Autoconhecimento Comportamento Convivendo

Humildade e evolução espiritual

Imagem de uma mulher loura de cabelos longos com as mãos levantadas para o pôr do Sol.
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Escrito por Luiz Guimaraes

A humildade, unida à renúncia e ao serviço, é o caminho do crescimento espiritual. Ao substituir orgulho por caridade, tolerância e perdão, o ser humano transforma a si mesmo e se alinha à vontade divina, avançando com mais consciência e amor em sua jornada interior.

“Todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado”. (Mateus 23.12). Segundo Lacordaire, no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 7, Item 11: “A humildade é uma virtude muito esquecida entre vós. Bem poucos seguidos são os exemplos que dela se vos têm dado. Entretanto, sem humildade, podeis ser caridosos com o vosso próximo? (…)”.

Adentrando na essência desse ensinamento, verificamos que a humildade que se externa na simplicidade oferece a oportunidade de servirmos, sem ostentação, a todos que nos cercam.

A humildade não comporta sentimentos inferiores como orgulho, prepotência e arrogância, já que conflitam com os bons propósitos que nos vinculam como irmãos na infinita jornada da vida. Para alçarmos os degraus da evolução espiritual, impõe-se mudança de comportamento, que por sua vez, não prescinde da “renúncia” dos vícios e todos os atos que colidem com a prática do bem.

Afastemo-nos da impaciência, dando lugar à tolerância; do rancor e do ódio, entre outros obstáculos que nos impedem de cultivar o amor e a caridade. Demos espaço para a benevolência, indulgência e perdão – a tríade da caridade –, como entendia Jesus. Essas virtudes levam-nos à felicidade que aumenta em razão do nosso empenho nessa prática.

O Divino Mestre exemplificou com a sua passagem entre nós a grandeza da humildade. Com sua elevada envergadura moral de Espírito Puro, não hesitou em lavar os pés dos apóstolos, mostrando que devemos ser simples e servos uns dos outros, vivendo em fraternidade. A humildade e o ato de servir caminharam com as práticas de Jesus, deixando para a humanidade a lição maior do amor incondicional.

O nosso processo evolutivo está vinculado a essa conduta que nos enriquece interiormente e desperta o sentimento do amor. O livro Florações Evangélicas, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis, pág. 72, esclarece: “A humildade, em última análise, representa submissão à vontade de Deus, doação plena e total às Suas mãos, deixando-se conduzir pela Sua Diretriz segura que governa o Universo.”

No âmbito da nossa evolução, a renúncia torna-se um fator de extrema necessidade. As inúmeras imperfeições que se encontram nos arquivos do nosso passado interferem sobremaneira naquilo que pensamos e fazemos. É como se automaticamente a nossa má índole assumisse o comando das nossas ações. Essa é a contenda maior que temos em nós mesmos. Sair desse embaraço e superá-lo com as virtudes exige coragem, fé e perseverança.

O livro Pensamento e Vida, pág. 41, psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, apresenta essa reflexão: “Humildade não é servidão. É, sobretudo, independência, liberdade interior que nasce das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente renovação para o bem”.

Imagem de uma mão masculina sob um luz, trazendo o contexto de espiritualidade, humildade e evolução.
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Mas nem todos estão aptos para essa árdua tarefa. No caminhar dos tempos, iremos adquirindo experiências que a vida nos oferece, despertando a consciência para a prática do bem, que irá eclodir no tempo de cada um de nós.

Trata-se de um processo longo, mas quando nos apercebermos dessa necessidade com a consciência trabalhada para o objetivo maior, o qual é o crescimento espiritual, os avanços tornar-se-ão mais promissores.

Tudo isso passa pelo autoconhecimento, que descortina aquilo que somos e nos impulsiona para aquilo que queremos ser. Esse empreendimento nos levará à transformação interior, – que se torna impositiva -, considerando a nossa vontade de atingir o que aspiramos.

Espelhemo-nos em Santo Agostinho, que à noite passava em revista seu comportamento durante o dia, buscando as imperfeições e procurando corrigi-las. Essa lição diária trará benefícios imorredouros para o nosso crescimento moral. (Permanecendo na escuridão, nada de bom temos a oferecer).

Sobre o autor

Luiz Guimaraes

Sou médico diplomado no ano de 1972, pela Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco. Já era funcionário do Banco do Brasil e em 1977 assumi o cargo de médico no serviço da Instituição. Em 1988, assumi a chefia daquele serviço e em 1996 aposentei-me. Escrevo para o Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco (ambos em Recife) sobre a Doutrina Espírita e também sobre nossa conjuntura política. Sou membro efetivo da Academia Pernambucana de Música desde 1998.

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