Autoconhecimento

Fetos de areia

Dunas de areia, palmeiras ao fundo, céu azul.
Escrito por Andrews Rodrigues

Certa tarde, na praia, moldei duas formas na areia. Formas distintas de si. Depois de uns minutos esperando elas ganharam, finalmente, vida. Contente, contei-lhes como eram frutos de minha criação.

Ambos me olhavam admirados e sem entender. Estava pronto para lhes contar mais sobre de onde vieram e o que eram, mas fui interrompido pelo chamado de minha mãe. Era hora de ir. Me despedi dos dois novos seres e me fui.

As pobres criaturas ficaram sós.

Logo notaram a presença uma da outra. Passaram a conversar. Quem é você?, perguntou o primeiro. A pergunta surtiu efeito profundo nele no que respondeu – Não sei! E você quem é? – E este também não sabia respondê-lo.

Paisagem de praia, um coqueiro está a esquerda e faz sombra na area, o céu está azul mas há nuvens.

Começaram a olhar a sua volta e nomear as coisas. Viram a água, as árvores, as nuvens, pássaros e a areia. Depois de dar nome a tudo o que podiam ver e notar, deram nomes a si mesmos. O primeiro chamou a si de cubo e o segundo de esfera.

Agora tinham denominações para si, que os diferenciavam de todo o resto. Depois de um tempo, começaram a focar demais nessas diferenças e, por não encontrarem nada tão parecido com eles, passaram a se sentir especiais. Acreditavam ter mais importância que tudo ao seu redor.

Mas essa prepotência que crescia não parou por aí. Ambos começaram a perceber as diferenças entre si. Logo começaram a discutir sobre suas formas e cada um defendia que a sua seria superior a do outro. Surgiu disso uma rivalidade que aos poucos se tornava ódio.

Praia no por do sol o céu está com tons de azul e laranja.

Nenhum deles admitia algo de bom no outro. E, nessa guerra, passaram horas. Fecharam os olhos para as belezas ao seu redor e para as suas próprias, só o que importava era provar sua superioridade diante do outro.

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Nem notaram o sol se pôr e a maré subir. Maré que os alcançou e os desmanchou no mesmo instante. Se desfizeram e sem nem notar abandonaram a existência. E na sua breve passagem por aquele mundo que chamavam praia, voltaram a ser areia, sem nunca perceber que areia sempre foram.


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  • Andrews Rodrigues

    Andrews Rodrigues

    Agente de Transformação
    [email protected]@o_visitante@komorebioficial@conexaocolablinkedin.com/in/andy-creatives-a776a0102serliricoficial

    A vida é algo raro e a gente parece não se dar conta disso apenas porque vivemos em um oásis onde ela é abundante.

    Quero viver em um mundo que garanta a vida no centro de todas as nossas ações. Um mundo onde possamos desenvolver o melhor do potencial humano, superando o comportamento mecânico que tem nos levado a um caminho obscuro e incerto.

    Quero viver em um mundo onde o indivíduo seja sustentado pelo coletivo, tendo espaço para crescer e fortalecer ainda mais a comunidade. Um mundo que respeite o lugar que cada um ocupa, e no qual cada indivíduo seja responsável ao assumir seu papel.

    Quero viver em um mundo possível, mas que, para acontecer, exige transformação: não no planeta em si, mas no nosso modo de construí-lo. Isso requer abandonar os velhos padrões apoiados no mero instinto de sobrevivência e assumir a plena consciência de nossas ações.

    Convido você a fazer parte desse movimento.
    Andrews Rodrigues | Escritor, artista visual e estrategista narrativo.