Empoderamento Feminino

Dicionário do feminismo: entenda conceitos importantes do movimento!

Está aprendendo sobre o movimento feminista mas tem dificuldade de entender certos termos e elementos bastante comuns nos principais materiais? Temos a solução: um glossário do feminismo em que você encontra as principais definições sobre os conceitos mais importantes para esse grupo! Estude com mais facilidade com estas informações.

No século XIX, a luta das mulheres era pelo direito de votar, de se divorciar e de ter acesso à educação e ao mercado de trabalho. Hoje, a reivindicação é por maior igualdade salarial e pelo fim da violência de gênero. A defesa de que as mulheres devem ter os mesmos direitos do que os homens em todas as áreas da vida permeia o movimento feminista, mas muita coisa mudou de lá para cá.

Uma delas, inclusive, foi a linguagem. Viva e intimamente associada à evolução da sociedade, novos termos são criados à medida que os grupos se mobilizam. Com o feminismo não foi diferente — provavelmente você já deve ter ouvido palavras como “sororidade”, “mansplaining” e “patriarcado” se tornando cada vez mais parte do nosso dia a dia.

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, nós, do ESF, decidimos preparar um glossário com a definição das principais palavras ligadas ao movimento feminista. A fim de ampliar a discussão, é fundamental entender o significado e o verdadeiro peso de cada um dos termos abaixo.

Sororidade

Começando por sororidade, uma palavra que teve um aumento de procura no Google em 250% depois que a participante de um reality show, Manu Gavassi, a proferiu em rede nacional. Apesar da popularização ter acontecido na época do BBB20, a palavra é mais antiga. Esse é um conceito que vem dos anos 70 e tem sua origem no termo inglês “sisterhood”, cunhado pela escritora Kate Millett.

Ele quer dizer o oposto do senso comum de que as mulheres são rivais por natureza e não conseguem conviver em harmonia. Sororidade é o apoio entre as mulheres para que todas elas consigam chegar aonde desejam. Ou seja, é um pacto interno de confiança, reconhecimento e valorização mútua para fortalecer a população feminina acima de qualquer rivalidade de gênero.

Mãos de várias mulheres umas sobre as outras em sinal de união.
katleho Seisa de Getty Images Signature / Canva

Machismo

Machismo, por sua vez, é um termo bastante antigo e utilizado em diversas situações, muitas vezes errônea e superficialmente. O conceito carrega um peso enorme: a ideia de que as mulheres são inferiores ou desiguais aos homens e, por isso, deveriam ser marginalizadas.

É por causa do machismo que muitas mulheres são agredidas, violentadas, abusadas, silenciadas e mortas. Tem a ver não apenas com um pensamento, mas com um conjunto de crenças e práticas nas mais variadas áreas (familiar, acadêmica, laboral, social, sexual, legislativa, econômica etc.), com o objetivo de oprimir a população feminina. Portanto falar em machismo é falar na superioridade masculina e na desigualdade entre os gêneros.

Mansplaining

Já mansplaining é um termo que viralizou com uma discussão entre a influenciadora Kéfera Buchmann e um membro da plateia do programa Encontro com Fátima Bernardes, em 2018. Frente a um homem assumidamente antifeminista, Kéfera apontou que ele estava tentando explicar para várias mulheres o que era feminismo, em um ato de mansplaining. Ou seja, explicando algo óbvio de forma condescendente, partindo do ponto de que um homem sempre saberá mais do que uma mulher.

Por mais que o episódio em questão tenha virado meme na internet, essa é uma situação bastante corriqueira para as mulheres. Não à toa, o termo mansplaining foi criado por Rebecca Solnit, em 2008, após um homem, em uma festa, tentar explicar para a autora sobre o que se tratava o livro que ela mesma havia escrito.

Sexismo

O sexismo é a discriminação de uma pessoa com base em seu sexo. Na teoria, significa o preconceito direcionado a qualquer um dos sexos: feminino ou masculino. No entanto, na prática, é evidente que os indivíduos mais afetados são as mulheres. Isso porque, devido ao machismo, há uma crença de que elas seriam inferiores aos homens.

O sexismo é visto no dia a dia quando uma mulher é tida como incapaz de exercer determinadas funções apenas por ser do sexo feminino ou quando ela é obrigada a se encaixar em determinados comportamentos sociais para ser aceita, por exemplo.

Manterrupting

No episódio protagonizado por Kéfera Buchmann no Encontro com Fátima Bernardes, esse termo também veio à tona. É um conceito utilizado para se referir ao momento em que um homem interrompe uma mulher repetidas vezes, impedindo-a de completar o seu raciocínio ou expor a sua opinião.

Essa é uma prática tão comum que um estudo feito em 2012 pela Universidade Yale comprovou que as senadoras americanas no Capitólio tinham menos oportunidades de se pronunciar do que colegas homens em posições inferiores.

Misoginia

A misoginia está diretamente atrelada ao machismo e ao sexismo, porém em um nível mais extremo. Esse termo se refere ao ódio ou à aversão a pessoas do sexo feminismo. Ela abrange atitudes de preconceito, discriminação, silenciamento, exclusão e violência contra mulheres. Também pode ser aplicada no contexto de aversão ao contato sexual com esse grupo.

Atualmente, a misoginia é considerada crime em alguns países, como no Reino Unido. No Brasil, a prática ainda não é enquadrada pela lei, mas já existem propostas nesse sentido tramitando no Congresso.

Patriarcado

Patriarcado é outro termo aparentemente simples, mas que carrega um enorme significado histórico. Desde o surgimento do feminismo, a palavra remete a todo um sistema sociopolítico que favorece o predomínio dos homens nos mais diversos escopos. Por mais que a sociedade tenha avançado em diversos pontos, ainda é muito difícil que uma mulher alcance igualdade salarial ou tenha plena liberdade sexual devido à maneira como o patriarcado opera.

Esse sistema coloca o gênero masculino em posição de privilégio não apenas sobre o gênero feminino, mas sobre todos os gêneros. A heterossexualidade também é a norma, sobressaindo-se em relação às demais orientações sexuais. As estruturas sociais, políticas e econômicas são incentivadas de forma que o patriarcado se mantenha e se fortaleça.

Cenário de bonequinhos de manequim dando as mãos em pró da igualdade de gênero.
Luismicss no Canva

Gaslighting

O ato do gaslighting é uma maneira de validar a supremacia masculina. Muito comum em relacionamentos amorosos, o conceito se refere à prática de manipular a parceira psicologicamente para que ela duvide da própria sanidade. É uma forma de cometer atos desrespeitosos em uma relação e fazer com que a mulher pense que está exagerando ou sendo desconfiada demais.

Esse tipo de violência é sutil e faz com que a vítima fique em dúvida sobre a própria percepção da realidade.

Bropriating

Por fim, o termo bropriating é a junção do inglês “bro” (que significa “cara” ou “irmão”) e “appropriating” (“apropriar” ou “apropriação”). É quando um homem leva os créditos pela ideia de uma mulher, mesmo sem ter participado da concepção dela. Acontece bastante nos ambientes acadêmico e profissional, mais uma vez silenciando as mulheres e reforçando a desigualdade de gêneros.

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Agora que você já aprendeu um pouco mais sobre o vocabulário do movimento feminista, estará pronto para participar das discussões em prol de maior igualdade entre os gêneros. Se essas definições foram úteis para você, compartilhe nas redes sociais e mostre para quem mais precisa saber!

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