Convivendo

Estar presente com o outro, amar ao outro, não temer ao outro e confiar intimamente no outro é tornar-se uno dentro de um relacionamento

Jéssica Sojo
Escrito por Jéssica Sojo
Não temer ao outro e confiar intimamente no outro é tornar-se uno dentro de um relacionamento

Relacionamento é  um processo complexo, árduo e de aventura do ser humano – eu digo isso, porque relacionar-se conosco mesmo é um processo inaceitável, por existir certo medo perante a nossa intimidade.

Todo mundo tem medo da intimidade e todo mundo tenta criar um casulo, de modo que consiga depositar todos os defeitos, as fraquezas, as fragilidades e tantas outras coisas mais correspondentes sempre a nossa parte mais íntima, ao nosso interior. Geralmente, ao nos relacionarmos com o outro – desconhecido e novo – costumemos demonstrar somente a nossa melhor parte. Nós esquecemos que do mesmo modo que a intimidade nos aproxima do outro, ela também, nos aventura para dentro de nós mesmos.

É imprescindível que tenhamos certo conhecimento sobre a nossa intimidade, de maneira que não criemos máscaras ao nos relacionarmos com o outro – amorosamente, familiarmente, socialmente ou qual forma for – evitando aquele certo tipo de cobrança perante o desconhecido, evitando buscar preencher uma lacuna que preencheríamos sozinhos se nós tivéssemos conhecimento sobre o nosso eu mais profundo.

Relacionamento segundo o nosso amigão Aurélio é: “Estabelecer relação ou analogia entre; comparar; entrar na intimidade de; ato de relacionar ou de se relacionar; ligação afetiva ou sexual entre duas pessoas; adquirir relações; etc.”

Porém, relacionar-se vai muito além do estar junto – dentro de qualquer tipo de relacionamento. Relacionar-se com alguém é estar presente, e para estarmos presentes, é necessário termos intimidade – principalmente conosco mesmo – para que, de fato, consigamos nos relacionar melhor com o outro reciprocamente.

É essencial olharmos para dentro daquela parte mais profunda de nós e procurarmos encontrar respostas às perguntas às quais nós fazemos referente ao outro com ao qual estamos nos relacionando. É essencial amarmos e reconhecermos o outro como parte de nós, plenamente. É essencial não criarmos expectativas, não criarmos cobranças e nem garantias sobre algo – já que somos seres mutantes e estamos em constante mudança a todo o instante. É essencial que não façamos comparações dentro de um relacionamento – seja esse qual for. É essencial que compreendamos que por mais que nós conheçamos a pessoa com a qual nós estamos nos relacionando  – independente do período, seja seis meses, dois anos, dez anos, vinte anos, quarenta anos ou quantos anos forem, nós nunca iremos entender totalmente a outra pessoa  – e isso é totalmente aceitável, já que somos seres mutantes. É essencial que tenhamos respeito com o próximo e aceitemos o como ele é. É essencial que sejamos verdadeiros a todo o instante, em todas as ocasiões e sem medo. É essencial que sejamos quem somos de fato. É essencial que aja diálogos.  É essencial que vá muito além dos nossos hálitos matinais, do andar de mãos dadas, do status da rede social, das selfies constantes e do estar juntos. Além das prosas cotidianas, das risadas momentâneas e de outras coisas mais.

É essencial que antes de começarmos um relacionamento com o outro, comecemos um relacionamento conosco mesmo, de forma que ao nos relacionarmos com o outro, tenhamos a confiança de expormos a nossa intimidade sem medo.

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

É custoso descrever quem sou eu – já que constantemente lapido, modifico e me transformo em um pouco de tudo e muito de cada pouco. Inicialmente posso compartilhar dizendo que sou extremamente curiosa, apaixonada pela comunidade surda, pela língua de sinais e por tudo que envolve a linguística.

Foi na faculdade de medicina e como acadêmica há alguns anos (com a esperança de trabalhar com o ser humano e suas limitações) que eu adentrei para um universo de que eu não fazia ideia que fosse possível existir e que pudesse trazer a bagagem que tenho hoje. Minha busca incessante pelo autoconhecimento e entendimento para muitos dos questionamentos que já tive (e continuo tendo) me fez despertar para o meu atual desígnio.

Minhas tantas outras peregrinações e experiências também contribuíram e muito com o meu desígnio – a começar pelo de compartilhar junto a vocês, leitores do EuSemFronteiras, sobre a primordialidade de enxergarmos para além do que nos visibiliza os olhos e lembrarmo-nos sempre de sermos semelhantes ao sol, mesmo em meio às sombras escarpadas montanhosas da vida.

Com todo o meu carinho e gratidão imensa,

Mãos em prece e um saudoso e caloroso abraço em cada um.

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