Espiritualidade

Dicas para lidar com o sono na Meditação

Olá, ontem eu assisti a um vídeo no YouTube sobre como não cair em sono durante as meditações. É de uma pessoa chamada Giovani, eu acho que ele é australiano, e como crédito, porque muito do que eu vou falar ele disse também, eu vou colocar o link do vídeo dele na descrição deste vídeo. Eu não vou repetir o que ele disse, mas eu vou falar algumas coisas… iguais, mas de outra forma, além de acrescentar outras.

Primeiro ponto: na meditação, às vezes ocorre de dar sono. A pessoa tem sono e isso acontece com quase todo mundo que medita, eu acho. Algumas pessoas sempre têm sono, então esse assunto realmente é importante. É claro que esse vídeo é para meditadores, para quem medita, então têm o risco de ter sono. Bom, quando se fala que em uma meditação às vezes dá sono, então eu estou pensando em uma categoria de meditação, que é a categoria da meditação passiva, em que a pessoa fica sentada, normalmente imóvel.

Aí, sim, a probabilidade do sono é maior, mas é bom lembrar que existem meditações ativas, corporalmente ativas, às vezes muito ativas, às vezes ativas a nível médio, enfim, isso já não traz sono, então vamos quebrar a ideia de que meditação é apenas ficar sentado e imóvel. Meditação é basicamente ser o observador do que está acontecendo no momento.

Mulher meditando de costas.

Observador silencioso. Não vou entrar agora em detalhes de conceituação, mas só para tornar claro: eu posso ser esse observador tanto imóvel quanto em movimento. Beleza? Então tá… Quais são as possíveis causas de sono em meditações paradas? A mais importante é a falta de sono. A pessoa está carente de sono, está com o sono atrasado. Nesse caso, a probabilidade de ela entrar em sono é muito grande. E é claro que entrar num sono relaxado não é meditação, é um repouso, é algo fisiologicamente importante e necessário, mas não é meditação.

Então, caso a pessoa não queira entrar em sono porque tem sono atrasado, é preciso colocar o sono em dia. Se mesmo assim ela quer meditar com sono atrasado, eu vejo duas posturas: tentar lutar contra o sono ou aceitar o sono: “O meu corpo está precisando, essa é a prioridade deste momento, eu me entrego, eu me rendo, relaxadamente, sem culpa, isso é o que o meu corpo pede agora”.

“Eu ouço o meu corpo”. Essa é a postura nessa segunda opção. “Eu acolho, eu não luto contra”. Lutar contra o sono, para mim, em especial, e pelo que observo nas pessoas para quem ensino meditação, acaba tornando a experiência desagradável, sem necessidade. Curta o sono. É a sua necessidade agora. Então fora isso, existe uma outra possibilidade, que eu considero que seja uma possibilidade para meditadores mais experientes. A palavra experiente também não quer dizer muita coisa, porque às vezes a pessoa medita muito, por muitos meses, muitos anos, às vezes, sem qualidade, então experiência não quer dizer tempo de prática, mas qualidade crescente de prática.

Para meditadores mais experientes, portanto, é possível ser observador do próprio estado de sono. A pessoa pode sentir o corpo adormecer, não lutar contra, mas se manter como observadora. Aí, sim, é uma experiência agradável, profunda, que eleva o nível da meditação e o torna bastante diferente e profundo. Então percebe-se que não permitir que o observador apague é uma possibilidade, mantendo-se observador do próprio sono. Mas não exercite isso constantemente. O sono é importante, então coloque-o em dia. Vá meditar quando estiver com o sono em dia.

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O sono atrasado é o primeiro ponto. Um outro motivo: pode ser que a pessoa esteja meditando por mais tempo do que está acostumada. Então, ao meditar por um tempo maior, pode ser que ela entre em sono. A pessoa vai ter que descobrir se é esse o caso. Se for esse o caso, é preciso meditar até um ponto em que o sono não venha, de forma que ela vá se acostumando cada vez mais com esse estado e consiga prolongar o tempo mantendo o estado de alerta. Aos poucos isso vai acontecendo por cada vez mais tempo. Outro motivo é esse, portanto: fazer um tempo maior do que seria o habitual ou o confortável para a pessoa. Um outro motivo que eu considero bastante importante (na verdade é provavelmente o segundo mais importante) é a escolha do horário. Tem horário que não é favorável.

Mulher meditando.

Por exemplo: depois de comer muito. Depois de almoçar bastante, por exemplo, se a pessoa for meditar, a tendência fisiológica é entrar em adormecimento, então não é uma boa meditar depois de comer muito. Para quem não é noturno, para quem é mais diurno, começar a meditar à noite é dar mais chance para o adormecimento. Essa questão da escolha do horário é importantíssima, porque os horários trazem níveis de presença diferentes de pessoa para pessoa. Uma pessoa que medita com mais profundidade de manhã precisa meditar no horário que é o mais adequado.

Se for meditar à tarde, ela vai perceber que o nível de presença diminui. Já para outras pessoas é o contrário, então cada um tem que descobrir qual é o horário em que se sente mais desperto e mais atenta, e isso também varia conforme a estratégia. Percebe, então, que é um universo de experiências. Por exemplo: normalmente, pelo que eu ouço, as técnicas ativas são mais indicadas de manhã. Não é a minha experiência.

Pessoalmente, eu, Nisargan, gosto mais de praticar as ativas no final da tarde. O meu nível de atentividade é maior, o meu fluir é maior, o meu corpo está mais engrenando. Mas não é assim para outras pessoas. Então não há uma regra, mas atente-se para o horário que você escolhe para meditar. Isso tem relação com várias coisas, inclusive com a vinda do sono, dependendo da sua opção.

Um outro motivo que pode favorecer a ocorrência de sono durante uma prática de meditação passiva é a postura. Se a pessoa vai meditar deitada, o que que você acha que vai acontecer? Eu não preciso falar nada. A probabilidade de dormir é muito grande. Meditar nessa ou naquela posição faz diferença? Faz diferença, experimenta. Tudo é questão de bom senso. Algo que pode atrapalhar também é fazer com má vontade, por obrigação, porque você passa a sentir que a meditação é algo entediante. Bom, se você tem essa visão, provavelmente está equivocado em sua meditação.

E saiba que muitas pessoas têm uma visão equivocada da meditação. Aqui eu estou supondo que você tem uma visão parecida com a minha. Se quiser, assista a alguns outros vídeos meus em que esclareço o que eu entendo por meditação. Se alguém vai meditar com essa postura de tédio, portanto, ela não descobriu o prazer. Meditação é um lazer. Eu não aguento. Eu tenho que dizer isso…

Enquanto não for um lazer, um prazer, algo está errado. Então a dica é que ela mude o padrão… Se a questão é tédio, então o convite é algo muito importante e que se aplica não somente a essa questão do tédio, mas a uma atitude interna importantíssima para o aprofundamento de meditação. Desfrute da meditação. Amplie a sua percepção.

Mulher meditando de costas.

Nosso espectro de perceptividade é muito limitado. A meditação é o amplificador de espectros de perceptividade. Eu acabo percebendo mais coisas…. do quê? Externas… sons, visual, e internas… Eu percebo mais a mim mesmo, e não só mais sensações corporais ou sensações respiratórias das quais eu nunca me dei conta, mas estados emocionais, conflitos, situações internas. É preciso ter um interesse de ampliar a sua perceptividade, de atravessar o portal da percepção, que é o convite que é a meditação faz.

Quanto mais eu penso, mais o meu mundo é fechado dentro de um universo restrito de percepções. Então traga esse interesse e essa curiosidade em perceber mais nuançes da vida, tanto externa quanto interna, à meditação. Esse é, portanto, outro antídoto contra um sono que vem em função do tédio. Não procure ter experiências desagradáveis. Descubra os seus limites e faça o que seja confortável para você.

Existe um outro motivo que faz com que a pessoa entre em sono, e esse motivo é bastante importante também: é o sono-boicote. Eu falei que quando há sono fisiológico e real, uma necessidade de dormir, relaxa e goza, dorme à vontade; eecupera e vai meditar quando você não estiver com o sono atrasado e se sentir plenamente recuperado. Mas existe aquele sono que aparece quando você não está com sono atrasado. Este sono é causado por um comando mental que pede que você durma para boicotar a sua experiência. Nós passamos uma vida valorizando demasiadamente nossos pensamentos, nossas crenças…

Existe uma identificação muito forte de nós como seres em relação ao que a gente pensa. A meditação muda tudo isso. Eu não sou o que eu penso, eu não sou aquilo em que acredito, eu não preciso defender aquilo em que creio. Eu sou apenas o observador, o centro observador da vida como um todo. Isso dá um certo desconforto em alguma dimensão da mente que quer se manter como a dona do pedaço.

Portanto, se você sentir que você não está com o sono atrasado, que tá tudo tranquilo, tá tudo certo, mas mesmo assim vem sono, fique esperto. Tentei descobrir se existe algum receio seu de cada vez mais estar nesse centro. A minha sugestão é que, nesse caso, você prossiga mesmo assim. Não dê bola para a sua mente temerosa. Reavalie o que você realmente quer.

Sobre o autor

Anand Nisargan

Anand Nisargan

Anand Nisargan é o criador do ESPAÇO PRESENÇA e focalizador de seus Retiros de Meditação.

Formado em Medicina na Unicamp, em 1994 abandonou seu trabalho como médico psiquiatra para tornar-se instrutor de meditação.

Bebeu da fonte do Mestre Osho em sua própria presença física e foi membro de suas comunas na Alemanha, Itália e Brasil, sendo tradutor de dezenas de seus livros e vídeos. Autor do livro “A Arte de Estar Presente”.

Site: espacopresenca.com.br
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