Saúde Integral

Foi de repente

Imagem de relógio de parede com um pôr do sol avermelhado ao fundo.
Cintia Natoli
Escrito por Cintia Natoli
Foi de repente que eu perdi o emprego, foi de repente que o relacionamento acabou, foi de repente que acabou, foi de repente de começou, foi de repente que tal pessoa faleceu, foi de repente que o tempo passou, foi de repente que mudei de ideia, foi de repente que fiquei mais velha, foi de repente que eles cresceram, foi de repente que eu cresci, foi de repente que as coisas mudaram, foi de repente que o tempo acabou… Foi tudo tão de repente… 

A verdade é que nada na vida acontece do dia para a noite, nada é de repente. Tudo depende de um processo, de um ciclo, de fases e momentos, até que se transforme. O movimento pode ser mais lento ou mais rápido, mas nunca de repente.

Quando alguém perde o emprego, seja por descuido próprio, por vontade do chefe ou pela falência da empresa, não foi de repente. Você pode ter sido pego desprevenido, mas as coisas já vinham acontecendo e você, de alguma forma, não notou as movimentações. 

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Quando um relacionamento termina, também não é de forma repentina. Muitas vezes, queremos acreditar que a relação vai se manter, independentemente do quão doentia ela seja, mas esquecemos que não depende somente de nós. Nós podemos ter um pavio maior do que o nosso parceiro e, por isso, vamos levando e nos iludindo, como se dependesse somente de nós mesmos. É aí que o outro toma a iniciativa e decide seguir outro caminho, mas não foi do dia para a noite, pois dia após dia as mudanças foram acontecendo e, mais uma vez, optamos por acreditar que não acabaria, mas acabou. 

Quando você resolve começar um novo curso, uma nova profissão ou qualquer coisa que seja nova, pode ter a certeza de que não foi de repente. Parece que sim. Afinal, existem dias que vamos dormir de um jeito e acordamos de outro, cheio de novas decisões. Mas a verdade é que a gente vem se cansando, se esgotando e analisando opções e alternativas em cada pensamento, em cada experiência observada. Tudo isso vai tomando forma com o passar do tempo, até que, no momento adequado, torna-se uma realidade. Mas não foi de repente.

Quando sentimos saudade dos tempos de infância, mas também nos lembramos de quantas vezes aquela criança desejou ser adulta, percebemos que não controlamos o tempo, mas ele nos dá a chance de vivenciar cada estágio da vida. Não foi de repente. Foram anos e anos de aprendizado, de crescimento, de preparo, de brincadeiras, de risadas, de choro, de joelho ralado, de pés descalços, de escolinha, de provas, de trabalhos, de festinhas e de todo aquele universo colorido que a infância nos traz. Graças a todos esses anos que hoje estamos aqui, mas não foi de repente e, geralmente, foi uma fase muito bem vivida.

Quando mudamos de ideia do nada, na verdade, não é uma alteração vazia de opinião, mas, sim, uma análise rápida que o nosso cérebro realiza com base em todas as experiências que vivemos,
 sejam elas físicas ou emocionais. Pode haver dúvida, mas são todas as experiências que nos fazem decidir por algo e até mesmo mudar de ideia. Além das experiências, temos aquele sentimento especial, que muitos chamam de sexto sentido. Muitas vezes, a gente muda de ideia quando ele resolve funcionar dentro da nossa mente e achamos melhor obedecermos. Não é de repente, é preparo! 

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Quando alguém morre jovem ou de forma inesperada, tomado por uma doença, um infarto ou até mesmo um acidente. Aos nossos olhos, tudo é de repente, mas na mais profunda filosofia, tanto científica quanto energética, nada acontece sem que haja um conjunto de fatores que levem até determinado momento. Triste, mas que faz parte das nossas vidas.

Se pensarmos em um infarto, podemos pensar em como seriam os hábitos daquela pessoa? Qual era a sua rotina? Qual o seu histórico familiar? Os exames andam em dia? Tudo isso interfere e leva tempo para que nos leve ao infarto, seja ele precoce ou não. Mais uma vez, pode nos pegar desprevenidos, mas internamente os movimentos já estavam acontecendo. 

Se pensarmos na morte simples, basicamente pela velhice que nos toma, também podemos considerar que foram anos e anos usando aquele corpo, que ora fora usado de maneira saudável, ora não. Que tanto serviu em diferentes momentos e que agora está desgastado e cansado. Como uma máquina, um dia, desliga. Não é de repente. 

Se pensarmos em um atropelamento ou qualquer acidente, que nitidamente nos pega de surpresa, podemos pensar em qual seria o nível de atenção das pessoas envolvidas? Bebeu e resolveu dirigir? Atravessou fora da faixa de pedestre? Estava ao celular? Estava com pressa? Nem sempre existem culpados, muitas vezes, são fatalidades que acontecem em nossas vidas, mas a questão que coloco aqui é que nada é de repente. Todos os acontecimentos se formam a partir de um conjunto de decisões que podem ser particulares ou que envolvem terceiros. 

Precisamos aprender a vivenciar cada minuto de nossas vidas de forma atenciosa e consciente. É importante que possamos valorizar cada segundo e desenvolvermos maior sensibilidade com cada acontecimento, cada experiência e cada sinal.
É preciso pegar parte da responsabilidade que, muitas vezes, são delegadas ao destino ou ao acaso de forma indevida, pois é cômodo culpar alguém que não seja nós mesmos pelas coisas que não deram certo. Mas somos os maiores responsáveis por grande parte de tudo isso.

Precisamos cuidar do nosso corpo e da nossa mente, cuidar dos nossos hábitos e de como tratamos o nosso semelhante, para que seja possível compreender que tudo se forma a partir dos nossos atos e escolhas. Que as pessoas presentes em nossas vidas também influenciam em nossas histórias e por isso que precisamos saber selecionar as nossas companhias. Todo esse conjunto gera um movimento de transformação e nada acontece de repente ou por acaso.

O “de repente” só existe para quem anda distraído. Quanto mais você sente que as coisas acontecem de forma repentina com você, mais distraído você tem passado pela vida. 

Não devemos viver tensos e preocupados, pelo contrário. Não é preciso estar tenso para desenvolver sensibilidade diante da vida. É preciso mais paz interior, mais calma, mais meditação, mais amor, mais carinho, mais organização e, principalmente, mais respeito pelo tempo.

O tempo passa sempre na mesma batida para todos, nem mais rápido e nem mais lento. O que muda é a nossa percepção com relação a ele. Depende do que você faz, de como faz, de quando faz e com quem faz. Por isso, utilize o seu tempo de forma doce e produtiva, de maneira que você possa sentir que ele foi bem vivido, não apenas gasto.

Valorize o seu tempo e o tempo dos outros. Quando atrasamos, estamos desperdiçando o mais valioso bem de alguém: o tempo. Tempo é vida! Por isso, respeite a sua vida e a vida dos outros, começando pelo tempo.

Invista o seu tempo em você e compartilhe o seu tempo com as pessoas que valorizam a vida. 

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A vida é tão bondosa e rara, que nos permite viver da maneira que desejamos viver. Mas não podemos esquecer: ela é tão justa e perfeita, que arcamos com as consequências de cada escolha feita. 

Viva uma vida com menos “de repente” e mais “preparo”. Não se coloque em posição de vítima ou figurante, seja protagonista e roteirista de sua própria história. Atente-se aos fatos, aos pequenos movimentos. Leia mais, estude mais, converse mais, saiba mais e viva mais!

Não fique na defensiva e muito menos se torne uma pessoa pessimista, apenas sinta o movimento da vida para que os acontecimentos não te encontrem desprevenido, mas, sim, preparado e consciente.

Você é responsável pela sua vida e boa parte de tudo o que vivemos só depende de nós mesmos e de nossas escolhas. Por isso, desejo que possamos chegar em nossa velhice com a sensação de termos realmente vivido cada minuto. Que a nossa máquina não seja desligada com uma memória gasta pelo tempo, mas preenchida pela vida.

Que não seja de repente… Que seja bem vivido! Que seja consciente!


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Sobre o autor

Cintia Natoli

Cintia Natoli

Administradora de formação, gestora e consultora de profissão. Sempre atuei no mundo corporativo, diagnosticando e curando empresas. Após um forte chamado, adotei a prática de Reiki e venho me preparando a cada dia como terapeuta integrativa, com reflexologia podal, tarot terapêutico, meditação, florais de Bach e aromaterapia. Com o meu grande desejo de curar e tratar dores e emoções, na psicossomática do ser, hoje sou estudante de fisioterapia e pós graduanda em acupuntura. Quero tratar pessoas e levar saúde e bem estar para cada vida que passar por mim.
Escrever é uma forma de compartilhar essa deliciosa jornada que venho trilhando e quem sabe, incentivar as pessoas a melhorarem a sua realidade; a seguirem o seu coração, sem medo do tempo. Sempre há tempo para começar e recomeçar. A aceitação de si mesmo é o primeiro passo para um caminho pleno e feliz. E foi a partir desta filosofia que iniciei o projeto Eu Me Aceito Sim.

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