Convivendo

Histórias que lemos na rede social

Pessoa usando celular
Adrienn/Pexels
Márcia Leite
Escrito por Márcia Leite

Outro dia, conversando com uma Ekeji, que na religião de matriz africana é uma espécie de mãe, que auxilia, cuida, aconselha, entre outras funções, levantava uma questão que falava nas redes sociais sobre as oferendas que hoje vemos nas ruas, embaixo de árvores, em esquinas ou em outro cantinho. Ela discorda fortemente daquilo que é veiculado, e publico aqui o que ela afirmou como sendo uma desqualificação da etnia.

“A quem e para que serve o que vem de pretos?

É imperativo afirmar que tudo aquilo que vem ou se refere a pretos incomoda!

Várias falácias sem nenhuma fundamentação ainda nos surpreendem e causam descontentamento.

É sabido que a história de resistência dos nossos irmãos e irmãs é recheada de inverdades, distorções, equívocos.

Mas, a bem da verdade, a quem interessaria de fato a disseminação desse capítulo que a história ao longo dos anos não nos contou?

Mulher olhando para frente com seriedade
Ezekixl Akinnewu/Pexels

Eis que surge mais uma maldosa desqualificação: as oferendas aos nossos Orixás usadas como forma de alimentação para aqueles irmãos e irmãs que conseguiam se libertar dos grilhões.

Ainda que não ecoe, cabe um grito de BASTA!

Não é assertivo compartilhar o que não tem fundamentação.

Analisemos com o uso do cérebro: se essas oferendas tivessem o propósito de alimentar os negros que conseguiam a peripécia de fugir, quantas dessas seriam depositadas em pontos estratégicos?

Além disso: seriam essas colocadas pelos algozes?

Seriam os negros ‘libertos’ que o fariam?

Lembremos que muitos que conseguiam a fuga morriam, também por causa da fome e das inúmeras doenças que lhes acometiam.

Outro questionamento: se os negros que conseguiam fugir tinham que se esconder, como encontrariam tais ‘banquetes’?

Um pouco de estudo e informação é indicado para se equacionar a propagação dos equívocos.

Que toda a ignorância da humanidade seja um dia substituída pela empatia!” – Noélia Santiago, Ekeji na casa Ilé Àṣẹ Olóbìnrin

Deixo aqui uma reflexão sobre o que realmente devemos considerar como verdadeiro e que não subestime a capacidade de qualquer indivíduo, seja ele branco, negro, amarelo, vermelho, como se classificam as origens étnicas da população que habita em nosso imenso país. Atualmente, as desigualdades permeiam também a exploração de elementos culturais, buscando diminuir a sua importância.

O povo negro quer ter o seu espaço garantido na sociedade e é constantemente atacado com histórias e atos altamente indignos.

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Quero lembrar de um fato atual, dos constantes ataques a casas de santo e de terreiros por pessoas que se autointitulam povo de Deus. Sou cristã, porém jamais atacaria um semelhante por sua religião, o que é um ato condenável. Os cristãos são ensinados que todos são iguais e merecem ser amados sem julgamentos.

Portanto, sugiro a quem lê esta argumentação que coloque na balança os seus sentimentos e elenque as formas pelas quais gostaria de ser tratado, com equidade

de direitos e muito respeito às diferenças.

Sobre o autor

Márcia Leite

Márcia Leite

Graduada em Farmácia e atualmente estudante da área de Humanas, mostro interesse em diversos temas. Incomodada com questões sociais e que mexem com a convivência e a saúde das pessoas.