embora todas as populações se modernizem e se atualizem com o passar do tempo, existe a crença, no Brasil, de que os povos indígenas sempre serão figuras dos livros de história, isto é, pessoas que vivem com os rostos pintados, andam nuas, não têm acesso a qualquer tipo de tecnologia e que não carregam conhecimento sobre o mundo.

A verdade é que as pessoas indígenas podem viver de inúmeras formas. Podem ter celulares, podem usar roupas, podem até mesmo falar português. Dados coletados pelo Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontaram que cerca de 324 mil índios brasileiros vivem em locais urbanos.

Essa alternativa ao estilo de vida em florestas é uma consequência do desmatamento e das ameaças de grandes agricultores aos povos indígenas. Em 2019, as terras indígenas apresentaram um desmatamento de 423,3 km², segundo o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Três mulheres da aldeia xinguana Kuikuro cuidando do preparo dos alimentos, tirando frutos de galhos e depositando em uma tigela grande. Um menino pequeno está atrás de uma das mulheres e olhando para a câmera.

O Dia de Luta dos Povos Indígenas, portanto, concentra-se no reconhecimento dos povos indígenas enquanto legítimos integrantes do território brasileiro, no combate ao desmatamento alarmante das florestas, na divisão justa de terras e no respeito às vidas indígenas que há tanto tempo resistem no Brasil.

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